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Payroll fraco reduz pressão por alta de juros nos EUA

Publicado 02/07/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A criação de 57 mil vagas em junho reforçou sinais de desaceleração da economia americana e ficou abaixo das expectativas do mercado.
  • O resultado reduz a pressão para uma alta de juros pelo Federal Reserve nas próximas reuniões, segundo analista.
  • Dados mostram perda de força no mercado de trabalho, com impacto crescente da inteligência artificial sobre empregos de entrada.

A criação de apenas 57 mil vagas de trabalho nos Estados Unidos em junho reforça os sinais de desaceleração da economia americana e reduz a pressão para uma elevação dos juros nas próximas reuniões do Federal Reserve (Fed), afirmou Luis Ferreira, CIO para Américas do EFG Internacional, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“Os números vieram fracos em relação às expectativas e mostram uma desaceleração da atividade econômica. Esperava-se uma redução na criação de empregos, mas não nessa magnitude. Além disso, os dados anteriores foram revisados para baixo. Isso faz com que o mercado adie a expectativa de uma alta de juros, que antes estava precificada para outubro e agora passa para dezembro”, afirmou, nesta quinta-feira (2).

Segundo o executivo, o foco do banco central americano continuará voltado para a inflação, que permanece distante da meta de 2%.

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Mercado de trabalho perde força

Na avaliação de Luis Ferreira, além da desaceleração da geração de empregos, o relatório trouxe sinais importantes sobre mudanças estruturais no mercado de trabalho.

“O crescimento dos salários permanece relativamente comportado, em 3,5%, mas chamou atenção o desemprego entre jovens de até 20 anos, acima de 14%. Também estimamos que quase 100 mil empregos foram perdidos por conta da inteligência artificial, além da surpresa negativa no setor de entretenimento e lazer”, disse.

Segundo ele, os impactos da inteligência artificial já começam a ser percebidos principalmente entre profissionais em início de carreira.

Leia também: Payroll: EUA criaram 57 mil empregos em junho, abaixo da expectativa; desemprego cai para 4,2%

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“Esse será um dos principais desafios daqui para frente. Isso já ficou evidente nas cerimônias de formatura das universidades americanas, onde o tema da inteligência artificial gerou preocupação entre os estudantes. No setor financeiro, esse movimento já começa a aparecer e deve ganhar mais visibilidade com a divulgação dos balanços corporativos”, afirmou.

Reflexos para mercados

Para o CIO, o resultado do Payroll aumenta a probabilidade de manutenção dos juros nas reuniões de julho e setembro, embora o processo de convergência da inflação ainda deva levar alguns anos.

“O petróleo já caiu cerca de 30% desde o pico de março, o que pode ajudar a reduzir a inflação. Mesmo assim, ela continua em 4,2%, muito acima da meta. A expectativa é que encerre o ano entre 3,5% e 3,6%, enquanto a convergência para 2% deve acontecer apenas em 2028“, afirmou.

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Segundo Luis Ferreira, o cenário mantém o dólar fortalecido frente às principais moedas globais. “Na medida em que teremos juros mais elevados por mais tempo do que se imaginava no início do ano, o dólar ganha força. Essa tendência deve continuar, inclusive frente ao real”, disse.

Para os mercados emergentes, o especialista avalia que o Payroll mais fraco traz um alívio temporário, mas ressalta que fatores domésticos seguem limitando o desempenho brasileiro.

“O Brasil poderia atrair investidores em busca de alternativas aos elevados múltiplos das empresas de tecnologia, mas a condução da política monetária doméstica e o avanço do processo eleitoral aumentam a volatilidade e dificultam uma valorização mais consistente dos ativos brasileiros”, concluiu.

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