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Bitcoin ainda é o ‘ouro digital’?
Por Nathalia Gimenes
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Publicado 11/06/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Canva
Instalada a mais de 10 quilômetros da costa de Xangai, a estrutura foi criada para reduzir o elevado consumo de energia
A China colocou em operação, em maio deste ano, o primeiro centro de dados subaquático do mundo alimentado por energia eólica offshore.
Instalada a mais de 10 quilômetros da costa de Xangai, a estrutura foi criada para reduzir o elevado consumo de energia e água exigido pela expansão acelerada da inteligência artificial, considerada uma prioridade estratégica para o país.
O avanço da inteligência artificial vem impulsionando a construção de centros de dados em diversos países, segundo o The Guardian.
Essas instalações abrigam milhares de servidores responsáveis pelo processamento e armazenamento de informações, mas exigem grandes quantidades de eletricidade para funcionar e permanecer resfriadas.
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Na China, onde o governo busca ampliar rapidamente sua capacidade tecnológica, a necessidade de energia para sustentar a nova geração de sistemas de IA se tornou um desafio crescente.
Para enfrentar essa questão, empresas e autoridades passaram a investir em alternativas capazes de tornar a infraestrutura digital mais eficiente.

O novo centro de dados foi instalado a cerca de 10 metros de profundidade e possui capacidade de 24 megawatts. O empreendimento é resultado de uma parceria entre a HiCloud Technology e a estatal China Communications Construction.
A principal inovação está no uso da água do mar para resfriar os equipamentos. Em centros de dados convencionais, uma parcela significativa da energia consumida é destinada aos sistemas de refrigeração.
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Ao aproveitar a temperatura naturalmente mais baixa do ambiente submarino, a instalação reduz a necessidade de equipamentos de resfriamento artificiais.
Segundo dados divulgados pelas autoridades chinesas, o consumo energético pode ser mais de 20% menor em comparação com instalações semelhantes localizadas em terra.
Além da economia de energia, o projeto também busca reduzir a pressão sobre os recursos hídricos.
Centros de dados tradicionais utilizam grandes volumes de água para auxiliar no controle da temperatura dos servidores. Com a estrutura instalada no oceano, a dependência de fontes de água doce diminui consideravelmente.
A questão ganhou relevância nos últimos anos diante das projeções sobre o crescimento da infraestrutura digital. Especialistas alertam que a expansão global dos centros de dados poderá elevar significativamente o consumo de água nas próximas décadas.
Outro diferencial do projeto é a ligação direta com um parque eólico marítimo localizado próximo à região de Lingang, em Xangai.
A energia produzida pelas turbinas abastece a instalação, reduzindo a dependência de fontes fósseis e contribuindo para as metas chinesas de ampliação do uso de energias limpas.
O governo do país já anunciou planos para aumentar significativamente a participação de fontes renováveis no fornecimento destinado à infraestrutura de inteligência artificial até 2030.
A ideia de instalar centros de dados no fundo do mar não é inédita. Em 2018, a Microsoft realizou testes nas águas da Escócia para avaliar a viabilidade da tecnologia.
A diferença é que a China avançou para uma escala comercial. Em 2023, a HiCloud inaugurou um centro de dados subaquático na província de Hainan.
O projeto de Xangai representa um novo passo ao combinar a instalação submarina com o fornecimento de energia eólica offshore. O investimento total foi estimado em ¥ 1,6 bilhão, equivalente a centenas de milhões de dólares.
Embora seja vista como uma alternativa promissora, a tecnologia também levanta questionamentos ambientais.
Estruturas submarinas podem provocar alterações localizadas nos ecossistemas marinhos, seja pelo aquecimento da água ao redor dos equipamentos ou pela movimentação de sedimentos durante a instalação.
Ainda assim, pesquisadores avaliam que esses impactos tendem a ser limitados quando há monitoramento contínuo e planejamento adequado.
O centro de dados de Xangai mostra como a China pretende lidar com um dos principais obstáculos para o avanço da inteligência artificial, que é o enorme consumo de energia e recursos naturais exigido pela tecnologia.
Ao combinar resfriamento natural, energia renovável e infraestrutura submarina, o país busca criar um modelo capaz de sustentar a expansão da IA sem ampliar na mesma proporção os custos energéticos e ambientais.
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A iniciativa também reforça a estratégia da China de liderar o desenvolvimento de tecnologias consideradas essenciais para a economia digital dos próximos anos.
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