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Houthis ampliam ofensiva contra Riad e provocam danos em torre da Aramco

Publicado 08/11/2026 • 17:45 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Houthis reivindicaram ataques contra a torre da Aramco, depósitos petrolíferos e aeroporto de Riad; governo saudita confirmou danos leves.
  • A coalizão saudita afirmou ter interceptado mísseis balísticos e de cruzeiro, mas não esclareceu a origem dos destroços que atingiram o prédio.
  • Ofensiva no distrito financeiro eleva a tensão na Arábia Saudita, enquanto conflito no Iêmen já deixou mais de 1.600 mortos, segundo a ONU.

Foto: Ali Lajami / Flickr

Edifício da petroleira saudita Aramco, em Riad, na Arábia Saudita. A companhia informou que uma de suas instalações administrativas na capital sofreu danos neste domingo (8), durante uma ofensiva reivindicada pelos houthis do Iêmen

A ofensiva dos houthis contra a Arábia Saudita chegou neste domingo (8) a um dos principais símbolos da modernização econômica do país. Um edifício administrativo da petroleira Aramco, no distrito financeiro de Riad, sofreu danos durante uma série de ataques reivindicados pelo grupo armado do Iêmen, aliado do Irã.

O Ministério da Energia saudita confirmou que o prédio foi alvo de uma tentativa de ataque, mas informou que os danos foram leves e provocados pela queda de escombros. Não houve registro de mortos ou feridos, segundo a pasta.

Testemunhas relataram janelas quebradas e danos em diferentes andares da torre, localizada no Distrito Financeiro Rei Abdullah, conhecido pela sigla KAFD. Uma delas afirmou que o edifício havia sido atingido, embora ainda não estivesse estabelecido se houve impacto direto de um projétil.

Leia também: Houthis reivindicam ataque a Riad; coalizão saudita contesta versão

Ataques e interceptações em Riad

Os houthis assumiram a responsabilidade pela operação e disseram ter atingido também depósitos da Aramco e o aeroporto da capital. A reivindicação ocorreu em meio à intensificação dos ataques do grupo contra instalações estratégicas sauditas desde outubro.

Pouco antes dos relatos sobre a torre, a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita anunciou a interceptação e destruição de dois mísseis balísticos disparados em direção a Riad. Jornalistas da AFP ouviram fortes explosões depois de um alerta emitido pelas autoridades.

O porta-voz da coalizão, Turki al-Malki, também comunicou a destruição de dois mísseis de cruzeiro direcionados à capital e ao sul do território saudita. As autoridades não determinaram se os estragos no prédio resultaram de destroços de uma interceptação ou de um impacto direto.

Leia também: EUA alertam para escalada rápida após houthis atacarem Riad

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Distrito financeiro sob pressão

O distrito financeiro atingido reúne torres corporativas, lojas de luxo, áreas residenciais, espaços verdes e uma estação de metrô movimentada. O complexo representa a estratégia do reino de diversificar sua economia para além do petróleo.

Para Andreas Krieg, analista do King’s College de Londres, os ataques colocam a transformação econômica saudita sob pressão de uma guerra que, em sua avaliação, se torna cada vez mais difícil de vencer.

A ofensiva ocorreu poucas horas depois de o Ministério da Educação anunciar o retorno das aulas presenciais em Riad, após semanas de ensino remoto motivadas por ataques anteriores. O episódio renovou as preocupações com a segurança na capital.

Leia também: Síria pode enviar soldados contra houthis no Iêmen, mas Damasco nega

Guerra no Iêmen e mobilização regional

A Arábia Saudita busca apoio de aliados enquanto enfrenta ataques frequentes dos houthis. Autoridades iemenitas disseram à AFP que milhares de militares sírios poderiam ser mobilizados e que alguns já estariam no Iêmen; o relato não foi confirmado de forma independente.

O conflito voltou a ganhar intensidade após o fracasso, em julho, da trégua frágil estabelecida em 2022. Os houthis passaram a atacar navios e instalações petrolíferas sauditas e anunciaram um bloqueio marítimo contra o reino.

Em setembro, uma ofensiva rápida permitiu ao grupo ampliar o controle de áreas da costa do Mar Vermelho. De acordo com a Organização das Nações Unidas, a retomada dos combates no Iêmen já provocou mais de 1.600 mortes e deslocou mais de 300 mil pessoas.

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