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Fernanda Rocha: títulos atrelados ao IPCA se consolidam como principal proteção em cenário de estagflação
Publicado 30/03/2026 • 22:20 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 30/03/2026 • 22:20 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Em um cenário de incerteza marcado pelo temor da estagflação (a combinação de estagnação econômica com inflação alta), os títulos indexados ao IPCA consolidam-se como a proteção mais eficaz para o investidor, disse Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC e assessora de investimentos da Monte Bravo.
A especialista explicou que o choque de oferta global alterou as expectativas do mercado recentemente: “Desde o final da semana passada, começou a entrar o temor da estagflação, onde o aumento do custo da energia, do petróleo e do gás refletiria em uma corrosão do poder de compra das pessoas, trazendo uma desaceleração econômica. Nesse estágio do ciclo, os títulos indexados à inflação são os mais recomendados para proteger o ganho real”.
Fernanda Rocha destacou que o momento atual oferece taxas historicamente atrativas, com rendimentos que superam a inflação de forma expressiva. “Hoje estamos com taxas bem gordas e atrativas. Nos vencimentos mais curtos, como estamos com uma Selic muito alta, conseguimos ver IPCA + 8%. Já para o vértice de 10 anos, na NTNB 2035, a taxa está na faixa de IPCA + 7,2% ou 7,4%”, detalhou.
A estratégia de “travar” esses juros reais altos é vista como uma oportunidade de preservação de patrimônio a longo prazo, desde que o investidor respeite o prazo do título. “O ideal é que você coloque nesses ativos aquele valor que realmente é de longo prazo, para preservar valor no tempo. O título público é considerado risk-free porque não tem o risco de crédito de uma empresa que possa quebrar; o Brasil rola a sua dívida”, afirmou.
Entretanto, a especialista alertou para os riscos da marcação a mercado caso haja necessidade de liquidez imediata. “O principal risco é o investidor precisar resgatar num momento que não está bom. Se ele precisar vender o ativo e o mercado estiver negociando uma taxa maior do que a dele, ele terá que entregar um desconto no valor, sofrendo um deságio. Quem não quer correr esse risco deve segurar o título até o vencimento”.
Por fim, a análise da assessora da Monte Bravo reforça que a compressão do juro real favorece quem já está posicionado nesses papéis. “Como estamos em uma possível estagflação, a tendência é que o juro nominal caia para não contrair uma economia já fragilizada. Com a inflação mais alta, o juro real é achatado e é exatamente ali que obtemos o ganho. Esse título tende a performar muito bem nesse cenário”.
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