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Após meses de tensão, EUA e Canadá retomam diálogo por acordo comercial

Publicado 01/11/2026 • 19:31 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Primeiro-ministro canadense afirmou que equipes dos dois países trabalharão nas próximas semanas para tentar fechar um acordo.
  • Trump disse neste domingo que Estados Unidos e Canadá já têm o “conceito” de um novo pacto comercial.
  • Negociações ocorrem após meses de tarifas e retaliações entre Washington e Ottawa.
Donald Trump em encontro com primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney

Donald Trump em encontro com primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney

Mark Schiefelbein/Associated Press/Estadão Conteúdo

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou neste domingo (1º) que teve uma conversa positiva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o futuro das relações comerciais entre os dois países.

Segundo Carney, as equipes de Washington e Ottawa trabalharão nas próximas semanas para tentar transformar as discussões em um acordo comercial.

O premiê canadense disse que a conversa deu continuidade às negociações recentes sobre os termos de um pacto que, segundo ele, deve favorecer a criação de empregos e reduzir custos para as famílias, sem comprometer a soberania, a cultura e as línguas oficiais do Canadá.

“Nossas equipes trabalharão nas próximas semanas para alcançar esse resultado”, afirmou Carney em uma publicação nas redes sociais.

Trump também sinalizou avanço nas conversas neste domingo. Ao falar com jornalistas, o presidente americano afirmou que os dois governos já têm o “conceito de um acordo”, mas não apresentou detalhes sobre os termos em discussão.

Leia também: Banco do Canadá avalia impacto das tarifas de Trump antes de decidir sobre juros

Segundo Trump, o entendimento seria positivo para os agricultores e para a economia dos Estados Unidos.

Negociações foram interrompidas em agosto

A mudança de tom ocorre depois de meses de tensão entre os dois principais parceiros comerciais. As negociações chegaram a ser interrompidas em agosto, depois que o Canadá rejeitou condições apresentadas pelos Estados Unidos. Naquele momento, o governo canadense argumentou que as exigências americanas poderiam atingir setores estratégicos e aspectos da soberania do país.

Em seguida, entraram em vigor tarifas americanas de 50% sobre diferentes produtos canadenses.

O Canadá respondeu anunciando tarifas de 15%, 25% e 50% sobre uma série de mercadorias americanas, incluindo produtos dos setores de aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e eletrônicos. As medidas entraram em vigor em setembro.

Depois, Washington ampliou a reação, impondo restrições a alguns produtos canadenses e alterando o alcance das tarifas já existentes.

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EUA alteraram tarifas em outubro

Em 23 de outubro, Trump voltou a modificar a lista de mercadorias canadenses atingidas pelas medidas.

O governo americano retirou alguns produtos do alcance das tarifas adicionais, entre eles determinados tipos de madeira compensada, papel, máquinas e equipamentos de refrigeração.

Ao mesmo tempo, acrescentou outros itens, como válvulas, carpetes e determinados resíduos. As mudanças passaram a valer em 30 de outubro.

A Casa Branca afirmou que a revisão buscava ajustar o impacto das medidas sobre o comércio americano, mas manteve a pressão sobre o Canadá.

Leia também: EUA suspendem algumas das tarifas aplicadas contra o Canadá

As tarifas aplicadas no âmbito dessa disputa também se somam, em alguns casos, a outras barreiras comerciais já impostas pelos Estados Unidos.

Aço e automóveis estão entre as conversas

Entre os principais temas discutidos pelos dois governos está uma possível redução das tarifas americanas sobre aço e automóveis canadenses. Até agora, porém, nenhum detalhamento de um eventual acordo foi anunciado.

A retomada do diálogo ocorre a dois dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3). A disputa comercial com o Canadá ganhou peso principalmente em estados próximos à fronteira, onde empresas e produtores foram atingidos pelas tarifas e pelas medidas de retaliação.

Apesar do tom mais positivo adotado por Carney e Trump neste domingo, ainda não há prazo oficial para a conclusão do acordo nem detalhes sobre quais tarifas poderão ser retiradas.

Por enquanto, os dois governos indicam que as negociações continuarão nas próximas semanas.

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