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Após punir Brasil, Trump impõe tarifas adicionais de 50% sobre produtos do Canadá, vizinho e parceiro histórico

Publicado 21/07/2026 • 07:20 | Atualizado há 5 horas

KEY POINTS

  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decretos que impõem tarifas adicionais de 50% sobre produtos importados do Canadá.
  • Segundo a Casa Branca, as novas tarifas serão aplicadas a produtos canadenses abrangidos pela Seção 338 da Lei Tarifária de 1930.
  • EUA classificam postura dos vizinhos como tratamento discriminatório em relação às exportações dos Estados Unidos.

Foto: AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decretos que impõem tarifas adicionais de 50% sobre determinados produtos importados do Canadá na última segunda-feira (20). As medidas entrarão em vigor em 30 dias e atingirão uma ampla variedade de itens, incluindo vinho, tacos de hóquei e cimento.

Segundo a Casa Branca, as novas tarifas serão aplicadas a produtos canadenses abrangidos pela Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, dispositivo utilizado pela primeira vez para responder ao que o governo americano classifica como tratamento discriminatório contra exportações dos Estados Unidos.

As cobranças valerão independentemente de os produtos estarem ou não cobertos pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA/T-MEC). Ficam de fora das medidas produtos do setor de energia, potássio, bens já sujeitos a tarifas da Seção 232, além de alguns itens específicos, como peixes e minerais críticos.

Leia também: Trump volta a pressionar Canadá e cobra indenização por fumaça de incêndios florestais

Justificativas do governo dos EUA

Em comunicado oficial, a Casa Branca afirmou que as tarifas buscam compensar prejuízos impostos ao comércio americano e criar condições mais equilibradas para exportações consideradas estratégicas, como automóveis, bebidas alcoólicas e laticínios.

O governo americano argumenta que o Canadá mantém tarifas e cotas sobre veículos importados dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que concede tratamento diferente a produtos de outros países. Segundo Washington, as regras canadenses incentivam montadoras americanas a investir em produção no Canadá em vez dos EUA.

A Casa Branca também criticou a decisão da maioria das províncias e territórios canadenses de suspender a compra, distribuição ou venda de bebidas alcoólicas americanas. De acordo com o governo, as importações canadenses desse segmento caíram cerca de 81% entre março de 2025 e fevereiro de 2026 em comparação com o período anterior.

Outra queixa envolve o sistema canadense de cotas tarifárias para produtos lácteos. Os EUA afirmam que as restrições aplicadas ao queijo americano são mais severas do que aquelas destinadas a produtos equivalentes da União Europeia, apesar da existência de acordos comerciais com ambos os parceiros.

O comunicado destaca ainda que Canadá e China foram os únicos países que optaram por retaliar as tarifas implementadas pelo governo Trump desde 2025, em vez de negociar acordos comerciais com Washington.

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Reação do Canadá

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que Ottawa está disposta a intensificar as negociações com os Estados Unidos e que já apresentou propostas para solucionar disputas comerciais e modernizar o T-MEC.

Carney classificou as medidas americanas como mais uma ação comercial unilateral e declarou que as tarifas impostas por Washington violam o acordo firmado entre Canadá, Estados Unidos e México. Segundo ele, a resposta canadense apenas equiparou as medidas adotadas pelos EUA.

As novas tarifas também foram anunciadas após Trump ameaçar o Canadá em razão da fumaça de incêndios florestais que atingiu território americano.

Possível disputa judicial

Especialistas apontam incertezas jurídicas em torno da medida. Scott Lincicome, do Instituto Cato, observou que esta é a primeira utilização da Seção 338 da Lei Tarifária de 1930.

Já o ex-funcionário comercial americano Ryan Majerus afirmou que a decisão está sujeita a um elevado risco de contestação judicial.

Preocupação no setor de bebidas

O presidente do Conselho de Bebidas Destiladas dos Estados Unidos, Chris Swonger, afirmou que o setor reconhece as restrições impostas pelo Canadá aos produtos americanos, mas esperava uma solução sem escalada das tensões comerciais.

Segundo ele, tarifas mais elevadas aumentam o risco de retaliações em um momento em que muitas empresas do setor de hospitalidade ainda enfrentam dificuldades financeiras. Swonger defendeu uma solução negociada para o impasse.

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