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Fed e Copom devem manter cautela diante de inflação e incertezas globais

Publicado 17/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Expectativa é de manutenção dos juros nos EUA, com o Fed evitando sinalizações antecipadas sobre os próximos passos.
  • No Brasil, inflação acima da meta e riscos ligados ao petróleo e ao clima devem sustentar postura cautelosa do Copom.
  • Economista vê espaço para corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas avalia que o BC deve manter flexibilidade para as próximas decisões.

O Federal Reserve e o Banco Central do Brasil devem adotar uma postura cautelosa em suas decisões de política monetária diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, pela trajetória da inflação e pelos riscos para a economia global, afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Em entrevista nesta quarta-feira (17) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele lembrou que a manutenção dos juros nos Estados Unidos, mesmo com a chegada de Kevin Warsh à presidência do Fed, é a maior possibilidade no momento. Para ele, o foco do mercado estará menos na decisão em si e mais no comunicado e nas declarações posteriores do dirigente.

O Banco Central norte-americano deve manter a parcimônia. Não acredito que dê um forward guidance e deva deixar o cenário em aberto para ter flexibilidade nas próximas reuniões, à medida que novas informações surgirem”, avaliou.

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O economista observou que uma eventual redução das tensões no Oriente Médio pode aliviar a pressão sobre os preços do petróleo, mas ressaltou que ainda há muitas incertezas em jogo. “Se as coisas piorarem, o Fed pode adotar uma postura; se melhorarem, pode continuar com a política atual. Por isso, o comunicado será o ponto-chave da reunião”, destacou.

Inflação preocupa no Brasil

Ao analisar o cenário doméstico, Sung afirmou que o conflito internacional alterou significativamente as perspectivas para a inflação brasileira.

O mundo agora se divide entre o pré-conflito e o pós-conflito. Antes, observávamos uma desaceleração da inflação e a expectativa era de vários cortes de juros ao longo do ano. Depois, vieram as pressões do petróleo, dos alimentos e de outros preços da economia”, explicou.

Além da alta dos combustíveis, ele citou o avanço dos preços dos alimentos, a mudança da bandeira tarifária de energia e a resiliência da inflação de serviços como fatores que mantêm o Banco Central em estado de alerta.

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Segundo o economista, a combinação entre atividade econômica aquecida, mercado de trabalho forte e expectativas de inflação mais elevadas para os próximos anos dificulta uma flexibilização mais acelerada da política monetária.

A inflação brasileira está com um comportamento menos benigno para o Banco Central. As expectativas para 2027 e 2028 se distanciaram ainda mais da meta e há muitos riscos no radar”, ressaltou.

Espaço para corte limitado

Apesar do cenário desafiador, Sung avalia que o atual patamar dos juros ainda oferece margem para uma redução moderada da Selic.

É possível um corte de 0,25 ponto percentual porque a taxa está em um nível bastante restritivo e já impactou o crédito e a atividade econômica. Mas o Banco Central precisará manter a credibilidade e agir com muita cautela”, observou.

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Para as próximas reuniões, contudo, o economista acredita que a autoridade monetária evitará compromissos antecipados. “No cenário atual, o ideal seria parar os juros em 14,25% na próxima reunião para avaliar melhor os efeitos dos choques. Depois disso, se os riscos diminuírem, o ciclo de cortes pode ser retomado para encerrar o ano em 13,75%”, concluiu.

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