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Mercados passam a apostar em Fed mais duro sob comando de Kevin Warsh
Publicado 18/06/2026 • 16:12 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 18/06/2026 • 16:12 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
As declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sobre inflação provocaram forte reação nos mercados financeiros nesta quarta-feira (17), levando investidores a apostar que o banco central americano poderá voltar a elevar os juros em um prazo mais curto do que o esperado.
Indicado pelo presidente Donald Trump, que vinha defendendo cortes nas taxas de juros, Warsh adotou um tom firme em sua primeira coletiva de imprensa à frente da instituição, reforçando o compromisso do Fed com o combate à inflação, que permanece acima da meta oficial de 2% há cinco anos.
“Preços persistentemente elevados são um fardo para o povo americano, mas o passado recente não precisa determinar o futuro”, afirmou. “Tenho satisfação em informar que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto são claros e unânimes. Este comitê entregará estabilidade de preços.”
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A reação foi imediata. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dois anos, considerado um dos principais termômetros das expectativas para a política monetária, disparou durante a fala de Warsh.
Ao mesmo tempo, operadores do mercado futuro passaram a aumentar as apostas em novas altas de juros. A probabilidade de elevação na reunião de 28 e 29 de julho subiu rapidamente para cerca de um terço, enquanto as chances de uma alta em setembro alcançaram 67%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
Os investidores também passaram a precificar uma trajetória mais restritiva para os próximos anos. A probabilidade de uma segunda alta até setembro de 2027 ultrapassou 45%, enquanto a taxa implícita dos Fed Funds para maio de 2031 chegou a 4,78%, sugerindo até cinco aumentos de juros ao longo do período.
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A postura do novo presidente do Fed surpreendeu parte do mercado, que esperava uma abordagem mais favorável ao afrouxamento monetário.
Durante a coletiva, Warsh mencionou o termo “estabilidade de preços” uma dúzia de vezes, reforçando sua prioridade no combate à inflação.
O veterano analista Ed Yardeni, da Yardeni Research, afirmou ter ficado impressionado com o discurso.
“Achávamos que ele era um moderado favorável à redução da taxa básica porque acreditava que a inteligência artificial estava impulsionando a produtividade e o crescimento econômico enquanto ajudava a conter a inflação”, escreveu. “Em vez disso, ele apresentou uma mensagem ortodoxa e rígida sobre inflação, com forte compromisso com a estabilidade de preços.”
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Siga o Times | CNBCA mudança de percepção levou inicialmente a uma queda das bolsas e à alta dos rendimentos dos Treasuries.
O nervosismo, porém, diminuiu na quinta-feira. À medida que investidores absorveram as conclusões da reunião do Fed e passaram a acompanhar os desdobramentos positivos da trégua entre Estados Unidos e Irã, o mercado voltou a ganhar fôlego.
As ações avançaram, enquanto os rendimentos dos títulos ficaram estáveis ou recuaram levemente.
Parte dos analistas avalia que o discurso de Warsh pode ter sido mais duro do que as medidas efetivamente necessárias. Embora os principais indicadores de inflação permaneçam acima da meta do Fed, pressões subjacentes mostram sinais de desaceleração. A inflação subjacente avançou apenas 0,2% em maio.
Leia também: Fed mantém taxa e reacende debate sobre novos aumentos de juros
Para Scott Clemons, estrategista-chefe de investimentos da Brown Brothers Harriman, o Fed provavelmente não alterará os juros este ano.
“Posso estar contrariando o mercado futuro, mas ficaria surpreso se o Fed elevasse os juros este ano”, afirmou. “É um ano eleitoral. O ambiente já está extremamente politizado e existem preocupações sobre politização dentro do próprio Fed.”
Além disso, Warsh já declarou anteriormente que interrupções temporárias na oferta não devem determinar a política monetária. Os custos das commodities acumulam alta de apenas 6% desde o início da guerra, no fim de fevereiro, e já recuaram cerca de 17% em relação ao pico registrado em maio, segundo o índice S&P GSCI.
Leia também: Presidente do Fed endurece discurso e promete conter inflação a 2%
Caso a inflação continue desacelerando, os preços das commodities recuem e a atividade econômica perca força, o banco central poderá voltar a considerar uma postura mais favorável à redução dos juros.
Para Steve Blitz, economista-chefe para os Estados Unidos da TS Lombard, a mensagem de Warsh teve efeitos contraditórios sobre os investidores.
“Para os mercados, a mensagem de Warsh foi ao mesmo tempo tranquilizadora e desconfortável. Foi tranquilizadora ao afirmar que a inflação será combatida sem ambiguidades. Foi desconfortável ao sugerir que os mercados, e não o Fed, terão papel maior na definição das taxas de juros”, escreveu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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