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Como o colapso de um dos maiores bancos privados do Irã acelerou a crise econômica e escalou a onda de protestos
Publicado 14/01/2026 • 20:55 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 14/01/2026 • 20:55 | Atualizado há 10 meses
KEY POINTS
Stringer/WANA (West Asia News Agency)
Iranianos participam de um comício pró-governo em Teerã, Irã, em 12 de janeiro de 2026.
O colapso do Ayandeh Bank, uma das maiores instituições privadas do Irã, já é considerado um marco da deterioração do sistema financeiro do país e teria acelerado o agravamento da crise econômica que alimentou uma nova onda de protestos.
O Ayandeh acumulava perto de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26,85 bilhões, na cotação atual) em perdas. A instituição quebrou no fim de 2025 e, para evitar um impacto maior, o governo a incorporou a um banco estatal e recorreu à impressão de moeda para absorver o rombo.
A intervenção conteve o choque imediato, mas não resolveu. O episódio também expôs problemas de solvência e liquidez no sistema bancário iraniano.
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A dissolução do Ayandeh e a incorporação do negócio ao Bank Melli (o maior banco estatal do país) foram registradas pela imprensa internacional em outubro de 2025, quando autoridades e parlamentares intensificaram a pressão pelo encerramento das atividades do banco. O caso também colocou em evidência a avaliação de economistas e autoridades de que outras instituições do país podem enfrentar situação parecida.
A resposta do governo ao colapso ocorreu em um momento em que a economia iraniana já lidava com perda de poder de compra e instabilidade cambial. Após a intervenção, a autoridade monetária elevou a emissão de moeda para acomodar as perdas, o que reforçou um ciclo inflacionário que há anos pressiona o país.
Um ambiente marcado pela desvalorização do rial, alta de preços e uma inflação anual de alimentos que em dezembro chegou a 72% foram combustíveis para a insatisfação popular. Em 2025, o rial perdeu 84% do valor.
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Siga o Times | CNBCEm um artigo do The Wall Street Journal (WSJ), a deterioração econômica é relatada como forte fator para a tomada das ruas nas últimas semanas. Comerciantes do bazar de Teerã, grupo historicamente relevante para a política iraniana, aderiram a manifestações motivadas por perdas econômicas, volatilidade de preços e desvalorização do rial. O movimento tem se espalhado por outras cidades desde o fim de dezembro.
O colapso do Ayandeh intensificou a percepção de que o sistema econômico favorece grupos conectados ao poder, o que aprofundou o sentimento de injustiça em meio ao encarecimento do custo de vida. No plano fiscal, o jornal afirma que, ao mesmo tempo em que arcava com o custo de absorver o rombo do banco, o governo avançou com medidas de ajuste no orçamento, incluindo redução de apoios e mudanças em mecanismos de subsídios — e isso contribuiu para elevar a tensão social.
O Ayandeh foi fundado em 2013 por Ali Aliakbar Ansari, empresário associado a círculos políticos conservadores. A instituição oferecia algumas das maiores taxas de juros do país para atrair depositantes e, ao mesmo tempo, recorria a financiamento do banco central — dinâmica que economistas apontam como inflacionária.
Dias após a crise ganhar tração, o Reino Unido sancionou Ansari em outubro de 2025, afirmando que o executivo forneceu apoio financeiro a atividades vinculadas à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Um dos símbolos do caso, segundo o WSJ, foi o Iran Mall, megaprojeto em Teerã associado ao Ayandeh e frequentemente citado como exemplo de gastos suntuosos em contraste com a estagnação do restante da economia. O jornal relata que economistas e autoridades iranianas apontaram indícios de “autoempréstimo”, quando o banco teria financiado projetos ligados ao próprio controlador e concentrado parcela elevada dos recursos em empreendimentos sob influência da instituição.
O debate sobre a atuação do Ayandeh se arrastou por anos no Irã. Reportagem da Al Jazeera afirma que o banco vinha sendo criticado por políticos de diferentes correntes por problemas de governança e supervisão, em um sistema bancário afetado por sanções e fragilidades regulatórias. A crise do Ayandeh escancarou um sistema bancário sob pressão de sanções e dependente do Estado. Esse cenário dificulta o controle da inflação e da queda do rial.
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