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Tarifas do Trump

Mais de 350 empresas e entidades podem ser prejudicadas caso tarifaço de 25% seja aprovado pelos EUA

Publicado 08/07/2026 • 13:24 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do agronegócio defendem que tarifas pode aumentar a inflação nos Estados Unidos.
  • A lista de opositores também inclui gigantes globais como Coca-Cola, Tesla, Nestlé, eBay e Faber-Castell.
  • Governo norte-americano tem até o próximo dia 15 de julho para decidir se as novas tarifas vão entrar ou não em vigor.
Tarifaço

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% na importação de produtos brasileiros gerou forte reação no mercado. Ao todo, 355 empresas e organizações de classe, além de 30 pessoas físicas, manifestaram-se formalmente contra a medida durante a audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Os opositores alertam que o potencial impacto negativo afetará severamente a competitividade e as operações de ambos os lados.

Entidades de classe como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), empresas como a WEG e a Klabin, e associações que representam setores como a Abimaq lideram a mobilização. Além de prejudicar diretamente os setores produtivos nacionais, a defesa brasileira aponta que o tarifaço vai encarecer o custo de vida dos próprios cidadãos norte-americanos.

A lista de organizações ameaçadas pelo imposto inclui gigantes multinacionais como Coca-Cola, Tesla, Nestlé, eBay e Faber-Castell, que alertam para desarranjos profundos nas cadeias globais de suprimentos. A lista completa está no site do USTR.

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As justificativas de Washington e os argumentos do mercado

O governo Trump justificou a taxação em razão de supostas “políticas e práticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

Por outro lado, as companhias contrárias à resolução alegam que este novo tarifaço trará um pesado ônus a curto prazo nas linhas de produção e que a medida pune indústrias e consumidores em detrimento dos pontos investigados. A esmagadora maioria das manifestações registradas foca no prejuízo financeiro e operacional que a taxa trará para suas atividades específicas.

Tarifas podem beneficiar produtores asiáticos

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e representantes da indústria, do varejo, de importadores e de distribuidores norte-americanos publicaram manifestações contra a imposição de novas tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

A gerente de Relacionamento e Negócios da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, destacou a interdependência produtiva e comercial entre os dois países, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico em um mercado dependente de importações, principalmente para pequenos e médios varejistas.

“A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais no desenvolvimento de produtos e coleções, especialmente em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos — particularmente devido à maior proximidade logística — e maior capacidade de resposta à demanda”, afirmou.

Letícia frisou que o Brasil representa uma alternativa estratégica com escala produtiva significativa no Hemisfério Ocidental, fazendo frente à China. Atualmente, o Brasil é o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior produtor fora da Ásia, tendo produzido, em 2025, 847 milhões de pares.

Embora os EUA importem calçados de várias origens, a gerente ressaltou que a oferta permanece fortemente concentrada na Ásia. Em termos de volume, a China detém a maior fatia, com 48%, seguida pelo Vietnã (28%) e Indonésia (10%).

Cecafé defende inclusão de café solúvel em lista de isenção

Já o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) recomendou que o governo dos Estados Unidos mantenha a isenção tarifária concedida à maior parte dos produtos de café brasileiros e estenda o benefício ao café solúvel sem adição de aromatizantes.

O diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o café brasileiro é “insubstituível” para o mercado norte-americano e alertou que a imposição de tarifas elevaria custos para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos.

Segundo Matos, o Brasil responde por mais de 30% do mercado de café dos Estados Unidos e é o principal fornecedor do país. “Os cafés brasileiros não podem ser substituídos de forma viável”, afirmou.

Já sobre a inclusão do café solúvel na lista de produtos isentos das tarifas da Seção 301, a entidade apontou que os Estados Unidos praticamente não produzem esse tipo de café, embora ele seja um insumo essencial para bebidas prontas para consumo (RTD) e cold brew, categorias consumidas diariamente por cerca de 53 milhões de adultos no país. Sem a isenção, argumenta a entidade, fabricantes norte-americanos de produtos de maior valor agregado ficam em desvantagem competitiva frente a concorrentes estrangeiros.

Veja 30 empresas que se manifestaram:

  • Archer Daniels Midland (ADM) – agronegócio;
  • Bauducco Foods Inc. – alimentos;
  • Becton, Dickinson and Company – tecnologia médica;
  • Builders FirstSource (corrigido o erro de digitação original “FirstSourc”) – materiais de construção;
  • Caterpillar Inc. – máquinas e equipamentos;
  • Celanese Corporation – química;
  • Cleveland-Cliffs Inc. – mineração e siderurgia;
  • Coca-Cola Company – bebidas;
  • Times Brasil - CNBC

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  • Companhia Siderúrgica Nacional – siderurgia;
  • Dow – química;
  • Eastman Chemical Company – química;
  • eBay – comércio eletrônico;
  • Faber-Castell – papelaria e materiais de escrita;
  • Incepa Revestimentos Cerâmicos Ltda. – materiais de construção;
  • JBS S.A. – alimentos;
  • Kimberly-Clark Corporation – higiene;
  • Klabin S.A. – papel e celulose;
  • Louis Dreyfus Company – agronegócio;
  • Nestlé – alimentos;
  • Nucor Corporation – siderurgia;
  • Olin Winchester, LLC (corrigido o erro de digitação “Winchesater”) – defesa e munições;
  • Philip Morris – tabaco;
  • Siemens Energy – energia;
  • Steel Dynamics, Inc. – siderurgia;
  • Suzano S.A. – papel e celulose;
  • Sylvamo – papel e celulose;
  • Taurus Holdings, Inc. – defesa e armas;
  • Tesla, Inc. – indústria automotiva;
  • Tramontina – bens de consumo;
  • WEG Electric Corp. – máquinas e equipamentos.

Veja 10 organizações ou entidades que se manifestaram:

  • Governo do Brasil;
  • Câmara Americana de Comércio para o Brasil;
  • Confederação Nacional da Indústria – principal entidade da indústria brasileira;
  • Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – principal federação da indústria brasileira;
  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – principal entidade do agronegócio brasileiro;
  • Indústria Brasileira de Árvores – principal entidade da indústria brasileira de árvores cultivadas, papel e celulose;
  • Associação Brasileira da Indústria Química – principal entidade da indústria química brasileira;
  • Associação Brasileira da Indústria de Alimentos – principal entidade da indústria brasileira de alimentos;
  • União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia – principal entidade do setor sucroenergético brasileiro;
  • Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – principal entidade da indústria brasileira de máquinas e equipamentos.

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