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Tarifaço: mel orgânico fica de fora; setor celebra decisão, mas defende fim das taxações

Publicado 16/07/2026 • 14:10 | Atualizado há 31 minutos

KEY POINTS

  • Mel orgânico certificado brasileiro ficou de fora da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
  • Produto integra a lista de mais de 2 mil itens que foram oficialmente isentos da medida anunciada pelo governo norte-americano.
  • Presidente da Abemel celebrou a isenção, mas ressaltou que o cenário ideal seria a inexistência de qualquer tarifa.

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O mel orgânico certificado brasileiro ficou de fora da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O produto integra a lista de mais de 2 mil itens que foram oficialmente isentos da medida anunciada pelo governo norte-americano. A decisão foi recebida com alívio e comemorada pelo setor exportador.

Em entrevista exclusiva ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Exportadoras de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou que o setor celebrou a isenção, mas ressaltou que o cenário ideal seria a inexistência de qualquer tarifa.

“Recebemos com muita alegria essa notícia de que estamos numa lista de exclusão. Evidente que a gente precisa ponderar isso porque, na verdade, não deveria nem haver lista de exclusão; não deveria haver taxação”, afirmou.

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Apesar da isenção, Azevedo defende que as negociações entre Brasil e Estados Unidos devem prosseguir para eliminar completamente a medida. Segundo ele, a tarifa não encontra justificativa do ponto de vista técnico nem econômico.

Relação comercial favorece os Estados Unidos

Na avaliação do presidente da Abemel, a própria balança comercial entre os dois países demonstra a fragilidade dos argumentos para a adoção das tarifas.

Ele destaca que a relação comercial é deficitária para o Brasil, o que significa que os Estados Unidos registram superávit nas trocas comerciais bilaterais.

“A relação com os Estados Unidos é deficitária para o lado do Brasil. Se os Estados Unidos tivessem uma relação comercial com outros países igual à que têm com o Brasil, seria muito vantajosa para eles”, afirmou.

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Negociações pavimentaram caminho para isenção

Segundo Azevedo, o setor entrou nas negociações convencido de que havia fundamentos sólidos para defender a exclusão do mel orgânico da lista de produtos tarifados.

O principal argumento apresentado às autoridades norte-americanas foi a dependência dos Estados Unidos em relação ao produto brasileiro. O país é o maior consumidor de mel orgânico do mundo, mas não possui capacidade nem escala de produção suficientes para abastecer o próprio mercado.

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“O Brasil é o único país capaz de fornecer mel orgânico na escala que os Estados Unidos necessitam. Eles não produzem mel orgânico e não têm condições para isso por conta das especificidades exigidas para esse tipo de produção”, explicou.

Além disso, o dirigente lembra que a produção norte-americana de mel vem enfrentando queda, tornando ainda mais relevante o fornecimento brasileiro. Na avaliação da entidade, uma sobretaxa elevaria diretamente o preço pago pelo consumidor americano, resultado contrário ao discurso do próprio governo dos Estados Unidos.

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Trabalho de articulação

A Abemel afirma que participou de todas as etapas do processo de discussão da medida tarifária. A entidade esteve presente nas audiências realizadas no início do ano e também nas reuniões promovidas em julho.

O trabalho contou com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e de um escritório contratado nos Estados Unidos.

Segundo Azevedo, os argumentos foram apresentados ao Tesouro norte-americano, além de parlamentares e integrantes do governo.

“Apresentamos os argumentos para os entes do governo americano, para o Tesouro, deputados e senadores. Todos eles concordaram que, no caso do mel, realmente essa taxação não fazia sentido”, afirmou.

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Confiança acompanhada de apreensão

Embora o setor acreditasse na força dos argumentos técnicos apresentados, a decisão final era cercada de incertezas. Para o presidente da Abemel, uma das principais características da administração do presidente Donald Trump é justamente a “imprevisibilidade “na condução das políticas comerciais, o que manteve o segmento em estado de expectativa até a divulgação oficial da lista de exceções.

“Apesar de termos feito todo esse trabalho e estarmos muito confiantes, a principal marca desse governo Trump é a imprevisibilidade. Não sabíamos exatamente o que poderia acontecer. Estávamos confiantes, mas também apreensivos”, afirmou.

Com a confirmação da isenção, o setor considera que prevaleceram os argumentos técnicos e econômicos apresentados ao governo dos Estados Unidos, mas reforça que continuará defendendo o fim das tarifas impostas aos produtos brasileiros.

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