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Ibovespa sofre queda de 5% na pior semana desde novembro de 2022; veja vencedores e perdedores
Publicado 06/03/2026 • 20:32 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 06/03/2026 • 20:32 | Atualizado há 8 meses
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O Ibovespa encerrou a semana com uma desvalorização acentuada de 4,99%, estabelecendo o pior desempenho semanal desde 11 de novembro de 2022, quando o índice apresentou queda de 5%, de acordo com dados do TradeMap.
O índice, que flertava com os 190 mil pontos no final de fevereiro, recuou para os 179.365 pontos em meio a um cenário de forte aversão ao risco global.
A escalada das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, intensificada por declarações de Donald Trump e o possível fechamento do Estreito de Ormuz, impulsionou o petróleo, mas drenou a liquidez dos mercados emergentes.
Somam-se a isso os desdobramentos do escândalo da Master e a prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco, que ampliaram a cautela doméstica.
O CEO da LR3 Investimentos, Rodrigo Rios, avalia que o mercado brasileiro entrou em um movimento de realização mais forte. Segundo ele, o recuo para a região de 180 mil pontos foi pressionado pela escalada geopolítica no Oriente Médio, afetando o humor do investidor e trazendo uma rotação clara de ativos.
Rios destaca que a principal mensagem da semana é a seletividade do investidor, que não está abandonando a bolsa, mas reduzindo exposição em setores vulneráveis à incerteza global. O mercado segue disposto a comprar ativos com gatilhos claros ou commodities estratégicas, enquanto foge do risco de liquidez.
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O economista da Austin Rating, Rodolpho Sartori, reforça que o cenário externo acabou “atropelando” os dados internos positivos, como o PIB de 2,3% e a indústria forte. Para ele, a insegurança com a guerra faz investidores buscarem refúgio em títulos públicos e ativos de renda fixa, como o DI e a Selic.
Sartori pontua que o cenário de alta na curva de juros e valorização do dólar cria um ambiente complexo para a renda variável. “Nesse cenário, a aversão ao risco é natural, fazendo com que se fuja dos países emergentes em busca de segurança em moedas fortes e taxas remuneradas”, explica o economista.
A semana foi marcada por uma divisão nítida: de um lado, as cíclicas globais de energia protegidas pela alta do petróleo; de outro, as cíclicas domésticas e metálicas penalizadas pelos juros e pela desaceleração chinesa.
Enquanto o barril saltou de US$ 60 para US$ 90, o fluxo de capital migrou para empresas com geração de caixa imediata.
Maiores altas do Ibovespa na semana
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Siga o Times | CNBC| Empresa | Código | Variação na semana (%) | Fechamento (R$/ação) |
| Braskem | BRKM5 | 30,34 | 12,50 |
| Prio | PRIO3 | 8,99 | 59,39 |
| Petrobras | PETR3 | 7,14 | 45,78 |
| Petrobras | PETR4 | 7,07 | 42,11 |
| Brava Energia | BRAV3 | 5,85 | 19,73 |
| PetroRecôncavo | RECV3 | 4,46 | 12,87 |
| Ultrapar | UGPA3 | 2,44 | 26,43 |
| Vibra | VBBR3 | 2,14 | 30,56 |
A Braskem (BRKM5) foi o grande destaque positivo, impulsionada por eventos societários e questões fiscais. André Matos, CEO da MA7 Negócios, aponta que o papel refletiu a prorrogação do REIQ e movimentos de reprecificação técnica após um longo período de desconto, além da possível venda de ações da Novonor.
O setor de óleo e gás dominou o ranking, beneficiado diretamente pelo conflito no Oriente Médio. Danilo Coelho, especialista da FBNF, explica que o aumento do petróleo eleva o resultado de empresas como PetroRio e PetroRecôncavo, além de gerar expectativa de reajuste nos preços dos combustíveis na bomba.
Para o diretor da L4 Capital, Hugo Queiroz, a valorização de nomes como Petrobras e Brava reflete a busca por ativos expostos a commodities que garantem fluxo de caixa crescente. Ele destaca que o petróleo batendo patamares elevados “animou o setor e puxou as margens operacionais das companhias” no curto prazo.
Maiores baixas do Ibovespa na semana
| Empresa | Código | Variação na semana (%) | Fechamento (R$/ação) |
| CSN | CSNA3 | -16,59 | 7,19 |
| Minerva | BEEF3 | -13,79 | 4,50 |
| Embraer | EMBJ3 | -13,29 | 80,14 |
| Raízen | RAIZ4 | -12,70 | 0,55 |
| Marfrig | MBRF3 | -12,62 | 18,07 |
| Assaí | ASAI3 | -12,31 | 8,19 |
| Cosan | CSAN3 | -11,13 | 5,59 |
| Vale | VALE3 | -10,86 | 78,86 |
| Localiza | RENT4 | -10,55 | 43,66 |
| Yduqs | YDUQ3 | -10,55 | 11,87 |
No campo negativo, o setor de mineração e proteínas sofreu com a revisão do crescimento da China. Danilo Coelho observa que a menor demanda histórica chinesa impacta diretamente o consumo de carne e minério de ferro, prejudicando gigantes como Vale (-10,86%) e as siderúrgicas como a CSN.
O analista Fernando Bresciani, do Andbank, ressalta que a Minerva (BEEF3) e a Marfrig (MRFB3) também foram afetadas pelo receio de que o conflito geopolítico prejudique as exportações para o Oriente Médio. No caso da Embraer, o lucro mais fraco que o esperado pesou sobre o papel, apesar do guidance positivo.
Já a Cosan (CSAN3) recuou 11,13% sob o peso de discussões societárias. Hugo Queiroz menciona que os rumores sobre uma possível recuperação judicial na Raízen aumentaram a percepção de risco e as discussões sobre o endividamento do grupo, afetando a confiança na estrutura de capital da holding.
Para as próximas semanas, a tendência é de manutenção da volatilidade enquanto não houver sinais de calmaria no exterior. Gabriel Uarian, da Cultura Capital, acredita que o Ibovespa dependerá totalmente dos desdobramentos no Oriente Médio para buscar uma recuperação técnica após a perda de 10 mil pontos.
Rodolpho Sartori alerta que o dólar deve seguir valorizado em relação ao patamar de duas semanas atrás. Ele reforça a importância de monitorar como a guerra afetará os preços internos da Petrobras, pois, embora a política de preços tenha mudado, a duração do conflito pode tornar os repasses de custo inevitáveis.
André Matos conclui que, enquanto o custo de capital permanecer elevado, o investidor continuará penalizando teses de crescimento longo. O foco do mercado deve seguir em ativos com fluxo visível, mantendo a pressão sobre o varejo e setores sensíveis aos juros até que o cenário inflacionário global dê sinais de trégua.
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