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Por Nathalia Gimenes
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Publicado 24/04/2026 • 09:18 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Pexels
EUA x China: como as terras raras viraram peça-chave na disputa global
A disputa entre Estados Unidos e China pelas terras raras entrou em uma nova fase, mais silenciosa, porém estratégica. Em vez de tarifas ou acordos comerciais, o foco agora está no controle de insumos que sustentam a economia do futuro.
Nesse cenário, as terras raras se tornaram um dos pontos mais sensíveis da rivalidade entre as duas maiores potências do mundo.
Esses minerais são indispensáveis para tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones e sistemas de defesa. Por isso, deixaram de ser apenas recursos industriais e passaram a representar poder geopolítico.
A compra da mineradora Serra Verde pela americana USA Rare Earth, em um negócio estimado em US$ 2,8 bilhões, mostra claramente a tentativa dos Estados Unidos de reduzir sua dependência da China.
A operação envolve ativos no Brasil e faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação de fornecedores de minerais críticos.
O objetivo americano é construir uma cadeia mais segura e menos concentrada em um único país, especialmente em um cenário de crescente tensão comercial e tecnológica com Pequim.
Apesar dos esforços dos Estados Unidos, a China ainda mantém uma posição dominante. Nesse sentido, dados do U.S. Geological Survey (USGS) mostram que o país asiático concentra grande parte da capacidade global de processamento e refino de terras raras, etapa mais complexa e estratégica da cadeia.
Além disso, na prática, isso significa que, mesmo quando outros países extraem os minerais, é a China que, em muitos casos, realiza a etapa que transforma o material em insumo industrial utilizável.
Como resultado, essa liderança consolidada dá a Pequim uma vantagem difícil de reverter no curto prazo.
A disputa entre os dois países se intensifica com a transição energética global. De acordo com a International Energy Agency (IEA), a demanda por minerais críticos deve crescer de forma acelerada nas próximas décadas, impulsionada pela expansão de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de armazenamento de energia.
Esse aumento de demanda transforma as terras raras em recursos estratégicos não apenas para o crescimento econômico, mas também para a segurança energética das nações.
Enquanto os Estados Unidos tentam reorganizar sua cadeia de suprimentos e reduzir vulnerabilidades, a China reforça sua posição dominante no processamento e na oferta global desses materiais.
O resultado é uma disputa que vai além do comércio tradicional. Trata-se de uma corrida por autonomia tecnológica, controle industrial e influência sobre o ritmo da transição energética mundial.
As terras raras deixam de ser apenas insumos industriais e passam a ocupar o centro da nova rivalidade global entre as duas maiores potências econômicas do planeta.
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