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Pragas ameaçam causar bilhões de dólares em perdas na África; fungo natural pode ajudar

Publicado 16/08/2026 • 22:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Os testes indicaram que o organismo natural tem potencial para ser desenvolvido como uma alternativa de controle da praga.
  • O problema não se limita às plantações. A lagarta-do-cartucho africana também pode atingir áreas de pastagem usadas na criação de animais.
  • Os métodos químicos existentes podem apresentar resultados contra a praga em determinadas fases de desenvolvimento.

Foto: Canva

Pragas ameaçam causar bilhões de dólares em perdas na África; fungo natural pode ajudar

Uma descoberta feita em 2025 por uma cientista sul-africana pode abrir um novo caminho para combater a lagarta-do-cartucho africana, praga que ameaça plantações e pastagens em diferentes regiões da África.

Durante um surto registrado na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, a pesquisadora Letodi Luki Mathulwe encontrou lagartas mortas cobertas por um fungo branco e decidiu investigar a origem do fenômeno. Os testes indicaram que o organismo natural tem potencial para ser desenvolvido como uma alternativa de controle da praga.

Mathulwe, que atua na área de entomologia, recebeu relatos de agricultores que enfrentavam grandes concentrações da lagarta-do-cartucho em suas propriedades. Ao visitar áreas rurais de KwaZulu-Natal, ela encontrou uma situação diferente em determinados campos de capim Kikuyu.

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De acordo com The Guardian, enquanto as lagartas destruíam a vegetação em outras áreas, algumas populações encontradas naquele local estavam morrendo de forma natural. O responsável parecia ser uma espécie de fungo presente no solo e associado aos insetos mortos.

A cientista recolheu amostras e levou o material para análise em laboratório, em Pietermaritzburg. A investigação posteriormente indicou que o fungo poderia ser utilizado contra a praga.

Praga pode provocar bilhões em prejuízos

Um dos episódios mais graves ocorreu na Zâmbia. Um surto registrado em 2017 chegou a comprometer até 40% da produção de milho do país, segundo estimativas citadas em estudos científicos.

Em termos financeiros, segundo o Cabi, prejuízo estimado em 2017 chegaria a US$ 6,2 bilhões (aproximadamente R$ 33,48 bilhões). A praga também representa um risco para a segurança alimentar, especialmente em regiões onde o milho tem papel importante na alimentação e na economia rural.

A ameaça econômica causada pela lagarta-do-cartucho africana é significativa. Estudos sobre o impacto da praga estimam que, sem medidas eficazes de controle, as perdas de produção de milho em 12 países africanos poderiam variar entre 8,3 milhões e 20,6 milhões de toneladas por ano.

De acordo com um artigo publicado em 2024 pelo Departamento de Ciências Biológicas e Biotecnologia da Universidade Internacional de Ciência e Tecnologia do Botswana, as perdas globais decorrentes de danos às plantações e dos esforços direcionados ao manejo de pragas são estimadas em US$ 76 bilhões por ano (cerca de R$ 393,68 bilhões).

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Na África, as perdas acumuladas variaram entre US$ 18,2 bilhões (aproximadamente R$ 94,28 bilhões) e US$ 78,9 bilhões (cerca de R$ 408,70 bilhões) entre 1970 e 2020. Nas últimas décadas, a produção agrícola na África tem sido severamente prejudicada por pragas de insetos invasoras, com perdas de alimentos de até 30%.

Para atender às necessidades da população em crescimento, as projeções indicam que a produção agrícola do continente precisará dobrar até 2050. No entanto, esse aumento pode comprometer a sustentabilidade, os ecossistemas e os serviços ecossistêmicos. Entre os principais problemas está a invasão de insetos com alto potencial de dano às plantações.

Pragas como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) afetam principalmente culturas de milho e sorgo. Já o gorgulho-grande-dos-grãos (Prostephanus truncatus) é uma praga importante do milho armazenado e das raízes secas de mandioca.

A chegada do inseto à África chegou a dobrar as perdas de grãos de milho nas áreas afetadas. As perdas nas plantações de milho provocadas pela lagarta-do-cartucho variam de 9% a 54% na África.

Já os danos causados pelo gorgulho-grande-dos-grãos podem variar de 20% a 50% do peso do milho durante períodos de seis a nove meses de armazenamento. Quando as duas pragas atacam sucessivamente a mesma cultura em diferentes etapas da produção e do armazenamento, as perdas de alimentos podem chegar a uma faixa de 30% a 100%, segundo os dados apresentados no estudo.

Lagarta também ameaça o gado

O problema não se limita às plantações. A lagarta-do-cartucho africana também pode atingir áreas de pastagem usadas na criação de animais.

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Quando infestam determinadas áreas, as lagartas podem liberar substâncias que tornam a vegetação potencialmente prejudicial ao gado. Isso aumenta o impacto sobre os produtores, que precisam lidar ao mesmo tempo com a destruição das pastagens e o risco para os animais.

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Outro fator que dificulta o combate é a capacidade de dispersão da espécie. Depois da fase de lagarta, o inseto se transforma em mariposa e pode migrar para novas regiões, favorecendo a formação de outros focos.

Controle químico tem limitações

Os métodos químicos existentes podem apresentar resultados contra a praga em determinadas fases de desenvolvimento. O problema se torna mais complexo quando as populações chegam à fase adulta, considerada mais difícil de controlar.

É nesse ponto que a descoberta do fungo ganha importância. A possibilidade de utilizar um organismo encontrado naturalmente no ambiente pode ampliar as alternativas disponíveis para os agricultores.

A proposta ainda não representa um produto pronto para uso comercial. Segundo Mathulwe, são necessários novos estudos e testes antes que o fungo possa ser transformado em uma solução aplicada diretamente nas propriedades.

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Pesquisa busca transformar descoberta em produto

A equipe agora trabalha com a possibilidade de desenvolver o fungo como um agente de controle biológico. A ideia é que ele possa ser utilizado durante futuros surtos para reduzir as populações da praga antes que os danos se espalhem.

O controle biológico faz parte de uma estratégia mais ampla conhecida como manejo integrado de pragas. Esse modelo combina diferentes medidas para reduzir a presença dos insetos e diminuir a dependência de métodos de maior impacto.

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Além de agentes biológicos, especialistas defendem ações como identificação rápida dos focos, orientação aos agricultores, práticas agrícolas adequadas e avaliação de variedades de culturas que apresentem maior resistência ou tolerância à praga.

Descoberta traz nova esperança aos agricultores

A pesquisa sul-africana ainda está em uma etapa inicial, mas pode representar uma alternativa importante diante da dificuldade de controlar grandes populações da lagarta-do-cartucho africana.

Para os agricultores, a possibilidade de contar com um fungo naturalmente presente no ambiente abre uma nova frente de pesquisa. Se os próximos testes confirmarem sua eficácia e segurança, o organismo poderá futuramente integrar estratégias de combate à praga.

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O desafio agora é transformar a descoberta feita nos campos de KwaZulu-Natal em uma tecnologia que possa ser produzida, regulamentada e utilizada em escala na África.

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