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Governo britânico pode subir impostos após revisão fiscal e PIB em queda
Publicado 16/06/2025 • 07:09 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 16/06/2025 • 07:09 | Atualizado há 1 ano
Na primavera, o Tesouro britânico tinha cerca de £ 9,9 bilhões de “margem fiscal” disponível para atingir sua meta principal. Os aumentos de impostos são cada vez mais prováveis.
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Quando a chanceler do Reino Unido, Rachel Reeves, anunciou seu orçamento no outono passado, revelou um aumento de £ 70 bilhões (US$ 95 bilhões) nos gastos públicos, financiados por mais empréstimos e £ 40 bilhões em aumentos de impostos — medida que atingiu principalmente as empresas britânicas.
Na época, ela insistiu que seria algo pontual, dizendo aos legisladores que “não voltaremos com mais aumentos de impostos, ou mesmo mais empréstimos”.
Porém, os tempos mudaram. Enquanto Reeves tenta equilibrar as contas públicas e manter suas regras fiscais declaradas como inegociáveis — ao mesmo tempo, em que busca expandir os gastos com serviços públicos em um cenário econômico incerto — ela pode não ter outra alternativa a não ser aprovar novos aumentos de impostos, mesmo que impopulares.
Na primavera, o Tesouro tinha cerca de £ 9,9 bilhões de “margem fiscal” disponível para atingir sua meta principal: fazer com que os gastos diários do governo fossem cobertos por arrecadação de impostos, sem necessidade de empréstimos.
Contudo, as perspectivas econômicas e fiscais se tornaram mais difíceis. O aumento no pagamento de juros da dívida e a arrecadação tributária abaixo do esperado coincidem com uma previsão de crescimento econômico mais fraca.
O Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR) previu, em março, que o Reino Unido teria um crescimento de 1% em 2025 e 1,9% em 2026. Esse órgão independente avalia se o governo conseguirá ou não cumprir suas metas fiscais. No entanto, economistas já consideram essas projeções otimistas. Se as previsões para 2026 forem revistas para baixo, isso pode reduzir ou até eliminar totalmente a margem fiscal disponível.
Diante disso, o governo britânico se vê com três opções: cortar gastos, aumentar os empréstimos ou subir ainda mais os impostos.
Segundo analistas, aumentos de impostos no fim deste ano estão se tornando praticamente inevitáveis. Reeves já se comprometeu a reforçar os serviços públicos e os principais orçamentos ministeriais na última revisão de gastos. Ao mesmo tempo, mantém firme sua posição de que as despesas diárias não devem ser financiadas com novos empréstimos.
James Smith, economista do ING para mercados desenvolvidos, disse que a margem fiscal do governo deve evaporar completamente e que novos aumentos de impostos são cada vez mais prováveis.
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Se o OBR reduzir sua previsão de crescimento para 2026 para 1,5%, a margem disponível já cairia pela metade. Segundo ele, Reeves pode enfrentar um déficit de £ 4 bilhões apenas devido ao cenário econômico adverso — sem contar outras pressões fiscais e orçamentárias.
Ao ser questionada pela imprensa se pretende aumentar impostos ainda este ano, Reeves evitou dar uma resposta direta, dizendo que “não escreveria os orçamentos dos próximos quatro anos antes mesmo de terminar o primeiro ano deste governo”. Ainda assim, admitiu que “o mundo está muito incerto no momento”.
Essas declarações vieram um dia depois de um alerta negativo: dados preliminares do PIB apontaram uma queda de 0,3% na economia britânica em abril, atribuída a tarifas comerciais e aos aumentos de impostos aplicados no outono passado.
Segundo Paul Johnson, diretor do Instituto de Estudos Fiscais, nem a economia, nem as finanças públicas melhoraram desde o ano passado — “pelo contrário”. Ele afirmou que Reeves agora torce para que o OBR não revise suas previsões para baixo no outono.
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Siga o Times | CNBCCom os gastos já definidos e as regras fiscais sendo rigidamente seguidas, qualquer mudança negativa quase certamente levará a novos aumentos de impostos. Johnson ainda destacou que Reeves teve que tomar decisões extremamente difíceis e lidar com limitações fiscais reais, observando que “não dá para ter tudo o que queremos”.
A situação tende a se complicar para o Tesouro durante o verão, enquanto tenta manter esse frágil equilíbrio diante do enfraquecimento das perspectivas de crescimento.
O governo já voltou atrás em alguns cortes de gastos impopulares — como o cancelamento dos pagamentos de combustível de inverno para aposentados — e, na semana passada, anunciou aumentos significativos nos orçamentos de saúde e defesa.
Com cortes de gastos improváveis e a resistência de Reeves em recorrer a empréstimos para cobrir despesas correntes, os aumentos de impostos se tornam sua principal opção.
Mas isso quebraria a promessa de evitar novas elevações de tributos e violaria o manifesto do Partido Trabalhista, que se comprometeu a não aumentar o imposto de renda, as contribuições para a seguridade social (National Insurance) e o IVA (imposto sobre valor agregado).
Agora, membros do Partido Trabalhista temem meses de especulação sobre onde os aumentos de impostos podem incidir. O caminho mais simples, segundo analistas, seria romper com as promessas do manifesto e aumentar o imposto de renda, o seguro nacional ou o IVA. No entanto, o primeiro-ministro Keir Starmer teme reações negativas por “quebrar promessas”.
Reeves provavelmente tentará agrupar medidas menores, como estender até 2030 o congelamento dos limites e deduções do imposto de renda.
Outras opções incluem restringir isenções fiscais para contribuições previdenciárias de pessoas com rendas mais altas, aplicar um imposto de £ 3 bilhões sobre a indústria de jogos de azar e reformar o imposto municipal, que ainda se baseia nos valores de propriedades de 1991.
Para Reeves, não haverá respostas fáceis sobre como fechar essa conta.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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