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‘Master paraguaio’: Moody’s vê fragilidade institucional no Paraguai após crise do Ueno Bank e renúncia de Peña

Publicado 06/11/2026 • 18:33 | Atualizado há 11 minutos

KEY POINTS

  • A Moody’s avalia que a crise do Ueno Bank expõe falhas de governança no Paraguai, mas não altera de imediato o risco soberano do país.
  • O fundo garantidor deve cobrir integralmente cerca de 97% dos depositantes do Ueno, segundo informações divulgadas pelo banco central.
  • A agência espera transição política ordenada e manutenção da disciplina fiscal, mas alerta para riscos à confiança dos investidores.

Foto: AFP

A crise que levou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a anunciar sua renúncia revelou fragilidades persistentes nas instituições do país, segundo avaliação divulgada pela Moody’s Ratings nesta sexta-feira (6). A agência considera que a quebra do Ueno Bank e a reação política ao episódio expõem deficiências de governança, fiscalização e combate à corrupção, embora não preveja impacto imediato sobre o perfil de crédito soberano paraguaio.

Peña anunciou a saída na quinta-feira (5), depois de protestos e da perda de apoio do Partido Colorado. O Congresso, porém, rejeitou a renúncia e iniciou um processo de impeachment, diante dos vínculos pessoais do presidente com a instituição financeira. O relatório da Moody’s atribui a resistência do país a choques ao crescimento econômico e a uma dívida pública equivalente a aproximadamente 38% do Produto Interno Bruto (PIB).

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A classificação soberana do Paraguai permanece em Baa3, com perspectiva estável, conforme identificada no estudo. A Moody’s ressalta que a análise publicada não constitui uma nova ação de rating, mas uma avaliação das consequências da crise para a qualidade institucional e para a economia.

Quebra do Ueno expõe riscos ao sistema bancário

O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou na terça-feira (3) que colocou o Ueno Bank em processo de resolução, após identificar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo regulatório. A deterioração apareceu depois de ajustes nas demonstrações financeiras realizados durante uma revisão de supervisão.

A dimensão do banco aumenta a relevância do episódio: em setembro, o Ueno concentrava 8% dos empréstimos e 9% dos depósitos do sistema bancário paraguaio. Para a agência, o fechamento prejudica o setor financeiro e evidencia falhas de supervisão, embora os riscos sistêmicos possam ser contidos por uma resolução rápida e organizada.

Segundo informações do BCP citadas pela Moody’s, o fundo garantidor de depósitos poderá reembolsar integralmente cerca de 97% dos depositantes. Em setembro, o fundo tinha liquidez de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,78 bilhões), aproximadamente o dobro do volume de depósitos garantidos do Ueno. O uso desses recursos não representa, por si só, uma despesa fiscal imediata.

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O impacto sobre as contas públicas dependerá de eventuais perdas de instituições estatais ou da necessidade de suporte orçamentário. A Moody’s aponta como possível passivo contingente o apoio de liquidez do banco central ao fundo garantidor, mas considera limitados, neste momento, os custos fiscais diretos identificáveis.

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Corrupção e supervisão sob questionamento

A quebra também ampliou questionamentos sobre a independência da supervisão bancária. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou após o colapso; ele havia presidido anteriormente a Financiera Ueno, antecessora do banco. Parlamentares alegaram uso indevido de recursos de fundos de pensão e tentativas de encobrir irregularidades. O relatório trata essas afirmações como alegações que ainda exigem investigação confiável.

A agência observa que os indicadores internacionais de governança do Paraguai seguem abaixo dos de países com classificação semelhante. Em 2025, os resultados de eficácia governamental, Estado de direito e controle da corrupção ficaram no 25º percentil ou abaixo entre os países avaliados, com destaque para o enfraquecimento do controle da corrupção ao longo da última década.

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Apesar das limitações, a Moody’s reconhece avanços decorrentes de reformas fiscais, administrativas e previdenciárias. O problema, segundo a análise, é que a capacidade institucional e a implementação das medidas continuam insuficientes, como demonstram a crise bancária e atrasos inesperados no pagamento de obrigações fiscais anunciados anteriormente pelo governo.

Sucessão presidencial e efeitos econômicos

Na esfera política, o vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor constitucional de Peña. A Moody’s espera que ele assuma a Presidência quando a saída for formalizada, por renúncia ou ao fim do impeachment, e conclua o mandato previsto até agosto de 2028. A expectativa da agência é de preservação da disciplina fiscal, da autonomia monetária do BCP e do regime de metas de inflação.

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O cenário central da Moody’s é de transição ordenada e continuidade das políticas econômicas. A agência adverte, no entanto, que uma disputa prolongada pelo poder, acompanhada de instabilidade política e social, poderia prejudicar a atividade econômica, as contas públicas e a confiança dos investidores. Por isso, continuará acompanhando os possíveis efeitos da crise sobre o risco soberano paraguaio.

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