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Meta de inflação de 2% nos EUA fica mais difícil em novo cenário

Publicado 03/07/2026 • 15:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A meta de 2% de inflação dos Estados Unidos tornou-se mais difícil de atingir diante das mudanças estruturais na economia global e da persistência de pressões sobre os preços.
  • Os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo, já que o mercado de trabalho segue resiliente e a inflação continua no foco do Federal Reserve.
  • Conflitos geopolíticos, preços do petróleo e commodities seguem entre os principais fatores que influenciam as decisões de política monetária nos Estados Unidos.

A meta de 2% de inflação dos Estados Unidos tornou-se mais difícil de alcançar após as transformações econômicas dos últimos anos, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da LEV DTVM, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, embora continue sendo a principal referência para o Federal Reserve (Fed), o cenário inflacionário mudou significativamente desde a pandemia.

Talvez, dado o padrão de inflação que mudou, essa meta esteja muito mais difícil de ser atingida do que foi no passado“, afirmou nesta sexta-feira (3). O economista lembrou que os Estados Unidos sequer possuem uma meta formal de inflação, mas tratam os 2% como um objetivo consolidado da política monetária.

Juros elevados

Para Vieira, a combinação de mercado de trabalho aquecido, salários em alta e inflação ainda resistente reduz o espaço para cortes de juros no curto prazo.

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Segundo ele, a recente acomodação dos preços do petróleo, após a redução das tensões envolvendo o Irã, diminuiu o risco de novas altas dos juros, mas não cria condições suficientes para um ciclo de afrouxamento monetário. “Muito provavelmente o que tende a acontecer é uma manutenção dos juros por um tempo bastante indeterminado nos Estados Unidos“, afirmou.

O economista explicou que o alívio recente no preço do petróleo evita uma pressão adicional sobre a inflação, mas o Fed continua atento ao comportamento dos preços da energia e das commodities.

Tarifas e petróleo

Na avaliação de Vieira, os efeitos inflacionários das tarifas comerciais implementadas pelos Estados Unidos tendem a perder força ao longo do tempo.

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Segundo ele, o impacto ocorre principalmente no momento da adoção das tarifas, enquanto a política monetária acompanha a variação contínua dos preços. “A tarifa acontece uma vez só. O preço sobe e depois esse efeito deixa de pressionar a inflação mensal“, explicou.

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Já as oscilações do petróleo, provocadas por conflitos geopolíticos, continuam representando um dos principais riscos para a inflação americana.

Além da energia, o economista destacou que a evolução dos preços internacionais das commodities permanece no radar das autoridades monetárias.

Nova realidade

Vieira afirmou que os Estados Unidos vivem uma situação pouco comum para sua história econômica, convivendo simultaneamente com inflação mais elevada e juros altos por um período prolongado.

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Segundo ele, apesar desse ambiente, a economia americana continua demonstrando resiliência, com geração de empregos, aumento dos salários e crescimento da produtividade. “Os Estados Unidos estão aprendendo a conviver com uma taxa de juros e uma inflação relativamente elevadas“, afirmou.

Na avaliação do economista, esse novo cenário pode exigir uma revisão dos modelos tradicionais de política monetária utilizados nas últimas décadas.

Inflação seguirá no foco

Para Vieira, o próximo presidente do Federal Reserve deverá manter a inflação como prioridade, já que o mercado de trabalho permanece em situação confortável.

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Com taxa de desemprego próxima de 4,2%, ele avalia que o duplo mandato do banco central americano hoje pesa muito mais para o controle dos preços do que para o estímulo ao emprego. “O foco será a inflação. O mercado de trabalho está bem e não representa hoje a principal preocupação do Federal Reserve“, concluiu.

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