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Rússia diz que sua economia está forte. Mas demitiu um dos principais economistas do país que alertava sobre o contrário
Publicado 18/08/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/08/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Mikhail METZEL/POOL/AFP
Presidente da Rússia, Vladmir Putin.
Funcionários do governo russo disseram à CNBC que a economia continua forte e saudável, apesar da “pressão estrangeira sem precedentes” após a invasão em larga escala da Ucrânia pelo país, no início de 2022.
A declaração contrasta fortemente com as avaliações do ex-economista-chefe do banco estatal russo de desenvolvimento VEB, que foi demitido no domingo depois que comentários feitos por ele no início do ano foram divulgados pela imprensa em língua russa.
Andrei Klepach, ex-vice-ministro da Economia, teria sido demitido após apresentar um relatório alertando que a Rússia não poderia vencer uma guerra prolongada de desgaste contra a Ucrânia e prevendo uma grande crise social.
Leia também: Ataques deixam 19 mortos na Rússia e na Ucrânia em nova escalada da guerra
A demissão de Klepach estaria diretamente relacionada à sua avaliação contundente sobre a economia, segundo o veículo independente russo The Bell, que citou fontes não identificadas familiarizadas com o assunto ao divulgar a notícia. A CNBC não conseguiu verificar o relato de forma independente.
“Nesta guerra de desgaste, não vamos vencer a competição. Estamos sob a ilusão de que tudo vai entrar em colapso. Isso não aconteceu e não vai acontecer. Nossos custos estão aumentando”, disse Klepach em um discurso apresentado a outros economistas em 21 de maio, de acordo com uma tradução.
“Acredito que a Rússia não entrará em colapso, mas tenho quase certeza de que acabaremos em uma crise social. Não entraremos em colapso economicamente, mas nosso atraso vai aumentar, com todas as consequências decorrentes disso”, acrescentou.
A decisão de demitir Klepach parece reforçar a política de tolerância zero do Kremlin em relação a críticas públicas e à oposição à campanha militar na Ucrânia, após quase quatro anos e meio de guerra.
Autoridades do governo russo continuam desafiando as avaliações negativas sobre a situação econômica do país.
A Embaixada da Rússia no Reino Unido disse à CNBC que a posição fiscal do país continua “significativamente mais forte” do que a de muitas economias ocidentais. A representação diplomática destacou uma dívida pública externa de aproximadamente US$ 57 bilhões — valor que, segundo a embaixada, é “consideravelmente menor” do que o que Estados Unidos, Reino Unido, Itália ou França gastam apenas com o serviço de suas dívidas.
“A economia russa continua resiliente, assim como a determinação de nosso povo”, disse um porta-voz da Embaixada da Rússia no Reino Unido à CNBC por e-mail.
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Siga o Times | CNBC“As tentativas de enfraquecer a Rússia por meio de pressão econômica não produziram os resultados esperados por seus autores”, acrescentou.
“Pelo contrário, o Ocidente — incluindo o Reino Unido — está pagando um preço substancial por sua política irresponsável de sanções. As empresas britânicas perderam acesso ao mercado russo, enquanto as interrupções nas cadeias de suprimentos e os custos mais elevados de energia e commodities impuseram despesas adicionais à economia do Reino Unido.”
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Anders Aslund, economista sueco e ex-pesquisador sênior do Atlantic Council, disse que a notícia da demissão de Klepach não foi uma surpresa.
“Em uma análise importante, ele concluiu que a Rússia não poderia vencer uma guerra de desgaste contra a Ucrânia e que provavelmente acabaria em uma crise social, como em 1917”, afirmou Aslund no X no domingo.
Separadamente, Nigel Gould-Davies, pesquisador sênior para Rússia e Eurásia do International Institute for Strategic Studies, descreveu Klepach como um economista muito competente e inteligente.
“Há muito tempo digo que as melhores mentes econômicas da Rússia são as mais alarmadas. Isso confirma mais uma vez essa avaliação”, afirmou Gould-Davies na segunda-feira pelas redes sociais.
A economia de guerra da Rússia ganhou maior atenção nas últimas semanas devido aos ataques de drones de longo alcance da Ucrânia contra refinarias de petróleo e centros de distribuição.
Embora tenha contrariado as expectativas e ainda esteja apresentando crescimento, ainda que lento, segundo dados recentes, analistas afirmam que esse desempenho esconde problemas, como a dependência do Kremlin de gastos militares, aumento de impostos e empréstimos bancários subsidiados.
Leia mais: Ministro alerta que economia da Rússia está à beira da recessão
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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