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Tarifaço: oito especialistas apontam para custo adicional de US$ 3,75 bilhões em sobretaxas
Publicado 16/07/2026 • 13:44 | Atualizado há 56 minutos
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KEY POINTS
Foto: Magnific
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O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros recai diretamente sobre cerca de US$ 15 bilhões em itens manufaturados, segundo estimativa de Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital.
Uma conta simples sobre esse valor, aplicando o percentual da sobretaxa, resulta em algo perto de US$ 3,75 bilhões em custo adicional para as exportadoras atingidas pelo tarifaço.
Oito especialistas de mercado ouvidos nesta quinta-feira (16) avaliam que o impacto agregado sobre a economia brasileira tende a ser limitado. Para Viana de Jesus, o recuo esperado no PIB fica entre 0,1% e 0,2%, já que setores de peso como agronegócio e aviação ficaram de fora da medida.
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Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, a lista de exceções abrange mais de dois mil códigos de produtos e protege itens centrais da pauta exportadora brasileira, como café, carne bovina, minério de ferro, suco de laranja, aeronaves e produtos farmacêuticos. Para ele, essa amplitude tem um efeito de alívio maior do que o susto do percentual anunciado.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, reforça esse ponto. Ele destaca que a lista preserva cadeias como energia, alimentos, mineração, aeronáutica, tecnologia e medicamentos, reduzindo o risco de um choque mais amplo sobre as receitas externas do país. Araújo chama atenção, porém, para uma possível sobretaxa adicional de 12,5% ainda em discussão, que poderia prolongar a incerteza para o setor exportador.
Leia também: Veja os principais itens de exportação brasileiros que serão afetados pelo novo tarifaço dos EUA
Gustavo Assis, CEO da Asset, e Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, convergem na avaliação de que os setores mais sensíveis são aqueles com maior dependência do mercado americano e menor capacidade de redirecionar vendas para outros destinos. Lima cita especificamente siderurgia, metalurgia, máquinas e bens industriais como os segmentos que devem sentir o maior impacto.
Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, amplia essa lista, incluindo açúcar, madeira, etanol, ferro-gusa e tabaco entre os setores mais expostos. Para ele, essas empresas podem enfrentar pressão sobre margens, perda de competitividade e necessidade de renegociar contratos ou abrir novos mercados.
André Matos aponta um recorte semelhante, citando etanol, calçados, têxteis, açúcar, papel e celulose e máquinas agrícolas como os segmentos mais afetados pelo tarifaço.
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Siga o Times | CNBCPara Cassio Viana de Jesus, o maior risco do tarifaço recai sobre a política monetária. A redução nas exportações tende a fortalecer o dólar, o que gera pressão inflacionária e dificulta cortes na Selic pelo Copom.
Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, avalia que o principal efeito para os investidores talvez não seja a tarifa em si, mas o aumento da incerteza. Segundo ele, ambientes menos previsíveis tendem a adiar decisões de investimento, pressionar margens e elevar a necessidade de gestão de caixa.
🔍 Capital de giro é o recurso financeiro que uma empresa usa para cobrir suas despesas do dia a dia, como pagamento de fornecedores e folha salarial, sem depender de novas dívidas de longo prazo.
Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, destaca que a análise do impacto real depende da exposição de cada empresa. Segundo ele, uma tarifa setorial não afeta da mesma forma negócios com contratos em dólar, receitas diversificadas e capacidade de oferecer garantias.
Valdir Piran Jr. complementa que o mercado de crédito deve reagir de forma qualitativa, com reprecificação de risco para empresas mais expostas, mais alavancadas ou mais dependentes de capital de giro. Já companhias com receitas diversificadas e boa governança tendem a preservar melhores condições de financiamento, segundo ele.
Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, resume o episódio como um reforço à necessidade de diversificação. Para ele, o momento reforça a importância de diversificar entre países, moedas, setores e ETFs, sem depender de uma única economia.
Segundo André Matos, a tarifa entra em vigor em 22 de julho, o que abre uma janela curta de ajuste para as empresas exportadoras. Peterson Rizzo pondera que a análise de cada caso deverá considerar a exposição real da companhia, os contratos vigentes e a capacidade de diversificação geográfica das receitas.
Edgar Araújo resume que a atenção do mercado segue voltada à possibilidade de resposta brasileira à medida americana e à eventual sobretaxa adicional, fatores que devem manter a incerteza no radar dos investidores nas próximas semanas.
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