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Inflação: bancos centrais corrigiram erros de 2021, mas podem exagerar na direção oposta, diz LSE
Publicado 07/04/2026 • 20:46 | Atualizado há 2 meses
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Foto: Agência Brasil
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Os principais bancos centrais do mundo reagiram com determinação ao erro cometido em 2021, quando atrasaram o ciclo de alta de juros diante de uma inflação que já dava sinais claros de aceleração. Mas ao abraçar com tanta força a lição daquele episódio, correm agora o risco de cometer o equívoco inverso: apertar demais, rápido demais, antes que os dados justifiquem. O alerta é de Ricardo Reis, professor de economia da London School of Economics (LSE), durante evento do Bradesco BBI em São Paulo.
Para Reis, a chave para saber se a inflação atual se tornará estrutural está em três estágios de transmissão: se o choque de energia e alimentos contamina os preços de serviços, se esses preços pressionam salários e se as negociações salariais começam a embutir inflação futura de forma sistemática. Por ora, nenhum desses estágios está consolidado. A inflação de serviços nos Estados Unidos ficou praticamente estável nos últimos 12 meses, e os sinais de desancoragem de expectativas existem, mas são, nas palavras do próprio economista, “muito brandos”. Agir antes que essa transmissão se confirme, argumenta Reis, é repetir o erro de 2021 — só que no sentido contrário.
Reis também chamou atenção para uma dimensão menos debatida do aperto monetário americano: o excesso estrutural de reservas bancárias depositadas no próprio Fed. Na sua avaliação, o problema não está apenas na política de compra de títulos — o chamado QE —, mas na supervisão bancária, que por anos pressionou os bancos a manterem volumes excessivos de reservas como colchão regulatório. Reduzir o balanço do Fed sem mudar essas exigências regulatórias, avalia, será insuficiente. E à medida que esse processo avança, os mercados monetários — comportados por décadas — devem voltar a apresentar volatilidade. “Vão ficar interessantes de novo”, disse.
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