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Midterms nos EUA: quais setores da economia brasileira podem ser afetados por uma vitória democrata?
Publicado 02/11/2026 • 20:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/11/2026 • 20:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Diego Delso/CC BY-SA 3.0/Wikimedia Commons.
Capitólio dos Estados Unidos, em Washington, sede do Congresso americano, que terá sua composição renovada parcialmente nas eleições de 3 de novembro.
As eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem ter consequências para empresas brasileiras que vendem produtos aos americanos ou recebem investimentos do país. Se os democratas conquistarem a maioria no Congresso, poderão aumentar a pressão sobre as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump e fiscalizar mais de perto os recursos destinados a projetos estratégicos, como a exploração de terras raras no Brasil.
Para os exportadores brasileiros, a principal questão é saber se haverá espaço para reduzir as tarifas que encarecem seus produtos no mercado americano. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as sobretaxas adotadas em julho atingem 23,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, considerando a composição do comércio de 2024. Máquinas, móveis e calçados estão entre os produtos afetados.
Leia também: Custo de vida e rejeição a Trump pressionam republicanos nas eleições de meio de mandato
Mas uma vitória democrata não significa que essas tarifas serão retiradas. Trump continuará com poderes para manter medidas comerciais sem precisar de uma nova aprovação do Congresso. Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso americano (CRS), atualizado em 29 de outubro, aponta que os parlamentares podem propor mudanças nas tarifas aplicadas ao Brasil e influenciar negociações comerciais, inclusive sobre minerais críticos. Essas iniciativas, porém, dependeriam de aprovação legislativa e poderiam enfrentar um veto presidencial.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos encarecem os produtos brasileiros no mercado americano e podem prejudicar as exportações do país.
Em julho de 2026, o governo Trump adotou duas cobranças adicionais. Uma delas, de 25%, atinge determinados produtos brasileiros. A outra, de 12,5%, faz parte de medidas contra o trabalho forçado na produção de mercadorias e também se aplica a outros países.
As duas tarifas podem ser cobradas sobre o mesmo produto, chegando a 37,5% de cobrança adicional. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), essa situação atinge 16,5% das exportações brasileiras para os EUA, considerando os dados de 2024. Entre os produtos afetados estão máquinas, madeira, calçados, móveis e roupas.
Outros 1,9% das exportações estão sujeitos apenas à tarifa de 25%, enquanto 4,7% enfrentam a de 12,5%. Já 52,7% não são atingidos por essas medidas nem por outras tarifas específicas, mas continuam sujeitos aos impostos normais de importação.
As novas cobranças entraram em vigor em um momento de queda nas vendas brasileiras para os EUA. No primeiro semestre de 2026, as exportações somaram US$ 17,4 bilhões, recuo de 13% em relação ao mesmo período de 2025, puxado principalmente pela redução dos embarques de petróleo e produtos siderúrgicos. Como as tarifas começaram a valer em julho, elas não explicam essa queda.
Uma vitória democrata nas midterms poderia aumentar a pressão sobre Trump para rever as tarifas. Com maior controle sobre o Congresso, o partido poderia investigar os efeitos das cobranças e exigir explicações do governo.
Para as empresas brasileiras, isso abriria espaço para uma possível revisão das medidas. No entanto, uma vitória democrata não garantiria a redução das tarifas, que dependeria de novas decisões do governo americano ou de mudanças na legislação.
Os minerais críticos também são uma área de interesse dos Estados Unidos no Brasil. Eles são usados na fabricação de celulares, carros elétricos, equipamentos industriais e tecnologias militares. Alguns desses materiais, como as terras raras, são considerados estratégicos porque são essenciais para diversas indústrias.
De acordo com CRS, o Brasil está entre os principais fornecedores dos Estados Unidos de 11 produtos minerais. São materiais que os americanos precisam importar para atender grande parte de sua demanda interna. Entre eles estão nióbio, silício e estanho.
Esse interesse já se transformou em investimentos no Brasil. Em fevereiro de 2026, uma agência do governo americano que financia projetos de desenvolvimento em outros países, conhecida pela sigla DFC, aprovou um empréstimo de US$ 565 milhões para ampliar a mina de terras raras Pela Ema, da Serra Verde, em Goiás.
Em agosto, a empresa americana USA Rare Earth anunciou um pacote de US$ 1,55 bilhão relacionado à aquisição da Serra Verde e a um acordo de fornecimento de terras raras.
O pacote inclui US$ 750 milhões em investimento do Departamento de Defesa dos EUA, até US$ 500 milhões em financiamento bancário e pelo menos US$ 300 milhões em um contrato de compra de terras raras ao longo de cinco anos. Isso não significa que todo esse dinheiro será aplicado diretamente na mina brasileira, já que os valores incluem diferentes operações financeiras e comerciais.
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Siga o Times | CNBCO resultado das midterms pode mudar quem controla as comissões do Congresso responsáveis por fiscalizar os gastos do governo americano. Com uma maioria democrata, parlamentares poderiam convocar representantes de agências federais, exigir informações sobre os financiamentos e questionar os critérios usados para escolher os projetos beneficiados.
Além disso, o Congresso participa da aprovação do orçamento federal e pode alterar as regras de programas de financiamento. Por isso, uma mudança na composição das duas Casas poderia influenciar as condições para novos investimentos americanos em mineração, inclusive em projetos brasileiros.
Na prática, empresas que buscam recursos de agências americanas poderiam enfrentar mudanças nas exigências ou nas condições de financiamento, caso o Congresso aprovasse novas regras.
Os financiamentos já aprovados, como o da Serra Verde, não seriam cancelados automaticamente pelo resultado das eleições. Trump também continuaria no comando do Executivo, responsável por administrar parte desses programas.
Para o Brasil, a questão é importante porque o país busca atrair investimentos não apenas para extrair minerais, mas também para processá-los e fabricar produtos de maior valor. As decisões americanas sobre financiamento e fornecimento de matérias-primas podem influenciar as oportunidades de participação de empresas brasileiras nessas cadeias produtivas.
A política energética americana também poderá entrar nas disputas entre a Casa Branca e o Congresso. Uma maioria democrata poderia ampliar a fiscalização sobre decisões de licenciamento, exploração de petróleo e gás e incentivos à geração de energia renovável.
No entanto, a relação entre o resultado das midterms e os preços internacionais de energia é menos direta. A produção americana depende de decisões das empresas, custos, demanda e condições de mercado, além das políticas governamentais.
Para o Brasil, a importância econômica dessa relação aparece no comércio de petróleo e derivados. Segundo o relatório do CRS, combustíveis minerais estão entre os principais produtos negociados entre os dois países, com destaque para o petróleo bruto nas vendas brasileiras e os derivados nas exportações americanas.
Mudanças na política energética dos Estados Unidos podem influenciar as condições de oferta e demanda internacionais, mas não há base para prever uma alta ou queda do petróleo apenas em razão de uma vitória democrata.
Por isso, eventuais reflexos sobre empresas brasileiras do setor dependerão mais das medidas concretas adotadas depois da eleição do que da mudança partidária no Congresso.
O alcance das mudanças dependerá do resultado em cada Casa do Congresso.
Se os democratas conquistarem apenas a Câmara dos Representantes, poderão assumir o comando de comissões, realizar investigações e aprovar propostas, mas enfrentarão dificuldades para transformá-las em leis caso o Senado permaneça sob controle republicano.
Se conquistarem também o Senado, terão maior influência sobre a agenda legislativa e sobre a confirmação de indicados pelo presidente para cargos federais. Ainda assim, Trump conservará o poder de veto, além das competências já atribuídas ao Executivo pela legislação americana.
A manutenção do controle republicano nas duas Casas, por sua vez, preservaria um ambiente legislativo mais favorável às propostas do governo, embora não garantisse sua aprovação..
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