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No G20, Lula defende ‘soberania digital’ e protagonismo de países em desenvolvimento na cadeia de minerais críticos
Publicado 23/11/2025 • 08:32 | Atualizado há 8 meses
Publicado 23/11/2025 • 08:32 | Atualizado há 8 meses
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Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva traçou um panorama da relação entre minerais críticos, inteligência artificial e trabalho decente em discurso no segundo dia da Cúpula de Líderes do G20, em Joanesburgo, na África do Sul. Para ele, a forma de integrar esses três vetores define não apenas o presente, mas o futuro das próximas gerações.
Na fala deste domingo (23), no painel “Um Futuro Justo e Equitativo para Todos”, Lula alertou para os riscos de a inovação tecnológica aprofundar desigualdades e defendeu que nações com grandes reservas de minérios não sejam tratadas como meras fornecedoras. Para isso, enfatizou a urgência de uma governança global da IA centrada na Organização das Nações Unidas (ONU).
“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica”, declarou. O líder brasileiro reforçou que “o que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam.”
Lula ressaltou a importância de investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que contribuam para fortalecer a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos, e citou a criação do Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no Brasil. “A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população”.
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Colonialismo digital
Ao abordar o tema da Inteligência Artificial, Lula reconheceu que a IA é um “caminho sem volta” e uma oportunidade para impulsionar um futuro mais equitativo, mas apontou desafios em torno do acesso desigual.
O presidente chamou atenção para a disparidade digital. Citou que 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso ao mundo digital e que a taxa de acesso à internet é de 93% em países de alta renda, enquanto não chega a 30% em nações de baixa renda. “Quando poucos controlam algoritmos, dados e infraestruturas, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital”, alertou o presidente.
Neste contexto, ele pediu urgência para que as maiores economias do mundo aprofundem o debate sobre a governança da IA, tendo as Nações Unidas como centro da discussão. O presidente ainda parabenizou a África do Sul pela “Iniciativa IA para a África”.
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