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Diretor do Fed renuncia antes da posse de Kevin Warsh e critica condução da política monetária dos EUA

Publicado 14/05/2026 • 16:46 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • Em carta enviada ao presidente Donald Trump, Miran defendeu que o Fed considere fatores “não monetários” na definição dos juros, como desaceleração populacional ligada à menor imigração e efeitos desinflacionários da desregulamentação econômica.
  • O dirigente criticou os métodos de cálculo da inflação nos EUA, alegando distorções estatísticas em setores como softwares e serviços financeiros, além de afirmar que o Fed estaria combatendo uma “inflação falsa”, mantendo o desemprego acima do necessário.
  • Miran também elogiou a agenda regulatória de Michelle Bowman para flexibilizar regras bancárias e afirmou esperar mudanças profundas na comunicação e no papel institucional do Fed sob a liderança de Warsh.

O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Stephen Miran apresentou nesta quinta-feira, 14 sua renúncia ao Conselho da autoridade monetária dos Estados Unidos, com efeito “na posse ou pouco antes” da entrada de Kevin Warsh no cargo. Em carta enviada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Miran afirmou que atuar no Fed e anteriormente comandar o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca foi “a maior honra” de sua vida.

Miran, que ocupava desde setembro de 2025 uma cadeira com mandato até janeiro de 2026, aproveitou a despedida para defender suas posições sobre política monetária e regulação bancária.

Segundo ele, o Fed precisa considerar “forças não monetárias” na condução dos juros, incluindo o menor crescimento populacional decorrente da redução da imigração e os efeitos desinflacionários da desregulamentação econômica.

O dirigente também criticou a forma como a inflação é medida nos EUA, argumentando que há distorções em itens como taxas de administração de portfólio e ajustes de qualidade em softwares, em um contexto de avanço da inteligência artificial (IA). Para Miran, erros persistentes de mensuração acabam reduzindo na prática a meta de inflação do Fed e levando o banco central a manter o desemprego acima do necessário ao combater uma “inflação falsa em vez da real”.

Na área regulatória, Miran afirmou ter apoiado os esforços da vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, para reduzir o excesso de regulação sobre os bancos. Segundo ele, as mudanças liberaram mais de US$ 100 bilhões em capital para o sistema financeiro e aliviaram restrições de alavancagem.

Em sua carta, também elogiou Warsh, dizendo esperar mudanças na comunicação do Fed, na política de balanço patrimonial e na redução do papel da instituição em temas políticos e culturais.

Kevin Warsh foi aprovado na quarta-feira pelo plenário do Senado por 54 votos a 45 para assumir o posto de presidente do Fed. O mandato do atual chefe do banco central americano, Jerome Powell termina na sexta-feira, 15.

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