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Saída dos Emirados Árabes da Opep entra em vigor hoje (1) e já altera equilíbrio do cartel, avalia especialista
Publicado 01/05/2026 • 12:26 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 01/05/2026 • 12:26 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep passa a valer a partir desta sexta-feira (1º) e já altera o equilíbrio interno do grupo. A retirada do então quarto maior produtor do cartel coloca sob pressão a capacidade da organização de influenciar preços e de atuar como amortecedor em momentos de choque no mercado global de petróleo.
Ao anunciar a saída, os Emirados não detalharam os motivos da decisão. O Ministério da Energia do país afirmou apenas que a medida foi tomada com base no interesse nacional, após revisão da política de produção e da capacidade do país.
Leia também: 5 pontos para entender a saída dos Emirados da OPEP
O anúncio aconteceu após o país do Golfo ter sido alvo de ataques com mísseis e drones do Irã por várias semanas. O bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã também restringiu severamente a capacidade dos Emirados de exportar petróleo, ameaçando a base de sua economia.
Antes do bloqueio, os Emirados respondiam por quase 13% da produção da Opep e, em fevereiro, bombeavam 3,6 milhões de barris por dia. Catar e Angola já haviam deixado o grupo, mas nenhum com peso semelhante. Hoje, segundo Francis Perrin, do Instituto Francês de Assuntos Internacionais e Estratégicos, o país tem capacidade instalada de 4,3 milhões de barris diários.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (1º), Ricardo Balistiero, professor do Instituto Mauá de Tecnologia, afirmou que a decisão “enfraquece ainda mais o poder da Opep em relação à produção e comercialização de petróleo”.
O especialista lembra que o cartel já não exerce o protagonismo de décadas atrás. “Chegou a representar mais de 80% da produção de petróleo no mundo. Hoje ainda é bem relevante na comercialização, mas na produção nem tanto. A gente trabalha com números que vão entre 20% e 30%.”
Para Balistiero, há dois efeitos importantes. O primeiro é dar mais autonomia aos Emirados para ampliar a produção sem coordenação com o grupo. O segundo é o impacto direto na oferta global. “Ele pode aumentar essa capacidade para 5 milhões e certamente colocar mais petróleo no mundo”, disse.
Na avaliação do economista, o movimento também expõe diferenças internas e uma estratégia de aproveitar o que define como o “fim da era do petróleo”. “Tem que aproveitar nesse momento que o petróleo continua com preço elevado para poder aumentar a produção e a comercialização”, disse.
Balistiero acrescenta que, caso o conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã seja resolvido, a tendência seria de queda acentuada nos preços, já que “está sobrando petróleo no mundo”.
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