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Tarifa dos EUA atinge celulose de alta pureza, mas efeito sobre exportações brasileiras deve ser restrito

Publicado 21/07/2026 • 14:47 | Atualizado há 3 semanas

KEY POINTS

  • Marcello Collares afirma que a taxação de 25% deve afetar principalmente fabricantes de celulose solúvel voltada à indústria têxtil.
  • Segundo o especialista, a maior parte das exportações brasileiras de celulose continuará preservada, já que o produto tradicional ficou fora da tarifa.
  • Diretor da TTOBMA destaca que produtores da celulose especial possuem mercados consolidados na Europa e na China, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar impactos limitados para o setor de celulose, afirmou Marcello Collares, diretor de Inteligência de Mercado da TTOBMA, em entrevista nesta terça-feira (21) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a medida atinge um segmento bastante específico da indústria, enquanto preserva o principal produto exportado pelo Brasil.

“O impacto para a indústria brasileira de celulose, de maneira geral, é pequeno. O volume atingido representa uma parcela muito reduzida das exportações para os Estados Unidos e, mesmo assim, parte dessas vendas deve ser preservada pela competitividade do produto brasileiro”, afirmou.

A decisão do governo de Donald Trump manteve isenta da tarifa a celulose de mercado utilizada na fabricação de papéis, mas incluiu a chamada celulose solúvel (dissolving pulp), matéria-prima de alta pureza utilizada principalmente pela indústria têxtil.

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Produto já era alvo de disputa

Segundo Collares, a inclusão da celulose solúvel na lista de produtos tarifados não surpreendeu o setor.

O especialista explicou que esse segmento já vinha enfrentando um processo antidumping conduzido pelos Estados Unidos, iniciado após uma empresa americana buscar proteção para sua produção doméstica.

Na avaliação dele, a nova tarifa amplia um movimento que já existia anteriormente para restringir a entrada da celulose especial brasileira no mercado americano.

Além do setor têxtil, a celulose solúvel também é utilizada como insumo nas indústrias química, farmacêutica e alimentícia, embora sua principal aplicação continue sendo a fabricação de fibras têxteis.

Impacto concentra-se em poucos produtores

De acordo com Collares, o efeito econômico sobre a indústria brasileira será limitado porque apenas uma pequena parcela das exportações para os Estados Unidos corresponde à celulose solúvel.

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O Brasil exporta entre 23 milhões e 24 milhões de toneladas de celulose por ano. Desse total, aproximadamente 3 milhões de toneladas seguem para o mercado americano.

Segundo o diretor da TTOBMA, apenas cerca de 5% desse volume – aproximadamente 150 mil toneladas – corresponde à celulose solúvel atingida pela tarifa.

Na avaliação do especialista, a competitividade internacional do produto brasileiro deve impedir uma interrupção completa das vendas aos Estados Unidos, mesmo com a cobrança adicional.

Europa e China reduzem dependência

Embora empresas especializadas nesse segmento sintam mais diretamente os efeitos da medida, Collares afirmou que os principais produtores brasileiros possuem mercados diversificados.

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Segundo ele, companhias como Bracell e LD Celulose destinam volumes significativamente maiores para Europa e China do que para a América do Norte, reduzindo a dependência do mercado americano.

Essa diversificação, afirmou, contribui para limitar os impactos da nova política comercial sobre a indústria nacional.

“Para quem produz esse tipo específico de celulose, naturalmente incomoda mais. Mas esses produtores exportam muito mais para a Europa e para a China do que para a América do Norte, o que reduz significativamente os efeitos dessa medida”, concluiu.

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