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Chefe do USTR diz que tarifa do Brasil “ainda está a definir”; Casa Branca confirma que resultado será divulgado nesta quarta-feira
Publicado 15/07/2026 • 19:46 | Atualizado há 2 horas
Publicado 15/07/2026 • 19:46 | Atualizado há 2 horas
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Jim Watson / AFP
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, conversa com repórteres fora da Ala Oeste da Casa Branca em Washington, 22/10/2025
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta quarta-feira (15) que o tratamento tarifário do Brasil ainda está “a definir hoje”, em meio à expectativa pela decisão do governo americano sobre as novas tarifas contra produtos brasileiros.
A declaração foi dada durante uma conversa no Aspen Security Forum, no Colorado. Ao descrever a estrutura tarifária buscada pelo governo de Donald Trump, Greer afirmou que as alíquotas poderiam ser visualizadas como uma série de “círculos concêntricos”.
“No Hemisfério Ocidental, [as tarifas] estavam geralmente em 10% ou menos. O Brasil ainda está a definir hoje”, disse.
Greer não antecipou qual será a alíquota aplicada ao Brasil, quais produtos serão atingidos. A coletiva de imprensa oficial sobre o tema deve ocorrer às 21h30 (horário de Brasília).
A participação do representante comercial dos EUA ocorreu no mesmo dia do prazo legal para que o USTR adote uma medida em resposta à investigação comercial contra o Brasil. A conversa foi conduzida por Anja Manuel, diretora-executiva do Aspen Strategy Group.
Leia também: Tarifas dos EUA devem ampliar pressão sobre exportações brasileiras
Ao detalhar o modelo defendido pelo governo Trump, Greer disse que os países do Hemisfério Ocidental estariam, em geral, sujeitos a tarifas de 10% ou menos, enquanto aliados como Japão, Coreia do Sul e países europeus ficariam em torno de 15%.
Para economias do Sul e do Sudeste Asiático, o representante comercial citou uma faixa de 15% a 20%. A China permaneceria no nível mais alto, chegando a aproximadamente 45% quando consideradas diferentes medidas tarifárias.
“É possível quase enxergar esses círculos concêntricos se expandindo”, afirmou Greer. Segundo ele, esse seria, em linhas gerais, o arranjo que o governo americano gostaria de manter.
A ressalva feita em relação ao Brasil indica que o país ainda não havia sido enquadrado definitivamente nessa estrutura no momento da entrevista.
Questionado sobre o que ocorrerá após o vencimento, em 24 de julho, das tarifas aplicadas sob a Seção 122 da legislação comercial americana, Greer afirmou que o USTR está conduzindo investigações com base na Seção 301.
Segundo ele, a estratégia é identificar, país por país, práticas consideradas desleais pelos Estados Unidos.
“Estamos passando agora país por país e identificando práticas comerciais desleais, seja a tolerância ao trabalho forçado no comércio, seja o excesso estrutural de capacidade, e tudo o que vem com isso”, declarou.
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Siga o Times | CNBCGreer afirmou que as investigações serão concluídas e que novos processos poderão ser abertos.
“Queremos chegar a uma posição em que estejamos protegendo os trabalhadores americanos ou resolvendo essas questões”, disse. “Se chegarmos a uma situação de comércio equilibrado e todos os nossos indicadores estiverem onde queremos, então provavelmente poderemos ter uma política comercial diferente.”
Em 1º de junho, o USTR concluiu que determinadas políticas e práticas brasileiras eram passíveis de resposta sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
O órgão americano apontou problemas relacionados ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil, ao combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e ao desmatamento ilegal.
Como resposta, o USTR propôs uma tarifa adicional de 25% sobre bens brasileiros, com exceções para determinados produtos, matérias-primas e mercadorias já atingidas por tarifas de segurança nacional aplicadas sob a Seção 232. A versão definitiva da medida pode manter, reduzir, ampliar ou modificar o alcance da proposta submetida à consulta pública.
O USTR recebeu manifestações por escrito e realizou uma audiência pública antes do prazo desta quarta-feira.
Leia também: Tarifa do Trump ameaça paralisar mais da metade das usinas de ferro-gusa no Brasil
Durante a conversa, Greer também foi questionado sobre o uso de tarifas para recompensar ou punir países por questões políticas que não estariam diretamente relacionadas à indústria ou ao comércio.
O representante disse concordar que a política econômica deveria se concentrar nos aspectos econômicos, mas afirmou que essa separação se tornou mais difícil.
“Eu concordo fundamentalmente com a ideia de que queremos que a política econômica se concentre na economia. Ao mesmo tempo, está ficando cada vez mais difícil separar a economia de onde os países realmente se posicionam em relação aos Estados Unidos”, declarou.
Greer afirmou que a administração Trump ainda está testando diferentes instrumentos comerciais e ajustando sua atuação conforme decisões judiciais e avaliações sobre o que produz resultados.
Em outro momento, ao tratar da relação com aliados, o chefe do USTR afirmou que os Estados Unidos não pretendem reduzir suas medidas apenas para preservar a coordenação internacional.
“Não vou desacelerar nem permitir que outros países tenham poder de veto sobre o que precisamos fazer para proteger a economia e o trabalhador americanos”, disse.
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