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Powell diz que impacto do Oriente Médio na economia dos EUA ainda é incerto
Publicado 18/03/2026 • 15:54 | Atualizado há 2 meses
Publicado 18/03/2026 • 15:54 | Atualizado há 2 meses
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O Federal Reserve (Fed) manteve nesta quarta-feira (18) a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%, como esperado pelo mercado. Na entrevista após a decisão, o presidente do banco central americano, Jerome Powell, afirmou que os efeitos da escalada no Oriente Médio sobre a economia dos EUA ainda são incertos, em meio à alta recente dos preços de energia e à inflação ainda acima da meta.
“As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas”, disse Powell. Segundo ele, no curto prazo, preços mais altos de energia devem pressionar a inflação cheia, mas ainda é cedo para saber a dimensão e a duração desse impacto sobre a atividade econômica.
Powell afirmou que a economia americana segue se expandindo em ritmo sólido. De acordo com ele, o consumo continua resiliente e o investimento das empresas segue avançando, enquanto o setor imobiliário permanece fraco. No mercado de trabalho, o chair do Fed disse que a taxa de desemprego mudou pouco nos últimos meses, embora a criação de vagas siga moderada.
Leia também: Fed mantém juros entre 3,5% e 3,75% e cita guerra com Irã como fator de incerteza
Sobre os preços, Powell reconheceu que a inflação recuou de forma significativa desde os picos de 2022, mas continua acima do objetivo de 2% do Fed. Segundo ele, estimativas com base no índice de preços de gastos com consumo, o PCE, indicam alta de 2,8% em 12 meses para o índice cheio e de 3,0% para o núcleo, que exclui alimentos e energia.
O presidente do Fed afirmou que parte dessa pressão ainda reflete a inflação de bens, impulsionada pelos efeitos das tarifas. Ele também disse que medidas de expectativas de inflação de longo prazo subiram nas últimas semanas, em um movimento que provavelmente reflete a forte alta do petróleo provocada pelas interrupções de oferta no Oriente Médio.
Ao comentar se o Fed poderia desconsiderar um choque temporário vindo da energia, Powell indicou que a discussão, neste momento, precisa ser feita com cautela, especialmente após um longo período de inflação acima da meta.
“É claro que, em geral, a abordagem padrão é olhar através de choques de energia”, afirmou. “Mas isso sempre depende de as expectativas de inflação permanecerem bem ancoradas. E acho que agora isso também depende do contexto mais amplo de cinco anos de inflação acima da meta.”
Powell também afirmou que o Fed ainda espera algum progresso na inflação ao longo do ano, à medida que os efeitos das tarifas percam força, mas ressaltou que qualquer corte de juros dependerá da evolução dos dados.
Leia também: Juros a 14,75% no radar: como a queda esperada afeta a economia real e o bolso dos brasileiros
“O entendimento básico é que devemos ver algum progresso com a inflação”, disse. “Mas isso é condicional ao desempenho da economia. Se não virmos esse progresso, não veremos cortes.”
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