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Bessent defende intervenção no iene e alerta para riscos aos juros e mercados globais
Publicado 29/08/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 29/08/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 horas
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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, voltou a defender a decisão de Washington de intervir no mercado de câmbio japonês e afirmou que movimentos extremos do iene podem provocar efeitos além do Japão, inclusive pressionando as taxas de juros nos Estados Unidos.
Em uma carta enviada em resposta a senadora democrata Elizabeth Warren que questionava por uma explicação sobre a intervenção cambial conjunta de Washington e Tóquio no mês passado, Bessent explicou que a atuação conjunta de Estados Unidos e Japão teve como objetivo evitar uma deterioração desordenada dos mercados financeiros.
Segundo o secretário, o Japão possui uma grande quantidade de títulos do Tesouro americano, os chamados Treasuries. Uma forte turbulência no mercado de câmbio japonês poderia levar investidores a realizar vendas compulsórias de ativos, criando um efeito de contágio capaz de atingir os mercados internacionais. Bessent argumentou que uma eventual desorganização desses mercados poderia, em última instância, elevar os custos de financiamento para famílias e empresas americanas.
Na carta, datada de 27 de agosto e publicada por Bessent no X no dia seguinte, o secretário também rebateu críticas de Warren sobre a natureza da operação. Ele explicou que o Tesouro americano utilizou recursos do Fundo de Estabilização Cambial (ESF), trocando ativos denominados em moeda estrangeira por ienes. De acordo com Bessent, portanto, a operação representou uma transação de moeda, e não um empréstimo ao Japão.
O secretário afirmou ainda que o Japão não possui uma dívida com o Tesouro americano relacionada à operação e, por isso, não existe risco de inadimplência por parte de Tóquio.
Em tom crítico, Bessent acusou Warren de ter conhecimento insuficiente sobre o funcionamento do mercado de câmbio e afirmou que integrantes do grupo político da senadora também não teriam identificado o que classificou como um erro básico na interpretação da operação.
A defesa de Bessent ocorre enquanto o iene novamente perde força diante do dólar. A moeda japonesa havia alcançado, no mês passado, uma cotação próxima de 164 ienes por dólar, o menor nível em 40 anos. Após a intervenção conjunta, o iene chegou a se valorizar para aproximadamente 155,20 por dólar, mas posteriormente voltou a recuar em direção ao patamar de 160 ienes por dólar.
Na sexta-feira, o iene chegou a ficar brevemente abaixo de 160 por dólar. Esse nível é acompanhado de perto pelos investidores porque uma cotação acima dele é considerada um possível fator para aumentar a probabilidade de novas intervenções das autoridades japonesas.
A movimentação ocorreu em meio à mudança das expectativas sobre os juros americanos, após declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que reacenderam as apostas de que as taxas nos Estados Unidos poderiam subir no curto prazo.
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Estados Unidos e Japão realizaram uma rara operação conjunta de compra de ienes em 31 de julho. A iniciativa representou um sinal de que os dois governos estavam dispostos a agir para impedir que uma forte queda da moeda japonesa e uma possível liquidação de títulos do governo japonês se espalhassem para outros mercados.
Para Bessent, a intervenção foi necessária para conter um risco potencialmente maior antes que ele se transformasse em uma crise financeira internacional.
O secretário citou como exemplo a atuação do Tesouro americano na Argentina. Segundo ele, o governo utilizou o Fundo de Estabilização Cambial em um período de forte falta de liquidez para ajudar a estabilizar o país e evitar que as dificuldades financeiras assumissem proporções regionais.
“O melhor gerenciamento de uma crise é impedir que ela aconteça”, argumentou Bessent ao justificar a atuação no mercado japonês.
O Fundo de Estabilização Cambial (ESF) é uma reserva emergencial administrada pelo Tesouro dos Estados Unidos e destinada a operações relacionadas à estabilidade dos mercados cambiais e financeiros.
O mecanismo já havia sido utilizado pelo governo americano no ano passado para apoiar o mercado do peso argentino. Na ocasião, o Tesouro também estabeleceu uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões com o objetivo de contribuir para a estabilização da moeda argentina.
Bessent afirmou que a legislação americana dá ao secretário do Tesouro, mediante aprovação presidencial, autoridade para atuar no mercado de câmbio quando necessário para apoiar condições ordenadas. Ao concluir sua resposta a Warren, o secretário defendeu que a fiscalização das decisões do governo seja baseada em fatos e voltou a criticar a interpretação da senadora sobre a operação realizada com o Japão.
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