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Encontro entre Trump e Xi Jinping deve redefinir áreas de influência global
Publicado 11/05/2026 • 22:22 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 11/05/2026 • 22:22 | Atualizado há 5 meses
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O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, deve ir além da discussão sobre tarifas e sinalizar uma nova divisão de áreas de influência no mundo. É o que afirmou Leonardo Trevisan, economista e professor de relações internacionais da ESPM.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Trevisan disse que a reunião ocorre em um momento de definições geopolíticas e pode ter impacto direto sobre mercados emergentes, comércio global e cadeias estratégicas.
“Vão discutir também tarifas, mas acho que o encontro vai principalmente dar um tom para o mundo todo: o novo perfil geopolítico que vai ser adotado a partir de agora”, afirmou.
Segundo o professor, a reunião deve colocar frente a frente as duas potências com maior capacidade de decisão sobre a reorganização da ordem global. Ele comparou o encontro à Conferência de Yalta, de 1945, quando Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética discutiram a divisão de influência após a Segunda Guerra Mundial.
“Está com muito jeito de ser uma Yalta. Yalta é aquela conferência de 1945, quando a Alemanha perdeu a guerra, Estados Unidos e União Soviética ganharam, e Stalin e Roosevelt aceitaram dividir o mundo”, disse.
Trevisan afirmou que, neste caso, a disputa é mais complexa porque envolve um número maior de países tentando preservar espaço nas decisões globais. Segundo ele, nações médias como Brasil, Canadá, Indonésia, Filipinas e Japão também buscam aumentar seu peso em meio à rivalidade entre Washington e Pequim.
“Tem essa cara, mas sem dúvida nenhuma tem um monte de fantasminha em volta olhando e dizendo: queremos nosso espaço. Tem Brasil, tem Filipinas, tem Indonésia, tem Canadá, tem até Japão. Portanto, não há dúvida nenhuma que é uma Yalta mais complicada”, afirmou.
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Na avaliação do professor, as tarifas entre Estados Unidos e China não devem ser o eixo central da conversa, porque já vêm sendo tratadas por equipes econômicas dos dois países. O ponto mais relevante, disse ele, é a disputa por poder e por controle de cadeias estratégicas.
Trevisan citou as terras raras como um dos elementos de força da China. Segundo ele, o país concentra cerca de 60% das reservas globais e domina aproximadamente 90% do processamento desses minerais, essenciais para a indústria digital.
“Quando a gente fala dessa tecnologia, nós estamos falando de toda a indústria digital. Os chineses têm controle sobre isso e conseguem fazer os Estados Unidos perceberem essa força.”
A guerra no Oriente Médio também deve entrar na pauta, mas em segundo plano, segundo Trevisan. Para ele, a China tem interesse em conter a crise, especialmente diante do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa parte relevante do gás e do petróleo globais.
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Siga o Times | CNBCO professor afirmou que Pequim tem pressa para que a região se estabilize, porque uma crise prolongada pode prejudicar a recuperação da economia mundial e afetar diretamente a própria China.
“O maior freio ao Irã, o maior impulso a uma paz no Irã, a uma reabertura de Ormuz, é a pressa também da China para que o mundo inteiro volte a crescer”, disse.
Sobre as negociações envolvendo os Estados Unidos e o Irã, Trevisan avaliou que Trump não pode sair do conflito sem apresentar algum tipo de vitória política. Segundo ele, a alta do custo de vida e a volta da inflação nos Estados Unidos aumentam a pressão sobre o governo americano.
“Donald Trump essencialmente não pode sair da guerra derrotado. Ele fez grandes esforços, a inflação voltou nos Estados Unidos de forma acelerada, o custo de vida subiu, isso se sentiu no bolso de todo eleitor americano”, afirmou.
Trevisan disse ainda que a China deve usar sua influência para tentar evitar uma escalada maior no Oriente Médio. Segundo ele, o Paquistão, que atua como intermediário nas negociações, é um aliado próximo de Pequim.
“É bastante provável que a situação com o Irã se prolongue além do acordo com Xi Jinping ou aconteça algum tipo de acerto, porque não há dúvida alguma que por trás do Paquistão, que é o intermediário nessas negociações, está a China.”
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Na frente econômica, o professor disse que novos estímulos chineses podem beneficiar commodities metálicas e exportadores brasileiros. Segundo ele, a China precisa sustentar seu crescimento e conter os efeitos de uma demanda interna ainda fraca.
“A China está precisando voltar a crescer. A China convive, de algum modo, com baixo consumo. A China sustenta o seu crescimento de PIB de 5% ao ano com exportações”, afirmou.
Trevisan destacou que, mesmo com tarifas americanas, a China exportou US$ 1,2 trilhão no ano passado. Para comparação, afirmou, o Brasil vendeu cerca de US$ 300 bilhões ao exterior, enquanto a Europa exportou US$ 600 bilhões aos Estados Unidos em 2024.
Segundo ele, esse peso comercial explica por que a China tende a atuar para evitar que a crise internacional se espalhe.
“Quando olhamos esse contexto, não há dúvida alguma que a China precisa usar bem a sua influência para que a crise não se espalhe”, concluiu.
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