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Ciberataques disparam falsos alertas de emergência e novos bombardeios marcam fim da trégua mais longa entre Rússia e Ucrânia

Publicado 02/11/2026 • 11:30 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Aplicativos de emergência exibiram avisos falsos sobre ataques nucleares, ameaça química e confrontos em Kiev.
  • Um grupo pró-Rússia reivindicou o ataque ao sistema ucraniano; a invasão do aplicativo russo continua sem autoria conhecida.
  • A Rússia retomou os ataques em Kherson após o fim do cessar-fogo que permitiu uma missão humanitária em Oleshky.
Celular exibe notificações do aplicativo de emergência Air Alert em Kiev

Roman Pilipey/AFP

Celular exibe notificações do aplicativo de emergência Air Alert, em Kiev, nesta segunda-feira (2). O sistema foi invadido após enviar falsos avisos de ataque nuclear, ameaça química e confrontos na capital ucraniana.

Rússia e Ucrânia tiveram seus sistemas de emergência invadidos por hackers após o fim da trégua local mais longa desde o início da guerra. Os aplicativos exibiram alertas falsos sobre ataques nucleares, ameaças químicas e confrontos nas ruas.

No mesmo período, a Rússia retomou os ataques contra Kherson, no sul da Ucrânia. Drones atingiram uma unidade médica e um automóvel, deixando duas pessoas feridas.

A trégua esteve em vigor de 27 de outubro a 1º de novembro e permitiu uma missão humanitária em Oleshky, cidade ocupada pela Rússia. Centenas de moradores conseguiram deixar o local, onde havia escassez de alimentos, água e medicamentos.

Leia também: Moradores de Oleshky chegam a Belarus a caminho da Ucrânia durante trégua temporária em Kherson

Alertas falsos

Milhões de pessoas na Ucrânia receberam notificações falsas na noite de domingo (1º). As mensagens alertavam sobre um suposto ataque nuclear, uma ameaça química e confrontos nas ruas de Kiev.

A Força Aérea ucraniana informou que o aplicativo Alerta Aéreo sofreu uma interferência hostil. O sistema é usado para avisar a população sobre a aproximação de drones e mísseis russos.

O aplicativo tem mais de 46 milhões de downloads e 6,7 milhões de usuários diários. Ele utiliza dados da Força Aérea para enviar notificações ao mesmo tempo em que sirenes são acionadas em diferentes regiões do país.

Os desenvolvedores suspenderam temporariamente os avisos e informaram depois que o serviço havia sido restabelecido. Outros sistemas de alerta e aplicativos do governo ucraniano não foram afetados.

Horas depois, o Ministério de Situações de Emergência da Rússia informou que seu próprio aplicativo havia sofrido um ataque cibernético em larga escala. Segundo a pasta, os invasores conseguiram enviar informações falsas à população.

Contas regionais ligadas ao ministério também divulgaram avisos falsos. Em Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, uma mensagem afirmava que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões russas e orientava os moradores a estocar alimentos para três semanas.

O aplicativo russo é menos usado do que o sistema ucraniano. Fora das regiões próximas à fronteira, a Rússia não costuma enviar avisos sobre possíveis ataques da Ucrânia.

Grupo reivindica ataque

Um grupo pró-Rússia chamado Hitcore reivindicou a autoria do ataque contra o sistema ucraniano. O canal do grupo no Telegram foi criado pouco antes da invasão do aplicativo.

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Uma das mensagens falsas estava em russo e incluía um link para o canal. Em uma publicação dirigida ao serviço de segurança ucraniano, o grupo afirmou que o governo do país estaria perdendo a guerra e pediu que agentes desertassem.

O Centro Ucraniano para Comunicações Estratégicas atribuiu o ataque à Rússia. A autoria, porém, não foi confirmada de forma independente.

Ninguém reivindicou a invasão do aplicativo russo. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as ameaças cibernéticas estão crescendo com o avanço da inteligência artificial, mas não apontou possíveis responsáveis.

Os sistemas dos dois países já voltaram a funcionar.

Rússia retoma ataques

O chefe da administração municipal de Kherson, Yaroslav Shanko, afirmou que um drone russo atingiu uma unidade médica no centro da cidade nesta segunda-feira (2).

Outro drone atingiu um automóvel nos arredores de Kherson. Uma mulher de 62 anos e um homem de 73 ficaram feridos, segundo as autoridades municipais.

Kiev propôs prolongar a trégua, mas Moscou rejeitou a oferta, segundo uma fonte da Presidência ucraniana. O governo e o Exército da Ucrânia haviam alertado que os ataques poderiam ser intensificados após o fim do cessar-fogo.

As forças ucranianas também acusaram a Rússia de usar a pausa para reforçar posições, deslocar munição e coletar informações por meio de drones.

O Kremlin não negou a movimentação. Peskov classificou o reforço das posições como uma prática normal e afirmou que as tropas ucranianas também teriam usado pausas anteriores para se reorganizar.

Missão em Oleshky

A trégua foi intermediada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A pausa permitiu a entrega de ajuda e a retirada voluntária de moradores para áreas controladas pela Ucrânia ou para a Crimeia, anexada pela Rússia.

A operação foi supervisionada pelos responsáveis por direitos humanos dos dois países, Yana Lantratova e Dmytro Lubinets. Os dois visitaram Oleshky para coordenar a entrega de ajuda e a saída dos civis.

Apesar do resultado da missão, o Kremlin informou que não há novas operações semelhantes planejadas. As negociações entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos, devem ser retomadas ainda em novembro.

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