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O que é crédito privado? Entenda como empresas podem usar esse financiamento
Publicado 18/08/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 18/08/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Unsplash
O que é crédito privado? Entenda como empresas podem usar esse financiamento
O crédito privado aparece como uma alternativa para financiar projetos de expansão, modernização e inovação sem concentrar todo o desembolso no caixa da companhia.
Empresas brasileiras entram em 2026 diante do desafio de manter investimentos mesmo com juros elevados, receitas pressionadas e maior cautela na tomada de crédito.
A modalidade ganha espaço principalmente entre empresas que precisam de prazos, garantias e condições diferentes das oferecidas pelas linhas bancárias tradicionais.
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De acordo com o Banco Central, o crédito privado é o financiamento concedido a empresas com recursos captados no mercado de capitais ou por estruturas financeiras que não dependem exclusivamente do balanço de um banco. A operação pode envolver instrumentos como títulos de dívida, fundos e securitização de recebíveis.
A principal diferença em relação ao crédito bancário tradicional está na origem dos recursos e na forma como o risco é distribuído. No modelo bancário, o próprio banco utiliza seu balanço para conceder o crédito e assume diretamente o risco da operação.
No crédito privado, os recursos podem vir de investidores que participam da operação por meio de diferentes estruturas. Isso permite criar financiamentos com condições mais próximas das necessidades de cada empresa.
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Na prática, uma companhia pode buscar esse tipo de crédito para ampliar uma fábrica, comprar equipamentos, investir em tecnologia ou financiar uma expansão. O objetivo é evitar que um projeto de longo prazo consuma uma parcela excessiva do caixa disponível no curto prazo.
A necessidade de alternativas de financiamento aparece em um momento de maior cautela na indústria brasileira. Em 2025, 72% das empresas industriais realizaram investimentos. Para 2026, porém, apenas 56% pretendem manter novos aportes, enquanto quase um quarto das companhias não prevê investimentos.
A forma como esses projetos foram pagos ajuda a explicar o cenário. Segundo o Volnei Eyng, fundador e CEO da Multiplike, 62% dos investimentos realizados em 2025 foram financiados com recursos próprios.
O movimento preserva o controle sobre a dívida, mas também reduz a liquidez das empresas. Em um ambiente de incerteza econômica, utilizar o caixa para projetos que só devem gerar retorno no médio ou longo prazo pode limitar a capacidade de enfrentar uma piora nas condições de mercado.
Entre os principais obstáculos ao investimento estão as incertezas econômicas, apontadas por 63% das empresas. A queda das receitas aparece em seguida, mencionada por 51% dos entrevistados.
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A utilização depende do objetivo do financiamento e da capacidade de pagamento da companhia. Uma indústria que pretende comprar novas máquinas, por exemplo, pode estruturar uma dívida com prazo compatível com o período necessário para que o aumento da produção gere receita. O mesmo princípio pode ser aplicado a projetos de expansão, modernização ou inovação.
O crédito também pode ser usado para reorganizar o perfil da dívida. Uma empresa pode buscar recursos com prazo maior para reduzir a pressão de pagamentos concentrados no curto prazo.
Outro ponto importante é a possibilidade de estruturar garantias e cronogramas de pagamento de acordo com o fluxo de caixa esperado. Isso diferencia algumas operações privadas das linhas mais padronizadas oferecidas pelo sistema bancário.
“O crédito privado permite estruturar operações de acordo com a realidade de cada empresa, principalmente quando o financiamento tradicional não atende às necessidades de prazo, carência ou garantias. O ponto principal é fazer com que a dívida acompanhe o período de geração de caixa do projeto”, afirma Eyng.
A contratação de crédito não melhora automaticamente a situação financeira de uma empresa. O resultado depende de como os recursos são utilizados e de quanto o projeto será capaz de gerar de caixa.
Uma dívida de longo prazo destinada a um investimento produtivo pode acompanhar o período de maturação do projeto. Já o uso recorrente de crédito para cobrir despesas correntes pode aumentar a pressão financeira sem criar uma fonte adicional de receita.
A relação entre prazo da dívida e geração de caixa é, portanto, um dos principais pontos de atenção.
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“O ponto central é casar o prazo da dívida com o horizonte de geração de caixa que vai pagar essa dívida. Quando o recurso financia um investimento que gera retorno, a alavancagem pode fortalecer a empresa. O problema aparece quando uma dívida longa é usada para resolver um descasamento de curto prazo”, afirma Volnei Eyng.
Apesar da existência de alternativas no mercado, os dados indicam que a indústria ainda depende fortemente do capital próprio. Dos investimentos realizados em 2025, 9% foram financiados por bancos privados e 5% por bancos de desenvolvimento. A participação do mercado de capitais foi residual.
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Siga o Times | CNBCO cenário chama atenção porque boa parte dos investimentos industriais exige tempo para produzir retorno. Projetos de inovação e aquisição de máquinas podem demandar recursos antes de começar a gerar aumento de receita ou produtividade.
Nesse contexto, diversificar as fontes de financiamento pode reduzir a dependência do caixa próprio e permitir que a empresa mantenha uma reserva financeira para outras necessidades.
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O financiamento bancário tradicional é concedido pelo banco a partir de seu próprio balanço e de recursos captados pela instituição. A análise de risco, as condições e o prazo são definidos de acordo com as características da operação e da instituição financeira.
No crédito privado, a estrutura pode ser montada para conectar a necessidade da empresa aos investidores que fornecem os recursos. A operação pode ter características específicas de prazo, garantias, remuneração e fluxo de pagamentos.
Isso não significa que o crédito privado seja necessariamente mais barato. O custo depende do risco da empresa, das garantias oferecidas, do prazo, das condições do mercado e da estrutura utilizada.
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O mercado envolve instituições e estruturas submetidas à regulamentação e à supervisão dos órgãos responsáveis pelo sistema financeiro e pelo mercado de capitais.
Bancos também podem participar de operações de crédito privado. Por isso, a expressão não define uma categoria específica de instituição financeira. O conceito está relacionado principalmente à fonte dos recursos e à forma como a operação é estruturada.
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As sociedades de crédito, financiamento e investimento, conhecidas como financeiras, são outro tipo de instituição que atua no mercado de crédito. Elas concedem empréstimos e financiamentos para aquisição de bens, serviços e capital de giro e são supervisionadas pelo Banco Central.
As financeiras, porém, não devem ser confundidas com o conceito de crédito privado. Uma instituição financeira pode conceder crédito utilizando diferentes fontes de recursos e participar de operações estruturadas no mercado.
Antes de assumir uma dívida, a empresa precisa verificar se o fluxo de caixa será suficiente para cumprir os pagamentos durante todo o contrato.
Também é necessário avaliar o custo total da operação, as garantias exigidas, o prazo, o período de carência e as condições para amortização.
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Outro cuidado é evitar que o financiamento seja dimensionado apenas pelo valor necessário para iniciar um projeto. O planejamento precisa considerar possíveis atrasos na execução, aumento de custos e um período maior até que o investimento comece a gerar retorno.
Em 2025, apenas 36% das empresas industriais conseguiram executar seus projetos exatamente como planejado. Outras 29% realizaram as iniciativas parcialmente, enquanto parte das companhias precisou adiar ou cancelar investimentos.
Os números mostram que o planejamento financeiro precisa considerar também cenários em que o projeto demora mais para produzir resultados.
A principal vantagem de estruturar corretamente uma operação de crédito privado não está simplesmente em obter dinheiro para investir. O objetivo é distribuir o custo do projeto ao longo do período em que ele deverá gerar retorno.
Para uma empresa, manter parte do caixa disponível pode ser importante para enfrentar oscilações de receita, despesas inesperadas e mudanças no cenário econômico.
A decisão de recorrer ao crédito, portanto, precisa considerar o equilíbrio entre crescimento e endividamento.
“O problema não está em tomar crédito, mas em assumir uma dívida que não esteja alinhada à capacidade de geração de caixa. A estrutura da operação é o que determina se a alavancagem vai contribuir para o crescimento ou aumentar a pressão financeira”, afirma Eyng.
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Quando o crédito privado é utilizado para financiar investimentos capazes de aumentar a capacidade produtiva ou a geração de receita, a dívida pode fazer parte de uma estratégia de expansão. Quando o crédito apenas adia um problema de caixa, o efeito pode ser diferente.
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