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Jornalista paraguaio, Andrés Colmán Gutierrez, cita PCC e Comando Vermelho ao comentar crise de Peña e ligações entre política e crime organizado no Paraguai

Publicado 06/11/2026 • 09:15 | Atualizado há 24 minutos

KEY POINTS

  • O jornalista paraguaio Andrés Colmán Gutiérrez citou o PCC e o Comando Vermelho ao comentar denúncias sobre a influência do crime organizado na política do Paraguai.
  • Colmán relembrou suspeitas envolvendo a segurança de Santiago Peña durante a campanha presidencial e o caso do ex-deputado Lalo Gomes, investigado por ligações com o narcotráfico.
  • Questionado sobre possível lavagem de dinheiro pelo Ueno Bank, o jornalista afirmou que as investigações podem trazer novos desdobramentos.

A crise política e financeira que ameaça derrubar o presidente do Paraguai, Santiago Peña, reacendeu denúncias sobre a influência do crime organizado no país, incluindo suspeitas de ligações de políticos com facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. O assunto foi abordado pelo jornalista paraguaio Andrés Colmán Gutiérrez, que também apontou o rompimento entre Peña e o ex-presidente Horacio Cartes como um dos fatores por trás da crise.

Em entrevista ao Times Brasil | CNBC nesta sexta-feira (6), Colmán afirmou que a presença do narcotráfico na política paraguaia é um problema antigo. Questionado sobre a possibilidade de o Ueno Bank, cuja crise desencadeou o processo de impeachment contra Peña, ter sido utilizado para lavagem de dinheiro do crime organizado, o jornalista relembrou denúncias envolvendo a campanha presidencial de 2023.

“A questão da conexão com o crime organizado no Paraguai é muito forte com a política, o que nós chamamos de narcopolítica”, afirmou o jornalista.

Suspeitas envolvendo facções brasileiras

Colmán citou denúncias sobre a presença de pessoas ligadas ao narcotráfico na segurança de Peña durante a campanha presidencial, na região de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.

A suspeita já havia sido divulgada pela imprensa em 2023. Segundo reportagens publicadas naquele ano, um homem identificado como Iuri Borges Gusmão, ligado à segurança do suposto narcotraficante brasileiro Antônio Joaquim da Mota, conhecido como Motiña, declarou à Polícia Federal brasileira que participou da escolta de Peña durante um evento eleitoral em novembro de 2022.

A investigação foi divulgada pela Record TV e repercutida nos jornais paraguaios ABC Color e Última Hora. A equipe do então candidato afirmou, na época, que a segurança do evento era responsabilidade dos organizadores locais.

“Tínhamos falado da presença de Peña em uma campanha em Pedro Juan Caballero, com Ponta Porã, e está comprovado que gente do PCC, ou do Comando Vermelho, acho, escoltaram ele. Depois tentaram desmentir isso”, afirmou Colmán.

Na entrevista, o jornalista não especificou a qual das duas facções os envolvidos pertenceriam. Ele também não apresentou novas provas de ligação direta entre Peña e essas organizações criminosas.

Caso Lalo Gomes e ligações com o narcotráfico

O jornalista também mencionou Eulalio Gomes, conhecido como Lalo Gomes, ex-deputado paraguaio morto durante uma operação policial em agosto de 2024.

Gomes, integrante do Partido Colorado, era investigado por suspeitas de ligação com narcotraficantes que atuavam na fronteira com o Brasil. Documentos e investigações jornalísticas apontaram possíveis relações financeiras entre empresas associadas ao ex-parlamentar e pessoas investigadas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Em junho de 2024, Peña participou de atividades oficiais em Pedro Juan Caballero e apareceu publicamente ao lado de Gomes, que já era alvo de questionamentos sobre suas relações empresariais.

Colmán citou o caso como exemplo da proximidade entre setores políticos e personagens investigados por atividades criminosas no Paraguai.

O jornalista também mencionou Darío Messer, condenado no Brasil por lavagem de dinheiro, ao comentar as relações do ex-presidente Horacio Cartes com empresários envolvidos em investigações criminais.

Na avaliação do entrevistado, esses episódios mostram a necessidade de aprofundar a investigação sobre as conexões entre política, interesses empresariais e crime organizado no país.

Ueno Bank pode ampliar crise política

Questionado sobre uma possível utilização do Ueno Bank para lavagem de dinheiro por organizações criminosas, Colmán afirmou que as investigações em andamento podem trazer novas informações.

O jornalista, porém, não apresentou provas de que a instituição financeira tenha sido utilizada pelo PCC ou pelo Comando Vermelho.

Até o momento, as investigações oficialmente anunciadas sobre o banco se concentram em suspeitas de irregularidades financeiras, operações com empresas relacionadas ao grupo controlador, fiscalização bancária e aplicação de recursos públicos na instituição.

O Ministério Público paraguaio abriu três investigações relacionadas ao caso, incluindo denúncias que envolvem Peña e autoridades responsáveis pela fiscalização e pela administração de recursos estatais.

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Rompimento com Horacio Cartes

Colmán também relacionou o enfraquecimento político de Peña ao rompimento com Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai e atual dirigente do Partido Colorado.

“Ele foi quem pôs Santiago Peña quando a Constituição do Paraguai não permite a reeleição. Então, ele já não podia ser. Ele pôs Peña como um títere, falamos nós aqui, como uma pessoa que ele podia manejar”, afirmou Colmán, referindo-se a Cartes.

Segundo o jornalista, Cartes teve papel central na ascensão de Peña à Presidência, mas os dois passaram a disputar influência dentro do partido.

O entrevistado afirmou que Peña tentou construir sua própria base política e apoiar uma futura candidatura do vice-presidente Pedro Alliana nas eleições presidenciais de 2028.

Para Colmán, a disputa interna contribuiu para o isolamento político do presidente em meio ao colapso do Ueno Bank.

O jornalista também afirmou que a crise pode abrir espaço para a oposição, após décadas de predominância do Partido Colorado na política paraguaia.

Protestos e impeachment

Colmán descreveu um ambiente de forte insatisfação popular em Assunção, onde manifestantes se reuniram nas proximidades do Congresso durante a discussão sobre a renúncia e o impeachment.

Segundo ele, a crise bancária provocou uma reação que vai além dos problemas enfrentados pelos clientes do Ueno Bank.

O jornalista avaliou que Peña enfrenta dificuldades para reunir apoio político suficiente para permanecer no cargo e disse acreditar que o julgamento poderá ser concluído ainda nesta sexta-feira.

“Pode ser que alguns legisladores tentem defender ele, mas eu acho que não, porque a indignação do povo é muito forte. Ninguém quer se expor e queimar sua carreira política”, afirmou o jornalista.

Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso não concluiu a votação do pedido, após a sessão ficar sem quórum. Por isso, ele permanecia formalmente presidente no momento da entrevista.

O Senado marcou para as 10h desta sexta-feira, no horário de Brasília, a apresentação da defesa do presidente no processo de impeachment.

Entenda a crise do Ueno Bank

O Ueno Bank, instituição privada ligada ao Grupo Vázquez, entrou em processo de resolução após o Banco Central do Paraguai identificar problemas graves de solvência.

O banco atendia cerca de 3 milhões de clientes e concentrava centenas de milhões de dólares em depósitos de órgãos públicos e fundos previdenciários.

Peña foi acionista de uma empresa vinculada ao grupo empresarial até março de 2025, mas afirma que nunca teve participação direta no banco.

O Ministério Público investiga denúncias relacionadas à supervisão da instituição, à destinação de recursos públicos e à possível responsabilidade de autoridades e dirigentes bancários.

As investigações ainda não estabeleceram participação de Peña em operações criminosas envolvendo facções brasileiras.

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