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‘Master paraguaio’: após renúncia de Santiago Peña, por que o Congresso ainda vota o impeachment?
Publicado 05/11/2026 • 18:11 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 05/11/2026 • 18:11 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Flickr/Gobierno del Paraguay
A renúncia de Santiago Peña à Presidência do Paraguai não encerrou a crise política no país. Mesmo depois de o presidente anunciar que deixaria o cargo, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o pedido de impeachment contra ele, com 78 votos favoráveis. Agora, cabe ao Senado decidir se dará continuidade ao julgamento político.
A votação não é apenas uma formalidade. O resultado pode mudar o futuro político e jurídico de Peña, principalmente em relação ao direito de ocupar uma cadeira vitalícia no Senado paraguaio e às prerrogativas associadas a essa condição.
Leia também: ‘Master paraguaio’: após escândalo financeiro, presidente Santiago Peña renuncia ao cargo
Segundo a Câmara, no Paraguai, a Constituição chama o impeachment de juicio político no artigo 225. O mecanismo responsabiliza autoridades de alto escalão, incluindo o presidente e o vice-presidente, por mau desempenho das funções, crimes no exercício do cargo ou delitos comuns.
O procedimento tem duas etapas. Primeiro, a Câmara dos Deputados apresenta e aprova a acusação por maioria de dois terços dos parlamentares presentes.
Depois, o Senado assume o papel de tribunal e decide a condenação do acusado. De acordo com a Defensoria do Paraguai, para uma condenação, são necessários dois terços dos 45 senadores, ou seja, pelo menos 30 votos.
A renúncia de Peña não elimina automaticamente a possibilidade de julgamento. Isso porque a saída voluntária do cargo e a condenação em um processo político são decisões diferentes, com consequências distintas. Além disso, o Congresso precisa deliberar sobre a renúncia presidencial.
A continuidade do impeachment também tem relação com o artigo 189 da Constituição paraguaia, que prevê que ex-presidentes eleitos pelo voto popular se tornem senadores vitalícios. A exceção se aplica apenas a quem passou por julgamento político e recebeu condenação.
Se os senadores derem continuidade ao processo e declararem Peña culpado, ele perderá o direito de assumir uma cadeira de senador vitalício. Essa condição permite que ex-presidentes participem das sessões do Senado com direito à voz, mas sem voto e sem integrar o quórum.
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Siga o Times | CNBCA perda desse benefício também tem implicações jurídicas. A condição de senador vitalício pode assegurar prerrogativas parlamentares, incluindo proteção relacionada ao exercício de ações penais. Sem esse status, Peña não contará com essa proteção específica.
Entretanto, uma condenação no impeachment não significa que ele será automaticamente condenado por crimes ou preso.
O julgamento político tem natureza constitucional e não substitui um processo criminal. Caso existam indícios de delitos, os documentos e as acusações podem ser encaminhados à Justiça comum, responsável por investigar e determinar eventual responsabilidade penal.
Leia também: Quem é Santiago Peña, presidente do Paraguai que deixou o cargo após crise do Ueno Bank?
Se o Senado não alcançar os 30 votos necessários para declarar Peña culpado, ele não será considerado condenado pelo julgamento político. Caso a renúncia seja aceita pelo Congresso, poderá assumir a condição de senador vitalício, conforme previsto na Constituição.
Nesse cenário, eventuais investigações criminais não desaparecem. Porém, se Santiago Peña assumir uma cadeira de senador vitalício, a abertura de um processo penal contra ele dependerá da análise do Senado.
Pela Constituição paraguaia, a Casa deverá avaliar um eventual pedido de retirada da imunidade parlamentar, procedimento chamado de fueros.
A crise também passou a ser chamada de “Master paraguaio” por apresentar semelhanças com o escândalo envolvendo o Banco Master. A comparação considera o crescimento acelerado das instituições, a presença de recursos públicos, as suspeitas de operações financeiras irregulares e as conexões entre os bancos e figuras do poder político.
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