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Conflito no Oriente Médio

Irã acusa EUA de romper acordo de paz após nova troca de ataques no Golfo

Publicado 27/06/2026 • 08:08 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Irã afirmou que os Estados Unidos violaram o acordo de paz ao atingir alvos em seu território, enquanto Washington diz ter reagido a ataques iranianos contra a navegação comercial.
  • Estados Unidos e Irã trocaram ameaças após ofensivas militares, e o episódio ampliou as dúvidas sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
  • Israel, Líbano e Estados Unidos anunciaram um acordo para avançar rumo à paz na fronteira, enquanto a AIEA cobrou mecanismos rigorosos para monitorar o programa nuclear iraniano.

O Irã acusou neste sábado (27) os Estados Unidos de descumprirem o acordo firmado para encerrar a guerra no Oriente Médio, após bombardeios americanos contra instalações iranianas e uma resposta militar de Teerã com ataques a alvos dos EUA no Golfo. A nova escalada ocorre dias depois de Washington atribuir ao Irã um ataque contra um navio de carga no Estreito de Ormuz.

A troca de ataques aumentou as incertezas sobre os esforços para manter aberta a principal rota marítima da região enquanto as duas partes negociam um acordo mais amplo e definitivo.

Ataques e acusações

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que os bombardeios atingiram depósitos de mísseis e drones e posições de radares costeiros iranianos. Segundo os militares americanos, a operação foi uma resposta à “agressão injustificada contra embarcações comerciais” promovida por forças iranianas, que, na avaliação de Washington, violou claramente o cessar-fogo.

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O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou os ataques e afirmou que as ofensivas contra instalações de vigilância costeira representam uma “violação flagrante” do memorando de entendimento firmado para encerrar a guerra.

A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter retaliado com ataques contra posições americanas na região do Golfo e advertiu que, caso ocorram novas ações militares dos EUA, a resposta iraniana será “mais ampla“.

O Bahrein informou que foi alvo de diversos drones iranianos na madrugada deste sábado, classificando a ação como uma tentativa de sabotar os esforços de paz.

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A televisão estatal iraniana informou que uma explosão foi registrada na noite de sexta-feira em um píer da cidade portuária de Sirik. Segundo uma fonte militar citada pela emissora, o incidente foi provocado pelo impacto de um projétil. Posteriormente, a agência Mehr afirmou que o porto segue operando normalmente e que não houve danos às instalações.

O CENTCOM reiterou que a operação americana foi uma “resposta contundente” ao ataque registrado na véspera contra um navio comercial que transitava pelo Estreito de Ormuz.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o suposto ataque iraniano com drones à embarcação como uma “violação imprudente” do acordo de cessar-fogo. Já o vice-presidente JD Vance afirmou, em publicação na rede X, que “violência será respondida com violência” caso o Irã realize novos ataques.

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O Irã também advertiu embarcações para que não entrem nem deixem o Golfo pelo Estreito de Ormuz sem autorização, embora navios continuem utilizando a rota, parte deles por trajetos não autorizados por Teerã.

Apesar da nova escalada militar, os preços do petróleo recuaram diante da expectativa de continuidade da recuperação do tráfego pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde normalmente circula cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás.

Acordo no Líbano

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Israel e Líbano comemoraram um acordo firmado na sexta-feira com os Estados Unidos para abrir caminho a uma solução pacífica na fronteira entre os dois países, embora o Hezbollah, apoiado pelo Irã, tenha criticado a iniciativa.

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O entendimento, resultado de cinco rodadas de negociações em Washington, prevê um projeto-piloto para que soldados libaneses assumam o controle de duas áreas ocupadas por Israel, além da criação de um processo voltado ao desarmamento do Hezbollah.

Durante a cerimônia de assinatura em Washington, o secretário de Estado Marco Rubio, ao lado de representantes de Israel e do Líbano, afirmou que o acordo estabelece uma estrutura para uma paz e segurança duradouras.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, descreveu o entendimento como uma vitória contra o Irã e afirmou que o Exército libanês poderá retornar a duas áreas-piloto no sul do país, enquanto as forças israelenses permanecerão na zona de segurança até que o Hezbollah seja desarmado. Segundo ele, os civis deslocados ainda não poderão retornar.

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O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou o acordo, cujo conteúdo não foi divulgado, como um “primeiro passo” para permitir o retorno da população sob a soberania do Estado libanês.

Mesmo assim, apoiadores do Hezbollah protestaram nas ruas de Beirute na noite de sexta-feira contra o acordo.

Garantias nucleares

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) alertou que um acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã dependerá de mecanismos rigorosos de verificação para impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear.

O programa nuclear iraniano continua sendo um dos principais pontos de divergência entre os dois países, que apresentam versões diferentes sobre o eventual retorno de inspetores internacionais às instalações nucleares iranianas.

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O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que o governo iraniano declarou não ter intenção de produzir armas nucleares, mas ressaltou que apenas essa declaração não é suficiente e que será necessário um sistema de verificação robusto assim que possível.

O acordo provisório estabelece que o estoque iraniano de urânio enriquecido deverá ser reduzido sob supervisão da AIEA.

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