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Tarifaço amplia desafios do agro e reforça necessidade de negociação, diz ex-ministro da agricultura

Publicado 16/07/2026 • 12:20 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Tarifa amplia custos e reduz competitividade de produtos brasileiros no mercado americano.
  • Negociação é o principal caminho para evitar novos prejuízos ao agronegócio, diz Aprobio.
  • Diversificação de mercados pode reduzir dependência das exportações para os Estados Unidos.

A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos amplia os desafios para o agronegócio brasileiro e reforça a necessidade de negociação entre os dois países, disse nesta quinta-feira (16) Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho de Administração da Aprobio, ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, embora alguns produtos tenham sido retirados da lista de sobretaxas, itens estratégicos como açúcar e etanol permanecem sujeitos às novas tarifas.

No entendimento de Turra, a decisão era esperada, mas o resultado ficou abaixo do que o setor esperava. “O prejuízo é claro para todos os setores. O agronegócio é direta e indiretamente impactado. Não é uma taxa apenas, é uma sobretaxa acima dos 10% mais 25%. Isso pesa muito”, afirmou.

O ex-ministro observou que a ampliação da lista de exceções beneficiou produtos como café, carnes, pescados, ferro-gusa e peças aeronáuticas, mas ressaltou que boa parte das exportações brasileiras continuará enfrentando custos mais elevados para acessar o mercado americano.

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Negociação como prioridade

Para Turra, o Brasil deve concentrar esforços na retomada do diálogo com os Estados Unidos, evitando o agravamento das tensões comerciais. Segundo ele, a investigação conduzida pelo governo americano ainda pode resultar em novas restrições, como a aplicação de tarifas adicionais relacionadas às apurações sobre trabalho forçado.

“Acho que uma coisa agora é absoluta e unânime: tem que negociar. Não há outra razão, não há outra forma a não ser negociação”, disse.

O presidente do Conselho de Administração da Aprobio também defendeu alinhamento entre as autoridades brasileiras durante esse processo. Na avaliação dele, declarações políticas que elevem o tom do confronto podem dificultar o trabalho dos negociadores.

Açúcar e etanol preocupam

Turra afirmou que açúcar e etanol estão entre os produtos mais sensíveis nas negociações com Washington. Para ele, há espaço para um entendimento, mas as conversas precisam ocorrer rapidamente para evitar perdas ainda maiores aos produtores brasileiros.

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Segundo o ex-ministro, a falta de mercados alternativos para absorver imediatamente esses produtos torna a solução ainda mais urgente.

“São produtos muito sensíveis e precisam de uma solução imediata, porque não há muitos mercados abertos no mundo neste momento. A gente tem que correr atrás disso urgente”, afirmou.

Diversificação dos mercados

Apesar de os Estados Unidos responderem por parcela menor das exportações brasileiras do que em anos anteriores, Turra considera importante ampliar a presença em outros mercados, especialmente na Ásia, sem abandonar a relação comercial com os americanos.

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Ele citou como exemplo a experiência da cadeia de proteína animal, que direcionou boa parte das exportações ao mercado asiático, reduzindo a dependência de destinos específicos.

Ao mesmo tempo, ponderou que abrir novos mercados exige tempo, negociações sanitárias, adaptação às exigências dos consumidores e investimentos em logística.

“Oportunidades poucos países do mundo têm como nós. Produzimos e exportamos de tudo. Mas o que está acontecendo agora não ajuda absolutamente nada. Está prejudicando muito e reduzindo nossa capacidade de avançar”, concluiu.

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