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Guerra eleva custos e ameaça cadeia de dispositivos médicos no Brasil, alerta associação do setor
Publicado 04/05/2026 • 12:49 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/05/2026 • 12:49 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A escalada de custos de matérias-primas e logística, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, já provoca impactos diretos na cadeia de dispositivos médicos e pode avançar até o consumidor final no Brasil. A avaliação é de Larissa Gomes, gerente de projetos e marketing da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), que aponta aumentos expressivos e riscos crescentes para o setor.
Segundo a especialista, os efeitos já são sentidos pelas indústrias. “As nossas indústrias já sinalizaram principalmente o aumento do custo da matéria-prima e também o custo logístico”, disse nesta segunda-feira (4) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. O impacto recai especialmente sobre itens importados. “Componentes eletrônicos, partes e peças, a gente importa muito isso para finalizar os equipamentos aqui no Brasil”, explicou.
Os aumentos registrados são relevantes e, em alguns casos, extremos. “Recebemos uma média de 60% de aumento, mas também casos de 100%”, afirmou. Em determinados segmentos, a alta é ainda maior. “Teve matérias-primas que aumentaram 106%, principalmente derivados do petróleo”, destacou.
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Diante desse cenário, as empresas buscam alternativas para conter os impactos. “A indústria está buscando outros países mais próximos para tentar estabilizar um pouco esse aumento de preços”, pontuou. A dependência da Ásia agrava o problema. “A gente importa muita coisa de lá, o que também se reflete por conta da guerra do Oriente Médio”, acrescentou.
O encarecimento da produção tende a se espalhar por toda a cadeia. “Uma vez que a indústria sofre esse aumento no valor dos equipamentos, isso é repassado ao consumidor final”, ressaltou. Segundo ela, o efeito deve atingir diretamente a população. “A população também vai sofrer com esse aumento de preços a longo prazo”, frisou.
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Siga o Times | CNBCEntre os produtos mais sensíveis estão itens essenciais do dia a dia médico. “Esses produtos derivados do petróleo têm um risco maior, como luvas e seringas”, explicou. Já os equipamentos mais complexos têm impacto diferenciado. “Equipamentos não devem sofrer no curto e médio prazo, isso só acontece se a guerra se prolongar”, ponderou.
Apesar das dificuldades, o setor chega mais preparado do que em crises anteriores. “A pandemia ensinou muito, principalmente o setor da saúde”, lembrou. Ainda assim, ela relativiza o cenário atual. “O que estamos passando agora não é nem de perto o que vivemos na pandemia”, afirmou.
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Segundo Gomes, os aprendizados ajudam a mitigar efeitos. “A gente traz os ensinamentos da pandemia para essas crises menores”, destacou.
Em paralelo, o acordo entre Mercosul e União Europeia pode aliviar parte das pressões no longo prazo. “Ele abre oportunidades, principalmente para importar equipamentos de alta tecnologia”, disse. A redução de tarifas tende a favorecer o setor, segundo ela. “Vai ajudar a trazer equipamentos como ressonância e PET Scan para o mercado interno”, concluiu.
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