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Ataque dos EUA ao Irã reacende risco de pressão no petróleo, inflação e juros
Publicado 26/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 1 hora
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KEY POINTS
O ataque dos Estados Unidos ao Irã deve continuar repercutindo nos mercados na segunda-feira (29), com impacto principalmente sobre petróleo, empresas de commodities e expectativas de juros. A avaliação é de Beatriz Aguilar, analista de investimentos, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
O petróleo reagiu imediatamente à notícia. A commodity chegou a cair mais de 3% ao longo do dia, mas reduziu a queda após a confirmação do ataque americano.
“O mercado está digerindo isso. A gente já está vendo imediatamente na cotação do petróleo, que está caindo, mas caindo menos do que estava antes”, afirmou.
Beatriz disse que ainda há dúvidas sobre a possibilidade de escalada do conflito. Segundo ela, parte do mercado esperava que os Estados Unidos não respondessem ao ataque anterior do Irã, mas a reação americana mudou a percepção de risco.
“Acho que foi algo que muitos não esperavam”, disse.
Leia também: Petróleo fecha em queda apesar de tensões no Oriente Médio
A analista afirmou que empresas ligadas a commodities podem ser diretamente afetadas pelo movimento do petróleo. Na sessão mais recente, segundo ela, papéis de companhias como Petrobras e PetroRio recuaram em meio à queda da commodity.
Se o petróleo mantiver a tendência de queda, essas ações podem continuar pressionadas. Mas, caso a tensão no Oriente Médio leve a uma alta da commodity, empresas do setor podem voltar a subir.
“Se essa queda zerar e virar para uma alta do petróleo na segunda-feira por conta desse conflito, provavelmente essas empresas ligadas a commodities voltam a subir”, afirmou.
Beatriz disse que o impacto também pode chegar à inflação. Petróleo e combustíveis entram na formação de preços de vários produtos e serviços, o que pode dificultar o processo de corte de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
Nos Estados Unidos, Beatriz afirmou que o mercado já vinha em um movimento de mau humor, especialmente por causa das empresas de tecnologia.
Segundo ela, o setor sofreu com a combinação de valuations elevados, adiamento do IPO da OpenAI e anúncio de aumento de preços de produtos da Apple.
“O mercado como um todo olhou para esse setor de tecnologia e não gostou do que estava vendo”, disse.
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Siga o Times | CNBCA analista afirmou que houve realização em ações de tecnologia, que têm peso relevante nos índices americanos. Em contrapartida, setores como saúde registraram alta, em um possível movimento de rotação.
Se o conflito entre Estados Unidos e Irã escalar, o mercado americano pode continuar pressionado, não apenas pela tecnologia, mas também pelo risco de inflação mais persistente.
Beatriz também afirmou que a curva de juros no Brasil tende a seguir elevada no segundo semestre, em meio à combinação de inflação, cenário externo e incerteza eleitoral.
Segundo ela, períodos eleitorais costumam trazer mais volatilidade para bolsa e juros. Esse movimento pode ser intensificado por dúvidas sobre a condução da política monetária e pelo impacto de choques externos.
“Todo ano eleitoral, geralmente no segundo semestre, nós temos uma volatilidade maior, não somente em bolsa de valores, mas também nas curvas de juros”, afirmou.
A analista disse que o mercado inicialmente não gostou da comunicação recente do Banco Central, por enxergar contradição entre o reconhecimento de riscos inflacionários e a decisão de cortar juros. Depois, segundo ela, novos relatórios ajudaram a esclarecer melhor a posição da autoridade monetária.
Para Beatriz, o Banco Central deve manter os juros na próxima reunião e observar os efeitos da taxa restritiva sobre a inflação. A possibilidade de mais um corte ainda existe, mas depende do cenário.
Leia também: Inflação global deve continuar pressionada mesmo com queda do petróleo
A analista afirmou que as projeções para a Selic mudaram bastante desde o início do ano. Antes, havia expectativa de taxa entre 12% e 12,5%. Agora, segundo ela, esse cenário ficou para trás.
“Talvez em 2026 a gente tenha uma taxa de juros na casa de 14%”, afirmou.
Em um cenário mais otimista, Beatriz disse que a Selic poderia chegar a 13,75%. Mas, diante das incertezas, ela vê pouca chance de retorno às projeções mais baixas feitas anteriormente.
“Aquele cenário de 12%, 12,5%, acho que a gente já colocou para baixo do tapete”, disse.
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