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Warren Buffett completa 96 anos; ‘Oráculo de Omaha’ segue atento ao mercado após deixar comando da Berkshire Hathaway

Publicado 30/08/2026 • 12:18 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Warren Buffett completa 96 anos neste domingo (30) em um momento de mudança em sua trajetória.
  • Investidor deixou o cargo de CEO da Berkshire Hathaway no fim de 2025 após seis décadas à frente do conglomerado.
  • Greg Abel assumiu a principal função executiva do grupo no início de 2026.

Warren Buffett completa 96 anos neste domingo (30) em um momento de mudança em sua trajetória profissional. O investidor deixou o cargo de CEO da Berkshire Hathaway no fim de 2025, depois de seis décadas à frente do conglomerado, mas continua participando das decisões da companhia como presidente do conselho.

Nascido em 30 de agosto de 1930, em Omaha, no estado de Nebraska, Buffett construiu sua carreira com uma estratégia baseada principalmente na compra de participações em empresas que considera capazes de gerar resultados de forma consistente no longo prazo. Ao longo das décadas, a Berkshire reuniu investimentos em companhias como Apple, American Express e Coca-Cola.

Saída do comando após seis décadas

Buffett encerrou sua passagem como CEO da Berkshire Hathaway no fim de dezembro de 2025. Greg Abel, que já era apontado havia anos como seu sucessor, assumiu a principal função executiva do grupo no início de 2026.

A mudança não significou, porém, o afastamento definitivo de Buffett da empresa. Ele permaneceu como presidente do conselho e continuou envolvido na análise de investimentos e de possíveis aquisições, embora Abel tenha passado a ter a palavra final sobre as decisões executivas.

A transição encerrou uma etapa iniciada nos anos 1960. Sob o comando de Buffett, a Berkshire deixou de ser uma companhia ligada ao setor têxtil e tornou-se um conglomerado com negócios e investimentos em diferentes segmentos. Entre 1965 e 2025, as ações da companhia acumularam valorização de aproximadamente 6,1 milhões%, segundo dados apresentados no relatório anual da própria Berkshire. No mesmo intervalo, o S&P 500, considerados os dividendos, avançou cerca de 46.100%.

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Em entrevista à CNBC em março, Buffett falou sobre a rotina após deixar o cargo

A dimensão prática da sucessão ficou mais clara em março, quando Buffett concedeu uma entrevista à CNBC. Na ocasião, afirmou que sua rotina havia mudado pouco desde a saída da função de CEO.

Mesmo sem comandar as operações da Berkshire, ele continuava frequentando a sede da companhia, no centro de Omaha, cinco dias por semana. Também permanecia analisando ações e recebendo contatos relacionados a potenciais aquisições.

A principal diferença estava na divisão de responsabilidades. Com Greg Abel no comando executivo, Buffett passou a atuar sem a autoridade final que exerceu durante décadas.

Na mesma entrevista, o investidor comentou a dificuldade de encontrar oportunidades que justificassem o uso do grande volume de recursos disponíveis na Berkshire. Segundo ele, a preferência continuava sendo direcionar capital para empresas consideradas atraentes, em vez de manter uma parcela tão elevada dos recursos em caixa.

Alphabet ganha espaço na carteira

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Outra mudança relevante foi a entrada da Berkshire na Alphabet, controladora do Google. Buffett afirmou à CNBC que tomou a decisão de investir na companhia no ano anterior.

A posição cresceu rapidamente e alcançou quase US$ 38 bilhões ao fim de junho, tornando a Alphabet a terceira maior participação da carteira de ações da Berkshire, atrás de Apple e American Express.

O movimento chama atenção também pelo histórico de Buffett. Durante boa parte da carreira, ele manteve distância de empresas de tecnologia, argumentando que preferia concentrar seus investimentos em negócios cujos resultados de longo prazo fossem mais fáceis de avaliar.

Essa postura começou a mudar de maneira mais evidente com a entrada da Berkshire na Apple, em 2016. No caso da fabricante do iPhone, Buffett passou a destacar características como força da marca e comportamento dos consumidores para justificar o investimento.

Cautela diante dos preços no mercado

Mesmo com a entrada em uma nova empresa de tecnologia, Buffett manteve uma postura seletiva em relação ao mercado. Durante a reunião anual de acionistas da Berkshire, em maio, afirmou que o ambiente favorecia comportamentos especulativos e que as condições não eram ideais para aplicar grandes volumes de dinheiro.

A consequência dessa avaliação foi a manutenção de uma elevada reserva financeira na Berkshire. Buffett indicou que estaria disposto a realizar uma operação de dezenas de bilhões de dólares caso encontrasse uma empresa com características e preço considerados adequados.

A cautela está relacionada a um dos princípios que orientaram sua estratégia durante a carreira: evitar investimentos apenas pela necessidade de colocar dinheiro em circulação e esperar por condições consideradas mais favoráveis.

Filantropia também entra em nova fase

A transição profissional ocorre paralelamente à reorganização dos planos de Buffett para sua fortuna. O investidor, que há anos afirma que pretende destinar praticamente todo seu patrimônio a causas filantrópicas, decidiu acelerar as doações.

A intenção é permitir que seus filhos tenham participação direta na distribuição desses recursos. Buffett também é um dos responsáveis, ao lado de Bill Gates, pela criação do Giving Pledge, iniciativa que estimula pessoas muito ricas a comprometer a maior parte de seus patrimônios com a filantropia.

Em uma mensagem divulgada no período do feriado de Ação de Graças, Buffett também refletiu sobre a própria trajetória, a relação com Omaha e as pessoas que participaram de sua vida. Além dos investimentos, abordou temas como escolhas profissionais, responsabilidade pessoal e a importância de reconhecer e corrigir erros.

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