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EUA gastam US$ 1,25 trilhão por ano só com juros da dívida

Publicado 09/09/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • US$ 1,25 trilhão em juros representaram 18,5% da receita federal americana em 2025, acima do recorde de 18,4% registrado em 1991
  • A dívida pública supera US$ 32 trilhões e equivale a mais de 100% do PIB americano, enquanto a dívida nacional se aproxima de US$ 40 trilhões.
  • Gigantes de IA emitiram US$ 225 bilhões em títulos no primeiro semestre de 2026, aumentando a disputa por capital com o governo dos EUA.
EUA gastam US$ 1,25 trilhão por ano só com juros da dívida

Foto: unsplash

EUA gastam US$ 1,25 trilhão por ano só com juros da dívida

Os Estados Unidos (EUA) destinaram US$ 1,25 trilhão (aproximadamente R$ 6,36 trilhões) ao pagamento líquido de juros da dívida federal em 2025, segundo uma análise da gestora DoubleLine citada pela Fortune. O valor representa 18,5% da receita do governo americano e supera o recorde de 18,4% registrado em 1991.

A conta ocorre enquanto a dívida nacional dos Estados Unidos se aproxima de US$ 40 trilhões (R$ 203,5 trilhões). Com isso, uma parcela cada vez maior da arrecadação do governo precisa ser usada apenas para manter o serviço da dívida, reduzindo o espaço para outras despesas e investimentos.

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Além disso, segundo a Fortune, os US$ 1,25 trilhão (R$ 6,36 trilhões)) em juros superaram o orçamento de defesa americano previsto para 2026. Na prática, quase US$ 19 (R$ 96) de cada US$ 100 (R$ 508) arrecadados pelo governo são destinados ao pagamento dos encargos financeiros.

Dívida dos EUA aumenta peso dos juros

O crescimento da dívida também amplia o impacto de eventuais altas nos rendimentos dos títulos do Tesouro. Quanto maior o estoque de dívida, maior tende a ser o custo para refinanciar os títulos que vencem e captar novos recursos.

Esse movimento ganhou força na última década. De acordo com a Kobeissi Letter, que cita dados do Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos (CBO), as despesas com juros em relação à receita triplicaram desde 2015.

O CBO projeta que os juros podem consumir 25% da receita federal até 2036. A projeção, entretanto, considera um cenário sem uma desaceleração significativa da economia, recessão ou aumento considerável dos rendimentos dos títulos do Tesouro.

Assim, o problema não se resume ao valor atual da conta. Caso os juros permaneçam elevados ou subam, o governo poderá enfrentar despesas ainda maiores para financiar uma dívida que já atingiu níveis historicamente altos.

Por que 1991 foi diferente para os EUA

Embora a participação dos juros na receita tenha ultrapassado o recorde de 1991, o cenário atual apresenta uma diferença importante: o tamanho da dívida americana.

Em 1991, os Estados Unidos se recuperavam de uma recessão e dos choques do petróleo relacionados à Guerra do Golfo. Naquele momento, a forte demanda por títulos ajudou a reduzir o rendimento dos Treasuries de 30 anos para cerca de 8%, depois de níveis superiores a 10% nas décadas anteriores.

A dívida pública em poder do público representava aproximadamente 44% do Produto Interno Bruto (PIB) americano. Hoje, esse montante já supera US$ 32 trilhões (R$ 162,8 trilhões), equivalente a mais de 100% do PIB dos Estados Unidos. Portanto, mesmo que os rendimentos dos títulos não estejam em níveis recordes, o governo ficou muito mais vulnerável às oscilações das taxas por causa do tamanho da dívida.

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Para a DoubleLine, essa é uma das principais diferenças entre os dois períodos. Uma taxa de juros que era administrável quando o estoque da dívida era menor pode gerar um impacto muito maior sobre o orçamento atual.

Empresas de I.A disputam capital com o governo

Ao mesmo tempo, as grandes empresas de tecnologia passaram a buscar volumes elevados de recursos no mercado de dívida para financiar a expansão da inteligência artificial. Gigantes do setor emitiram US$ 225 bilhões (R$ 1,14 trilhão) em títulos no primeiro semestre de 2026. Muitas dessas empresas procuram financiamento de longo prazo, com papéis que vencem entre 10 e 30 anos.

Esse movimento aumenta a competição por capital com o governo americano. Quando investidores direcionam mais recursos para títulos corporativos, sobra menos dinheiro disponível para os Treasuries.

O economista e veterano de Wall Street Ed Yardeni avaliou que esse movimento provoca um efeito de deslocamento, pressionando os rendimentos dos títulos do Tesouro. Se o governo precisar oferecer juros maiores para atrair compradores, o custo de financiamento da dívida também aumenta.

Scott Bessent amplia recompra de títulos

Nesse contexto, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ampliou o volume das operações de recompra de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos.

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O valor passou de US$ 2 bilhões (R$ 10,18 bilhões) para pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 20,35 bilhões) por operação. A decisão surpreendeu investidores e representou uma rara intervenção direta do chefe do Tesouro no mercado de títulos. Para analistas da DoubleLine, a medida mostra a importância que o mercado de títulos de longo prazo ganhou para a gestão da dívida americana.

Com os juros já consumindo 18,5% da receita federal e a dívida nacional próxima de US$ 40 trilhões (R$ 203,47 trilhões), os Estados Unidos enfrentam um desafio que vai além do tamanho do endividamento.

O governo dos EUA precisa administrar o custo de uma dívida muito maior do que em 1991, enquanto empresas de tecnologia também disputam recursos de longo prazo. Por isso, mesmo rendimentos abaixo dos recordes históricos podem gerar uma conta elevada para os cofres americanos.

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