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Presidente de Israel dá a oposicionista de Netanyahu, Gadi Eisenkot, chance de formar governo após eleição sem maioria

Publicado 08/11/2026 • 17:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Herzog dá a Gadi Eisenkot a primeira chance de formar governo, e ele terá até seis semanas para reunir apoio no Knesset
  • Raam apoia Eisenkot e Lista Conjunta oferece apoio externo, e Yisrael Beytenu veta coalizão com partidos árabes
  • Netanyahu diz sem provas que eleição foi roubada, e Shin Bet investiga possível interferência estrangeira
Gadi Eisenkot e Isaac Herzog

Foto por ILIA YEFIMOVICH / AFP

O presidente de Israel, Isaac Herzog (à direita), e o líder do bloco de oposição israelense, Gadi Eisenkot, posam com o mandato assinado para formar um novo governo durante entrevista coletiva no gabinete da Presidência, em Jerusalém, em 8 de novembro de 2026. Herzog encarregou oficialmente Eisenkot, em 8 de novembro, de formar um novo governo e alertou que o país enfrenta incertezas após as eleições nos Estados Unidos.

Uma eleição sem maioria clara deu ao oposicionista Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, a primeira chance de formar o próximo governo de Israel. O presidente Isaac Herzog fez a designação formal neste domingo (8), em cerimônia na residência presidencial, em Jerusalém.

A decisão abre caminho para uma possível substituição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que está há mais tempo no cargo na história do país. O gesto não garante, porém, que Eisenkot assumirá o governo.

Leia também: Netanyahu diz que aliança com partidos árabes pode “desmantelar” Israel

Herzog dá a Eisenkot até seis semanas para formar governo

Eisenkot terá até seis semanas para reunir apoio suficiente no Parlamento, o Knesset. Nenhum dos blocos obteve maioria clara na eleição de 27 de outubro.

Segundo Herzog, a maioria dos parlamentares consultados defendeu que a tarefa fosse atribuída ao oposicionista. Na cerimônia, o presidente disse esperar, “de todo o coração”, que o governo formado conduza “à unidade, à conexão e à cura” entre todos os segmentos do povo. Acrescentou que a existência do país depende disso e que “temos apenas um país”.

Eisenkot afirmou que buscará uma liderança “digna de confiança”. “Uma maioria absoluta dos membros do Knesset, que representam a população israelense, apoia uma mudança”, disse. Ele declarou ainda que pretende conduzir a situação com “paciência, humildade, serenidade e um profundo compromisso com um Israel judaico, igualitário, liberal e seguro”.

Raam apoia e Lista Conjunta oferece apoio de fora do governo

As negociações devem se concentrar em alianças politicamente sensíveis, sobretudo com partidos liderados por árabes, que tiveram desempenho recorde na eleição. O Raam, único partido árabe que já integrou uma coalizão, em 2021, informou que apoiará Eisenkot. Ainda assim, não tem cadeiras suficientes para garantir maioria.

Já a Lista Conjunta (Joint List) se ofereceu para apoiar o oposicionista de fora do governo, em um movimento incomum para derrotar Netanyahu.

Yisrael Beytenu veta coalizão com partidos árabes

A aproximação enfrenta resistências. Um aliado de Eisenkot, o Yisrael Beytenu, afirmou que não participará de uma coalizão que inclua partidos liderados por árabes.

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Eisenkot fixa quatro condições, incluindo classificar Hamas como terrorista

Eisenkot estabeleceu quatro condições para apoiar o governo, entre elas reconhecer Israel como Estado judeu e democrático e classificar o Hamas como organização terrorista. Ainda não está claro se haverá acordo sobre esse ponto.

Netanyahu diz sem provas que eleição foi roubada

Por sua vez, Netanyahu repete, sem provas, a alegação de que a eleição foi “roubada” por partidos árabes. Ele tenta pressionar o rival ao afirmar que uma aliança desse tipo seria traição.

O Shin Bet, serviço de segurança interna, abriu investigação sobre possível interferência estrangeira. Já a Comissão Central Eleitoral e Herzog dizem que a votação foi válida.

Sem maioria, Eisenkot pode negociar com Netanyahu ou ultraortodoxos

Sem maioria, Eisenkot terá de escolher entre alternativas que exigem concessões. Uma é negociar um acordo de compartilhamento de poder com Netanyahu. A outra é buscar apoio de partidos ultraortodoxos, que defendem a manutenção de isenções do serviço militar.

A oposição transformou o tema em bandeira, e ele se fortaleceu após três anos de guerra. O Judaísmo Unido da Torá sinalizou disposição para conversar.

Novo Knesset toma posse na terça-feira, e Netanyahu segue interinamente

Os novos membros do Knesset tomam posse na terça-feira (10). Até a formação de uma coalizão, Netanyahu e o gabinete seguem de forma interina, com poderes limitados.

Permanecem no horizonte os conflitos em Gaza e no Líbano e a tensão com o Irã, além do que Herzog chamou de “a nova situação política nos Estados Unidos”, com sinais de enfraquecimento do apoio a Israel.

Ao se dirigir a Eisenkot, Herzog pediu que ele e os pares se lembrem, nas salas de negociação, de que os olhos da nação, “com toda a sua dor, esperanças, orações e medos”, estão voltados para eles.

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