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Empresas recorrem à renegociação para reduzir impacto das tarifas dos EUA

Publicado 21/07/2026 • 18:01 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Gabriel Loschiavo afirma que a tendência inicial será preservar contratos comerciais por meio de renegociações entre exportadores brasileiros e importadores americanos.
  • Segundo o especialista, setores com forte dependência do mercado dos Estados Unidos e produtos desenvolvidos sob encomenda enfrentarão maiores dificuldades para redirecionar exportações.
  • Advogado avalia que o principal legado do tarifaço poderá ser a aceleração da diversificação dos mercados internacionais atendidos pelas empresas brasileiras.

A entrada em vigor das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar um aumento nas renegociações entre empresas dos dois países, afirmou nesta terça-feira (21) Gabriel Loschiavo, advogado especializado em internacionalização, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, preservar relações comerciais consolidadas será a prioridade de exportadores e importadores diante do aumento dos custos.

“Ninguém quer perder um cliente construído ao longo de anos, mas também ninguém consegue absorver sozinho um aumento dessa magnitude. O maior ativo que está sendo preservado neste momento não é necessariamente a margem de lucro, mas o relacionamento comercial”, afirmou.

Embora o impacto sobre a balança comercial brasileira deva ser limitado, Loschiavo destacou que empresas mais dependentes do mercado americano deverão enfrentar negociações mais complexas para manter contratos em vigor.

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Renegociação ganha espaço

De acordo com o especialista, a imposição das tarifas altera diretamente o custo das operações internacionais, tornando inevitável a revisão das condições comerciais entre exportadores brasileiros e compradores americanos.

Segundo ele, cada negociação dependerá do grau de dependência existente entre as empresas envolvidas. Em alguns casos, o exportador poderá absorver parte do aumento dos custos para preservar o cliente. Em outros, o importador aceitará dividir esse impacto para manter o fornecimento.

Além da revisão de preços, as empresas também podem renegociar volumes, prazos de entrega e até mesmo a vigência dos contratos.

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Loschiavo ressaltou que muitos contratos internacionais já preveem cláusulas relacionadas a mudanças regulatórias e tarifárias.

Segundo ele, embora esses dispositivos não resolvam o problema, servem como base para negociações estruturadas e ajudam a evitar disputas judiciais ou o rompimento das relações comerciais.

Produtos especializados terão mais dificuldade

O advogado destacou que os efeitos das tarifas serão mais severos para setores que produzem itens desenvolvidos especificamente para o mercado americano.

Segundo Loschiavo, produtos adaptados a normas técnicas, exigências regulatórias e projetos personalizados dificilmente encontram novos compradores em curto prazo.

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“Mercados internacionais não são substituídos da noite para o dia. Muitas empresas podem enfrentar enormes dificuldades nesse período de transição, mesmo que o impacto para a economia brasileira como um todo seja relativamente pequeno”, disse.

Na avaliação do especialista, esse cenário é bastante diferente do observado em commodities, que podem ser redirecionadas com maior facilidade para outros mercados.

Falta de mediação amplia incerteza

Questionado sobre a ausência de mecanismos internacionais para solucionar disputas comerciais, Loschiavo afirmou que ainda não existe um instrumento efetivo para mediar esse novo cenário.

Segundo ele, a entrada em vigor das tarifas é recente e o ambiente político permanece bastante volátil, dificultando a definição de estratégias permanentes por parte das empresas.

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O advogado observou que ainda não está claro quais organismos ou entidades poderão atuar para proteger os interesses de exportadores brasileiros e importadores americanos.

Diversificação deve acelerar internacionalização

Para Loschiavo, o principal legado das novas tarifas poderá ser uma mudança estrutural na estratégia das empresas brasileiras no comércio exterior.

Ele afirmou que o Brasil já vem reduzindo, ao longo da última década, sua dependência de mercados individuais, ampliando sua presença na Ásia, fortalecendo relações comerciais com o Oriente Médio, expandindo exportações para a América Latina e abrindo novos mercados na África.

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Na avaliação do especialista, essa diversificação tende a ganhar força após o tarifaço.

“O comércio internacional funciona como uma carteira de investimentos: quanto maior a diversificação, menor a dependência de um único mercado. Vejo esse como o principal aprendizado e o maior legado desse processo”, concluiu.

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