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EXCLUSIVO CNBC: Geopolítica é o principal risco à estabilidade financeira, diz vice-presidente do BCE
Publicado 28/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 28/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O risco geopolítico se tornou o principal ponto de preocupação para a estabilidade financeira, afirmou Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), em entrevista exclusiva à CNBC.
Segundo ele, os mercados estão vulneráveis a uma correção porque os preços dos ativos seguem elevados. Esse cenário se torna mais sensível diante da combinação entre tensões geopolíticas, fragilidades fiscais na Europa e crescimento de instituições financeiras não bancárias, como crédito privado e private equity.
“A principal mensagem do nosso relatório de estabilidade financeira é que há risco de correção porque as valuations nos mercados estão bastante altas”, disse De Guindos.
O vice-presidente do BCE afirmou que, em relação ao cenário de seis meses atrás, o novo elemento de maior preocupação é a escalada do risco geopolítico.
“Talvez, em comparação com a situação de seis meses atrás, o principal elemento de preocupação do nosso ponto de vista seja o risco geopolítico”, afirmou.
De Guindos disse que os investidores parecem precificar um fim rápido para o conflito envolvendo o Irã. Caso isso não ocorra, o mercado pode rever suas expectativas.
“Os mercados descontam que o conflito terminará em breve. E, se essa não for a situação, isso pode desencadear uma modificação na percepção dos mercados”, pontuou.
Leia também: Guerra no Irã reforça risco de alta de juros pelo BCE, diz dirigente
O vice-presidente do BCE afirmou que o impacto de um choque de oferta global tende a aparecer mais rapidamente na inflação do que no crescimento econômico.
Segundo ele, indicadores de sentimento e outros dados antecedentes já sugerem efeitos negativos sobre a atividade.
“Minha visão pessoal é que o impacto do choque de oferta da guerra no Irã será sentido mais rapidamente na inflação do que no crescimento”, avaliou.
De Guindos disse que uma situação de alta da inflação acompanhada de desaceleração do crescimento é difícil para qualquer banco central.
“Um choque de oferta global é uma situação difícil para qualquer banco central, porque, ao mesmo tempo, você terá aumento da inflação e desaceleração do crescimento”, afirmou.
Questionado sobre a próxima decisão de juros, o dirigente evitou sinalizar uma direção. Ele disse que o BCE seguirá dependente dos dados e decidirá reunião a reunião.
“Não há nenhum fato consumado em relação à evolução dos juros”, afirmou.
O mandato de De Guindos no BCE termina nos próximos dias, e ele não participará da próxima reunião do Conselho do banco central.
De Guindos também comentou os riscos ligados ao crescimento do crédito privado, especialmente nos Estados Unidos. Segundo ele, a exposição dos bancos e intermediários financeiros europeus a esse mercado ainda é limitada, mas cresce rapidamente.
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Siga o Times | CNBC“O volume de crédito privado na Europa é limitado e não é sistêmico”, disse.
Apesar disso, o vice-presidente do BCE afirmou que o segmento exige atenção. Ele citou opacidade dos instrumentos, alavancagem, potenciais descasamentos de liquidez e conexões com bancos como pontos de risco.
“Eles são instrumentos opacos, muito alavancados, têm algum tipo de potencial descasamento de liquidez e estão interconectados com os bancos”, afirmou.
De Guindos disse que uma eventual crise no crédito privado teria impacto mais limitado na Europa do que a crise subprime teve no passado, justamente pela menor exposição do sistema financeiro europeu.
“A conclusão é que o impacto seria muito mais limitado, especialmente no caso da Europa”, afirmou.
Ainda assim, ele defendeu uma abordagem ampla para avaliar vulnerabilidades, em vez de focar em um único risco.
Leia também: Lagarde reafirma meta de inflação do BCE e alerta para efeitos prolongados da guerra
Sem comentar diretamente a disputa envolvendo os bancos Commerzbank e UniCredit, De Guindos afirmou que interferências governamentais em operações transfronteiriças podem minar a credibilidade da união de mercados de capitais na Europa.
Segundo ele, o BCE defende o livre fluxo de capital e liquidez na zona do euro, o que inclui transações entre bancos de diferentes países.
“Somos totalmente a favor do livre fluxo de capital e liquidez na área do euro”, disse.
Para o dirigente, esse princípio é essencial para consolidar um mercado único de capitais na região.
“No fim do dia, esse tipo de interferência vai minar a credibilidade da união de mercados de capitais”, afirmou.
Ao avaliar seus oito anos como vice-presidente do BCE, De Guindos disse que o mundo está “muito diferente” em relação ao início de seu mandato.
Ele citou a pandemia, a reabertura das economias, a invasão da Ucrânia, a alta da inflação e a mudança de paradigma nas relações internacionais com a nova administração dos Estados Unidos.
Ainda assim, afirmou que o sistema financeiro europeu atravessou esse período sem grandes acidentes.
“A única coisa positiva é que, ao longo desse período, mesmo considerando a gravidade desses eventos, a situação de estabilidade financeira dos bancos europeus e dos mercados financeiros na Europa foi bastante estável”, afirmou.
Segundo De Guindos, a resiliência dos bancos europeus mostra que a supervisão e o arcabouço regulatório foram adequados para enfrentar choques vindos de outras jurisdições.
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