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Conflito no Oriente Médio

Quem lucrou mais com a guerra contra o Irã? Conflito impulsionou ganhos bilionários em setores globais

Publicado 26/06/2026 • 13:01 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A guerra entre EUA, Israel e Irã impulsionou os lucros de petroleiras, fabricantes de armas, bancos e empresas de transporte marítimo em meio à volatilidade dos mercados.
  • O petróleo Brent chegou a US$ 126 por barril durante o conflito, beneficiando gigantes do setor antes de recuar com o avanço das negociações de cessar-fogo.
  • Analistas alertam que os ganhos podem perder força caso a trégua entre EUA e Irã se consolide, reduzindo os preços da energia e a volatilidade global.
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AFP

Quase quatro meses após os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o conflito que abalou o Oriente Médio e pressionou mercados globais começa a entrar em uma fase de negociação diplomática na Suíça.

Um memorando de entendimento estabelece uma trégua de 60 dias e abre caminho para conversas sobre o programa nuclear iraniano, alívio de sanções e o futuro do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

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Mesmo com a perspectiva de um acordo reduzindo tensões, o período de guerra e instabilidade movimentou uma série de setores, que registraram forte aumento de lucros com a volatilidade, segundo apuração da Aljazeera.

Energia lidera ganhos com choque de preços

O setor de energia foi o principal beneficiado. A interrupção e o risco de bloqueio no Estreito de Ormuz provocaram forte oscilação no petróleo. O Brent chegou a tocar US$ 126 por barril, maior nível em quatro anos, antes de recuar para cerca de US$ 72.

Nesse ambiente, grandes produtoras capturaram ganhos relevantes. A Saudi Aramco registrou alta de 25% no lucro do primeiro trimestre, chegando a US$ 32,5 bilhões, apoiada também por rotas alternativas de exportação via o oleoduto Leste-Oeste, que contorna Ormuz.

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A BP reportou lucro de US$ 3,2 bilhões, mais que o dobro do ano anterior e acima das expectativas de mercado.

Já a Shell teve lucro de US$ 6,9 bilhões, mesmo após danos em uma unidade de gás no Catar e custos de reparo estimados em um ano. A empresa manteve solidez financeira no período.

A TotalEnergies também ampliou resultado, com lucro ajustado de US$ 5,4 bilhões, apesar da queda parcial de produção em países do Oriente Médio. Parte das exportações foi redirecionada para contornar o estreito estratégico.

Além das grandes petroleiras, empresas de gás natural liquefeito dos Estados Unidos, como Venture Global e Cheniere Energy, também se beneficiaram da busca por fornecedores mais seguros.

Defesa cresce com rearmamento e novos contratos

O conflito impulsionou o setor de defesa, com aumento de encomendas e pressão por reposição de estoques militares. Executivos de grandes fabricantes como RTX, Lockheed Martin, Boeing, Northrop Grumman, BAE Systems, L3Harris e Honeywell participaram de reuniões na Casa Branca para acelerar produção.

Investimentos públicos também cresceram. Antes mesmo da escalada, o governo dos EUA aprovou aumento de US$ 500 bilhões em defesa, seguido de novo pedido de US$ 200 bilhões.

Entre as empresas, a Boeing elevou receita em 14%, para US$ 22,2 bilhões, embora ainda tenha prejuízo líquido reduzido.

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A Northrop Grumman atingiu backlog recorde de US$ 95,6 bilhões, impulsionado por programas classificados e projetos ligados ao caça F-35.

Frete e seguros disparam com risco no Oriente Médio

A instabilidade reduziu a capacidade efetiva da frota global de petroleiros em cerca de 7%, elevando taxas de frete a níveis recordes. Em rotas do Oriente Médio para a Ásia, o custo subiu de cerca de 100 para mais de 500 pontos no índice Worldscale.

Empresas como a Frontline e a DHT Holdings foram diretamente beneficiadas. A Frontline reportou mais de US$ 536 milhões em receita no trimestre, enquanto a DHT chegou a contratos acima de US$ 100 mil por dia por navio.

O setor de seguros marítimos também registrou forte aumento. Prêmios de risco de guerra para travessia no Estreito de Ormuz subiram até cinco vezes, chegando em alguns casos a 1,5% do valor do navio — podendo alcançar até 10% em situações extremas. Para um petroleiro de US$ 100 milhões, uma única viagem pode custar até US$ 1,5 milhão em seguro.

Bancos lucram com volatilidade global

A turbulência também favoreceu grandes bancos de investimento, com aumento de negociação em moedas, commodities e títulos.

As seis maiores instituições dos EUA, JPMorgan Chase, Bank of America, Citigroup, Morgan Stanley, Goldman Sachs e Wells Fargo, somaram cerca de US$ 48 bilhões em lucro no primeiro trimestre de 2026.

A JPMorgan Chase liderou o setor, com US$ 16,5 bilhões em lucro líquido, alta de 13% em relação ao ano anterior.

Mercado de apostas entra no radar

Plataformas de previsão como Polymarket e Kalshi também entraram no centro das atenções após movimentos considerados atípicos em apostas ligadas ao conflito.

Em um episódio, US$ 580 milhões em contratos de petróleo foram negociados minutos antes de um anúncio de pausa nas ações militares. Outro levantamento da Universidade de Yale apontou contas com taxas de acerto estatisticamente improváveis em apostas sobre um cessar-fogo, levantando suspeitas de informação privilegiada.

Ganhos elevados, mas cenário instável

Apesar dos lucros expressivos em diferentes setores, analistas alertam que parte desses ganhos pode não se sustentar. O avanço de um possível cessar-fogo já pressionou os preços do petróleo para baixo, e um período prolongado de energia cara também pode afetar a demanda global e o crescimento econômico.

O quadro geral sugere um padrão clássico de conflito geopolítico: enquanto a economia global absorve choques e incertezas, setores diretamente expostos à volatilidade conseguem capturar ganhos relevantes, ao menos enquanto a instabilidade persiste.

Com informações da Aljazeera

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