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Petróleo pode cair menos que o esperado após acordo, diz ex-chefe da Agência Internacional de Energia
Publicado 19/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Os preços do petróleo podem não cair tanto quanto parte do mercado espera, mesmo com a perspectiva de normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz, avaliou o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Neil Atkinson.
Em entrevista exclusiva à CNBC, o especialista afirmou que o mercado futuro já vinha precificando a ideia de que a interrupção no fluxo de petróleo não poderia durar muito tempo, dado o impacto potencial sobre a oferta global.
“O mercado futuro, ao contrário do mercado físico, desde o início da guerra sempre adotou a postura de que isso não pode continuar por muito tempo, pois as consequências seriam terríveis demais”, afirmou.
Segundo Atkinson, a assinatura de um acordo reforça a percepção de que a crise pode estar perto de uma etapa de normalização. Ainda assim, o retorno do petróleo aos destinos finais deve ser gradual.
“Dentro das próximas semanas, devemos começar a ver um aumento material na oferta de petróleo vindo do Estreito de Ormuz”, disse. “Ou talvez não tão grande, um aumento gradual devido a muitos problemas relacionados ao transporte marítimo.”
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O executivo afirmou que a queda dos preços pode ser limitada pela necessidade de recomposição de estoques. Segundo ele, os estoques de petróleo foram reduzidos de forma expressiva nos últimos meses, tanto nas reservas estratégicas quanto nos estoques comerciais.
“As pessoas acham que o preço do petróleo vai continuar caindo e permanecer bem mais baixo”, afirmou. “É importante lembrar que uma das características dos últimos meses tem sido a drástica redução nos níveis de estoques de petróleo.”
Para Atkinson, a recomposição desses estoques representa uma nova fonte de demanda por petróleo bruto.
“Eles precisam ser reconstruídos, o que significa que é preciso comprar petróleo bruto. Isso representa essencialmente um aumento na demanda por petróleo bruto”, disse.
O movimento inclui a China, que reduziu fortemente suas importações nas últimas semanas e meses, segundo o analista.
“Eles vão comprar de novo”, afirmou.
O ex-chefe da AIE disse que a crise afetou de forma relevante a demanda em mercados asiáticos. Com a melhora do fluxo pelo Estreito de Ormuz, esses mercados devem voltar gradualmente a níveis normais de consumo.
“Devemos começar a ver a demanda se recuperar para níveis normais, principalmente nos mercados asiáticos, que foram muito afetados por esta crise”, disse.
Segundo ele, o impacto do fechamento do estreito foi menor do que o temido inicialmente porque houve medidas de compensação no mercado global.
Entre elas, citou o aumento de envio de petróleo pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos a mercados alternativos, a alta das exportações dos Estados Unidos, a redução de estoques e a queda de demanda em parte da Ásia.
“O impacto líquido do fechamento do Estreito de Ormuz não foi tão dramático quanto se temia inicialmente”, afirmou. “Ainda assim, foi importante.”
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Questionado sobre o risco de a queda dos estoques transformar o choque de preços em uma crise física de volume, especialmente na Europa, Atkinson afirmou que essa possibilidade existe.
“É uma possibilidade real”, disse.
Segundo ele, o tamanho do risco dependerá do ritmo da recuperação da produção e da capacidade de exportação de países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar.
“Tudo depende do ritmo da recuperação”, afirmou. “Quando observarmos o ritmo real dessa recuperação e a velocidade com que os entraves no transporte marítimo serão resolvidos, teremos uma ideia melhor.”
O especialista disse que os estoques devem continuar caindo no curto prazo, mas afirmou que o mercado passou a enxergar uma chance maior de estabilização.
“Os estoques continuarão a diminuir, isso é inevitável”, disse. “Mas o mercado decidiu que o fim dessa queda, se não está à vista, certamente é uma possibilidade muito forte.”
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