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Mortes por terremotos na Venezuela passam de 1.700; EUA ampliam ajuda humanitária

Publicado 29/06/2026 • 17:41 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Número de mortos supera 1.700 e milhares de pessoas continuam desaparecidas após os terremotos.
  • Forças americanas trabalham para reabrir porto estratégico e acelerar a chegada de ajuda humanitária.
  • População critica lentidão da resposta oficial enquanto aumentam relatos de saques e dificuldades nos resgates.

Ariana Cubillos / Associated Press / Estadão Conteúdo

Um homem retira itens em meio aos escombros de construções que desabaram em La Guaira, na Venezuela

Cinco dias após os terremotos que devastaram a região costeira de La Guaira, na Venezuela, as equipes de resgate enfrentam um cenário cada vez mais difícil. O número de mortos ultrapassou 1.700, enquanto dezenas de milhares de pessoas seguem desaparecidas sob os escombros, reduzindo as esperanças de encontrar sobreviventes.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos intensificaram a operação de ajuda humanitária no país. Militares americanos trabalham para recuperar a infraestrutura do principal porto atingido pelo desastre, permitindo o desembarque de equipamentos e suprimentos destinados às áreas mais afetadas.

Operação de resgate

Em um depósito portuário adaptado como necrotério improvisado em La Guaira, centenas de corpos aguardavam identificação em sacos funerários e caixões, enquanto familiares buscavam informações sobre parentes desaparecidos.

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“Na minha casa moravam 11 pessoas. Apenas duas sobreviveram porque estavam trabalhando”, relatou à AFP o venezuelano Wilker Molalla. “Minha irmã, os filhos dela e também os filhos do meu irmão estão lá.”

As chances de localizar sobreviventes diminuíram após o fim das primeiras 72 horas, consideradas decisivas em operações desse tipo. Ainda assim, alguns resgates mantêm viva a esperança.

Uma mensagem enviada por WhatsApp indicou que uma mulher permanecia viva sob os escombros de um edifício residencial em Caraballeda, uma das localidades mais atingidas, cerca de 40 quilômetros de Caracas.

Também nesta segunda-feira, um jovem de 21 anos, identificado como Aaron Levi, foi retirado com vida dos destroços em Tanaguarena, em uma operação registrada por um fotógrafo presente no local.

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Ajuda internacional

Segundo autoridades americanas, fuzileiros navais trabalham para recuperar o porto danificado, enquanto militares da Força Aérea ajudam a restabelecer as operações no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, próximo à capital venezuelana.

O terminal já retomou parcialmente os voos de carga e ajuda humanitária. Helicópteros americanos transportam suprimentos para as regiões atingidas e embarcações militares seguem descarregando equipamentos no litoral de La Guaira.

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De acordo com a presidente interina Delcy Rodríguez, 24 países enviaram 521 toneladas de ajuda, além de 86 equipes com cães farejadores e mais de 2.700 profissionais especializados em busca e resgate.

Os Estados Unidos, principal aliado do atual governo venezuelano desde a deposição de Nicolás Maduro, em janeiro, anunciaram a ampliação da assistência financeira de US$ 150 milhões (R$ 778,5 milhões) para US$ 300 milhões (R$ 1,56 bilhão).

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Danos e tensão

Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na noite de quarta-feira, deixaram 3.150 feridos e também foram sentidos na Colômbia. Um novo tremor de magnitude 4,6 foi registrado nesta segunda-feira, aumentando os temores de novos desabamentos.

Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, 774 edifícios sofreram danos graves, dos quais 189 desabaram completamente.

O agravamento da crise também elevou a tensão em algumas cidades. Moradores relataram episódios de saques a farmácias, supermercados e outros estabelecimentos comerciais em La Guaira, enquanto criticam a lentidão da resposta das autoridades.

Em Tucacas, voluntários chegaram a cobrar a participação direta de militares nas buscas. “O país precisa de vocês. Larguem as armas”, disse um morador a um grupo de soldados.

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A Organização Internacional para as Migrações (OIM), vinculada à ONU, estima que até 6,76 milhões de pessoas possam ter sido afetadas pelo desastre e necessitem de abrigo, água, saneamento, atendimento médico e outros itens essenciais.

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