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Ataque dos EUA ao Irã reacende risco de pressão no petróleo, inflação e juros

Publicado 26/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A analista de investimentos Beatriz Aguilar afirmou que o mercado deve continuar repercutindo o ataque dos Estados Unidos ao Irã na segunda-feira (29).
  • O mercado acredita que a eventual escalada do conflito pode afetar petróleo, ações de commodities e expectativas de inflação.
  • Aguillar ressalta que as projeções para a Selic mudaram bastante e que a taxa deve encerrar 2026 perto de 14%, com cenário mais otimista em 13,75%.

O ataque dos Estados Unidos ao Irã deve continuar repercutindo nos mercados na segunda-feira (29), com impacto principalmente sobre petróleo, empresas de commodities e expectativas de juros. A avaliação é de Beatriz Aguilar, analista de investimentos, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

O petróleo reagiu imediatamente à notícia. A commodity chegou a cair mais de 3% ao longo do dia, mas reduziu a queda após a confirmação do ataque americano.

“O mercado está digerindo isso. A gente já está vendo imediatamente na cotação do petróleo, que está caindo, mas caindo menos do que estava antes”, afirmou.

Beatriz disse que ainda há dúvidas sobre a possibilidade de escalada do conflito. Segundo ela, parte do mercado esperava que os Estados Unidos não respondessem ao ataque anterior do Irã, mas a reação americana mudou a percepção de risco.

“Acho que foi algo que muitos não esperavam”, disse.

Leia também: Petróleo fecha em queda apesar de tensões no Oriente Médio

Commodities podem reagir

A analista afirmou que empresas ligadas a commodities podem ser diretamente afetadas pelo movimento do petróleo. Na sessão mais recente, segundo ela, papéis de companhias como Petrobras e PetroRio recuaram em meio à queda da commodity.

Se o petróleo mantiver a tendência de queda, essas ações podem continuar pressionadas. Mas, caso a tensão no Oriente Médio leve a uma alta da commodity, empresas do setor podem voltar a subir.

“Se essa queda zerar e virar para uma alta do petróleo na segunda-feira por conta desse conflito, provavelmente essas empresas ligadas a commodities voltam a subir”, afirmou.

Beatriz disse que o impacto também pode chegar à inflação. Petróleo e combustíveis entram na formação de preços de vários produtos e serviços, o que pode dificultar o processo de corte de juros nos Estados Unidos e no Brasil.

Tecnologia pressiona Wall Street

Nos Estados Unidos, Beatriz afirmou que o mercado já vinha em um movimento de mau humor, especialmente por causa das empresas de tecnologia.

Segundo ela, o setor sofreu com a combinação de valuations elevados, adiamento do IPO da OpenAI e anúncio de aumento de preços de produtos da Apple.

“O mercado como um todo olhou para esse setor de tecnologia e não gostou do que estava vendo”, disse.

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A analista afirmou que houve realização em ações de tecnologia, que têm peso relevante nos índices americanos. Em contrapartida, setores como saúde registraram alta, em um possível movimento de rotação.

Se o conflito entre Estados Unidos e Irã escalar, o mercado americano pode continuar pressionado, não apenas pela tecnologia, mas também pelo risco de inflação mais persistente.

Curva de juros deve seguir pressionada

Beatriz também afirmou que a curva de juros no Brasil tende a seguir elevada no segundo semestre, em meio à combinação de inflação, cenário externo e incerteza eleitoral.

Segundo ela, períodos eleitorais costumam trazer mais volatilidade para bolsa e juros. Esse movimento pode ser intensificado por dúvidas sobre a condução da política monetária e pelo impacto de choques externos.

“Todo ano eleitoral, geralmente no segundo semestre, nós temos uma volatilidade maior, não somente em bolsa de valores, mas também nas curvas de juros”, afirmou.

A analista disse que o mercado inicialmente não gostou da comunicação recente do Banco Central, por enxergar contradição entre o reconhecimento de riscos inflacionários e a decisão de cortar juros. Depois, segundo ela, novos relatórios ajudaram a esclarecer melhor a posição da autoridade monetária.

Para Beatriz, o Banco Central deve manter os juros na próxima reunião e observar os efeitos da taxa restritiva sobre a inflação. A possibilidade de mais um corte ainda existe, mas depende do cenário.

Leia também: Inflação global deve continuar pressionada mesmo com queda do petróleo

Selic perto de 14%

A analista afirmou que as projeções para a Selic mudaram bastante desde o início do ano. Antes, havia expectativa de taxa entre 12% e 12,5%. Agora, segundo ela, esse cenário ficou para trás.

“Talvez em 2026 a gente tenha uma taxa de juros na casa de 14%”, afirmou.

Em um cenário mais otimista, Beatriz disse que a Selic poderia chegar a 13,75%. Mas, diante das incertezas, ela vê pouca chance de retorno às projeções mais baixas feitas anteriormente.

“Aquele cenário de 12%, 12,5%, acho que a gente já colocou para baixo do tapete”, disse.

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