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Petróleo inicia semana sob pressão de guerra e Ormuz após decisão da Opep+
Publicado 06/09/2026 • 20:29 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 06/09/2026 • 20:29 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
O mercado de petróleo começa a semana com preços elevados e perspectiva de forte volatilidade, após o Brent avançar 7,6% em cinco dias e se aproximar novamente dos US$ 100 por barril.
A decisão da Opep+ de manter em outubro os níveis de produção previstos para setembro retira do horizonte uma nova expansão programada da oferta. Mas, para os próximos dias, o rumo das cotações deve depender principalmente do conflito no Oriente Médio e das condições para o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O Brent encerrou a sexta-feira (4) a US$ 96,28 por barril, com alta semanal de 7,6%. O WTI, referência americana, terminou a US$ 91,48 e acumulou ganho de quase 10% no período. A retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e as preocupações com as rotas de abastecimento no Golfo deram força ao movimento.
Leia também: Opep+ mantém produção de petróleo em outubro e reforça compromisso com estabilidade do mercado
A manutenção da produção não necessariamente significa que o petróleo terá uma nova rodada de fortes altas. A decisão já era esperada pelo mercado e, por isso, parte de seu efeito tende a estar incorporada aos preços. O principal impacto é impedir, pelo menos em outubro, uma nova elevação das cotas dos sete países que participaram da reunião deste domingo.
Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã mantiveram para outubro os mesmos níveis requeridos em setembro. O grupo voltará a analisar o mercado em 4 de outubro.
A capacidade da Opep+ de influenciar as cotações também está sendo parcialmente ofuscada pelas interrupções físicas de oferta.
Apesar do grupo ter elevado gradualmente suas metas ao longo dos últimos meses, a produção efetiva de alguns integrantes ficou abaixo do planejado em meio aos conflitos e às dificuldades de escoamento.
O ponto mais sensível para o mercado continua sendo o Estreito de Ormuz. Na quinta-feira (3), apenas quatro embarcações de commodities atravessaram a passagem, ante nove no dia anterior e uma média de aproximadamente 15 nos últimos dez dias, segundo dados da Kpler.
Antes do início da guerra entre Estados Unidos e Irã, cerca de um quinto do fornecimento diário global de petróleo e gás natural liquefeito passava por Ormuz. O tráfego reduzido mantém o mercado vulnerável a qualquer nova escalada do conflito.
Notícias envolvendo ataques a instalações, navios, portos ou novas limitações à passagem de embarcações têm potencial para produzir movimentos rápidos nas cotações. Por outro lado, uma normalização mais consistente do transporte pelo Golfo poderia retirar parte do prêmio de risco hoje embutido no preço do barril.
A alta das últimas semanas levou o petróleo a patamares que já superam algumas estimativas recentes de analistas.
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Siga o Times | CNBCO Citi elevou sua projeção média para o Brent no terceiro trimestre de US$ 80 para US$ 86 por barril, citando a demora maior do que o previsto para a normalização do Estreito de Ormuz.
O ANZ, por sua vez, elevou sua previsão de curto prazo para US$ 95, com possibilidade de preços mais altos caso o conflito no Oriente Médio se agrave.
O Brent terminou a última sessão acima desse patamar, a US$ 96,28.
Uma nova deterioração geopolítica pode empurrar o petróleo para cima rapidamente, mas a ausência de novos choques também pode abrir espaço para realização de lucros depois da forte valorização da semana passada.
Do lado da demanda, o principal contrapeso continua sendo a China, maior importadora mundial de petróleo. A expectativa de preço médio do Brent é de US$ 85,08 por barril em 2026, bem abaixo dos níveis atuais. Para o WTI, a média projetada é de US$ 80,20.
A fraqueza da demanda chinesa é uma das razões para essa diferença. As importações de petróleo da China em julho ficaram 24,3% abaixo do mesmo mês do ano anterior. Preços acima de US$ 80 podem reduzir o incentivo do país para recompor estoques.
Se essa demanda continuar fraca, o movimento pode limitar uma alta mais duradoura das cotações, mesmo com as dificuldades de oferta no Oriente Médio.
Leia também: Petróleo rompe US$ 100 e países do Golfo cortam produção por falta de espaço
Além do cenário geopolítico, investidores acompanharão sinais sobre o equilíbrio físico entre oferta e demanda.
Dados de estoques americanos ajudam a indicar se a alta dos preços está sendo acompanhada por um aperto efetivo na disponibilidade de petróleo e derivados.
Na semana passada, analistas já destacavam que, embora o temor em torno da guerra tenha aumentado, ainda não havia evidência de que a nova escalada tivesse provocado uma redução adicional significativa das exportações do Oriente Médio.
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