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‘Master Paraguaio’: o que se sabe sobre a fortuna de Santiago Peña?
Publicado 08/11/2026 • 10:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 08/11/2026 • 10:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: AFP
'Master Paraguaio': o que se sabe sobre a fortuna de Santiago Peña?
O patrimônio do presidente do Paraguai, Santiago Peña, entrou no centro das discussões políticas após o colapso do Ueno Bank, instituição conhecida como o “Master paraguaio”. Uma denúncia apresentada por parlamentares da oposição aponta que os bens do chefe do Executivo cresceram aproximadamente 1.603% entre 2017 e 2023.
Segundo o levantamento, o patrimônio declarado passou de 1,35 bilhão para 23 bilhões de guaranis (aproximadamente R$ 20 milhões). A evolução levantou questionamentos sobre a origem dos recursos, principalmente por causa da antiga relação de Peña com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank.
Leia também: ‘Master paraguaio’: Santiago Peña pede mais 72 horas para apresentar defesa em processo de impeachment no Paraguai
Os questionamentos sobre a evolução patrimonial do presidente começaram antes do colapso bancário. Em outubro de 2025, parlamentares opositores apresentaram uma denúncia sobre o crescimento dos bens de Peña e levantaram dúvidas sobre a origem dos recursos.
Entre os pontos citados estava a construção de uma residência em San Bernardino, estimada em US$ 2 milhões (R$ 10,76 milhões) pelos denunciantes. Os parlamentares também questionaram o aumento da participação de Peña na holding ligada ao Ueno Bank.
Em maio de 2026, a Controladoria-Geral do Paraguai informou ter identificado compatibilidade entre os rendimentos do presidente e o patrimônio declarado. Segundo o órgão, os pagamentos da residência incluíram recursos de um empréstimo concedido pelo próprio Ueno e valores obtidos com o resgate de ações da holding.
A conclusão, entretanto, não encerrou a controvérsia. Os denunciantes contestaram o entendimento da Controladoria, enquanto o Ministério Público designou um promotor para investigar suspeitas de enriquecimento ilícito e outros possíveis crimes. Peña nega irregularidades.
Outro ponto importante envolve a relação empresarial do presidente com o grupo controlador do banco. Peña manteve participação no Grupo Vázquez até março de 2025, quando já ocupava a Presidência.
A ligação ganhou relevância porque o Ueno administrava entre US$ 800 milhões (R$ 4,403 bilhões) e US$ 850 milhões (R$ 4,573 bilhões) em recursos públicos. Desse total, aproximadamente US$ 380 milhões (R$ 2 bilhões) estavam relacionados ao sistema estatal de previdência e saúde.
A oposição passou a questionar por que órgãos governamentais e fundos estatais mantinham aplicações expressivas na instituição enquanto Peña tinha vínculos anteriores com o conglomerado.
Leia também: Fundador do Ueno Bank e quatro ex-diretores são levados para presídio no Paraguai
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Siga o Times | CNBCAs apurações apontaram possíveis irregularidades em operações de crédito destinadas a empresas relacionadas ao grupo controlador. Entre os problemas investigados estão empréstimos com garantias insuficientes, beneficiários com capacidade financeira questionável e falhas na documentação das operações.
A fiscalização do Ueno entrou no radar das autoridades. Carlos Carvallo, que deixou a presidência do Banco Central a pedido de Peña, havia dirigido a antiga Financiera Ueno antes de assumir o comando do órgão regulador, em 2023.
A trajetória levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses. Em junho de 2026, o Banco Central alertou o Ueno sobre o excesso de empréstimos concedidos a empresas ligadas aos proprietários. Meses depois, a Fitch mudou a perspectiva do banco para negativa.
Com o agravamento da crise, o Ministério Público formalizou acusações contra 27 pessoas, incluindo integrantes da administração da instituição. Oito dirigentes foram detidos.
O episódio também comprometeu o Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai. Os depósitos garantidos do Ueno somavam 5,08 trilhões de guaranis, mais da metade dos 9,54 trilhões administrados pelo fundo.
A crise financeira se transformou em uma crise política. Após três dias de protestos e a perda de apoio de parlamentares de sua própria base, Santiago Peña anunciou sua renúncia em 5 de novembro de 2026. A saída, contudo, ainda dependia de formalização pelo Congresso. A votação foi interrompida depois que parlamentares governistas deixaram a sessão e provocaram a perda de quórum.
Leia também: “Master Paraguaio”: Peña pode ter fugido do país, dizem parlamentares; Senado decide impeachment hoje
Além disso, o Ministério Público abriu investigações criminais relacionadas ao colapso do banco, incluindo uma envolvendo Peña e integrantes atuais e antigos do governo. Em 6 de novembro, o presidente também pediu mais 72 horas para apresentar sua defesa no processo de impeachment.
Assim, a fortuna de Santiago Peña continua sob questionamento. Embora a Controladoria tenha apontado compatibilidade entre seus rendimentos e os bens declarados, o Ministério Público ainda apura possíveis irregularidades. Até o momento, as suspeitas não representam uma condenação por enriquecimento ilícito.
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