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Gastos militares globais atingem US$ 3 trilhões e acendem alerta geopolítico, diz especialista
Publicado 29/04/2026 • 07:30 | Atualizado há 6 meses
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KEY POINTS
O aumento vertiginoso dos gastos militares globais alcançou quase 3 trilhões de dólares (R$ 15 trilhões), refletindo o fim da estabilidade baseada em tratados e na consolidação de uma ordem multipolar, avaliou Marco Túlio Freitas, doutor em Ciências Militares, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que a concentração de 51% desses recursos entre Estados Unidos, China e Rússia reconfigura as alianças tradicionais: “Estamos em uma ordem fragmentada onde tecnologias disruptivas elevam o risco de escalada. Os Estados Unidos estão sinalizando aos aliados para que aprontem suas defesas, indicando que não pretendem mais estender seu guarda-chuva defensivo a todos de forma ilimitada”.
Esse movimento é especialmente visível na Europa, onde o rearmamento acelerado tenta compensar décadas de dependência da proteção americana para manter o bem-estar social. “A Europa, liderada pela Alemanha, tem uma necessidade urgente de readequar seus planos. Vemos uma retirada estratégica dos Estados Unidos, o que força países como a Alemanha a buscarem se transformar no maior exército europeu”.
No Brasil, a vulnerabilidade do setor de defesa é uma preocupação crescente diante de um orçamento que movimenta bilhões de dólares no cenário externo, mas carece de base industrial interna forte.
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Siga o Times | CNBC“A guerra hoje reorganiza todo o sistema industrial global. O Brasil tem poucos nichos competitivos, como a Embraer, mas, de modo geral, perdemos o bonde da história da indústria militar e dependemos de compras diretas para rearmamento a curto prazo”, analisou o doutor.
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Para o estrategista militar, a falta de um plano nacional de longo prazo deixa o país em uma posição de dependência tecnológica e operacional. “Atualmente, nossa única saída viável é o sistema FMS dos Estados Unidos, onde compramos equipamentos com desconto. Não temos uma estrutura soberana para prover defesa em um mundo cada vez mais selvagem e tecnológico”.
Por fim, Freitas reforçou que o cenário para este ano e os próximos permanece de alta nos investimentos bélicos devido às tensões globais persistentes. “A tendência é de aceleração, especialmente com o Congresso Americano aprovando mais de 1 trilhão de dólares (R$ 5 trilhões) para defesa, o que obriga o restante do mundo a seguir essa corrida armamentista para garantir sua sobrevivência política”, concluiu.
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