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Crises políticas no Paraguai expõem histórico de disputas e mudanças rápidas no poder
Publicado 05/11/2026 • 17:39 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 05/11/2026 • 17:39 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Luis Robayo/AFP
Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank e à pressão por impeachment
A renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), encerrou um episódio de turbulência política que colocou seu governo sob pressão. O caso também trouxe novamente à tona o histórico de instabilidade institucional do Paraguai, marcado por disputas entre grupos políticos, propostas de mudanças constitucionais e processos de impeachment realizados em prazos curtos.
O cenário se agravou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, instituição financeira ligada a um grupo empresarial do qual Peña foi acionista até março de 2025. A decisão afetou milhões de clientes, que ficaram sem acesso aos recursos depositados, além de provocar manifestações no país.
Diante da repercussão, parlamentares da oposição protocolaram um pedido de impeachment contra o presidente. Entre as acusações estavam possíveis conflitos de interesses, utilização irregular de recursos previdenciários e tentativa de encobrir irregularidades. O episódio também ampliou os atritos dentro do Partido Colorado, legenda que dá sustentação ao governo.
Na quinta-feira (5), o Congresso começou a discutir o afastamento de Peña. Antes que o processo avançasse, porém, o presidente anunciou sua renúncia, encerrando a disputa política em torno de sua permanência no cargo.
Leia mais: Câmara do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña; Senado ainda precisa votar a medida
A velocidade dos acontecimentos lembra outros momentos da história recente paraguaia. Um dos principais exemplos aconteceu em junho de 2012, quando o então presidente Fernando Lugo foi destituído em um processo de impeachment que levou menos de 36 horas. A rapidez do procedimento gerou reações de países vizinhos e questionamentos sobre as garantias de defesa oferecidas ao presidente.
Lugo havia assumido a Presidência em 2008, colocando fim a seis décadas de governos do Partido Colorado. Sem uma base majoritária no Congresso, enfrentou dificuldades para manter sua coalizão política e perdeu o apoio de antigos aliados.
A crise que levou à sua saída começou após um confronto entre policiais e trabalhadores rurais durante uma operação de reintegração de posse em Curuguaty. O episódio terminou com 17 mortos e serviu de justificativa para o avanço do pedido de impeachment.
No dia seguinte ao confronto, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo. O Senado realizou o julgamento e decidiu pela destituição de Lugo em poucas horas. Com a saída do presidente, o então vice-presidente Federico Franco assumiu o comando do país. A condução do processo provocou críticas de governos sul-americanos e resultou na suspensão temporária do Paraguai do Mercosul.
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Siga o Times | CNBCOutro momento de tensão ocorreu em 2017, durante a gestão de Horacio Cartes. Naquele período, aliados do presidente tentaram aprovar uma alteração na Constituição para permitir a reeleição presidencial, possibilidade proibida pela Carta Magna de 1992, elaborada após o fim da ditadura de Alfredo Stroessner.
A proposta foi aprovada em uma votação surpresa no Senado, realizada na madrugada de 1º de abril, em uma sessão paralela à oficial. A iniciativa desencadeou protestos em Assunção, que terminaram com a invasão e o incêndio de parte do Congresso Nacional. Os confrontos deixaram dezenas de feridos. Um jovem ligado ao Partido Liberal também morreu após ser atingido por um disparo policial.
Parte importante das disputas políticas paraguaias está relacionada à força do Partido Colorado, que mantém influência sobre a política nacional há décadas. A legenda governou durante a ditadura de Alfredo Stroessner e voltou à Presidência em 2013, com a eleição de Horacio Cartes.
A principal exceção nesse período foi o governo de Fernando Lugo, entre 2008 e 2012. Apesar da presença dominante do partido, sua estrutura interna é marcada por diferentes correntes e disputas por influência.
Entre os grupos de maior destaque estão o Honor Colorado, liderado por Horacio Cartes, e o Colorado Añetete, associado ao ex-presidente Mario Abdo Benítez. As divergências entre essas alas têm reflexos na formação do governo, nas votações parlamentares e na capacidade de articulação dos presidentes.
Durante a administração de Abdo Benítez, a oposição também tentou avançar com pedidos de impeachment em meio a crises políticas e denúncias envolvendo o governo. As iniciativas não prosperaram, em parte devido à influência de Cartes e seus aliados no Congresso.
No caso de Santiago Peña, os conflitos entre os grupos internos do Partido Colorado contribuíram para o desgaste político de sua administração. Nesse contexto, o vice-presidente Pedro Alliana, ligado ao Honor Colorado e aliado de Cartes, recebeu apoio para assumir a Presidência.
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