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Tarifas americanas de até 37,5% colocam alumínio, arroz e industrializados brasileiros em risco

Publicado 05/06/2026 • 11:52 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Tarifas americanas de até 37,5% sobre exportações brasileiras colocam alumínio, arroz e industrializados na mira
  • Cerca de 20% das exportações brasileiras estão dentro das tarifas propostas pelos Estados Unidos
  • Economista da Wi Invest alerta que imagem do Brasil no exterior pode afastar grandes investidores estrangeiros

A soma das investigações comerciais em andamento nos Estados Unidos pode elevar as tarifas sobre produtos brasileiros a até 37,5%. Para o economista Marcelo Carvalho, da Wi Invest, os setores mais expostos são exatamente os que já vinham sofrendo há anos: a indústria de alumínio, o arroz e os produtos industrializados com maior dependência do mercado americano.

Em entrevista ao Real Time desta sexta-feira (5), Carvalho avaliou que, embora uma parcela relevante das exportações brasileiras tenha ficado de fora da lista americana, o que resta dentro do escopo tarifário é suficiente para causar danos expressivos à economia nacional.

🔍 Investigação comercial Seção 301 Mecanismo da legislação americana que permite ao governo dos EUA investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas. Ao final do processo, pode resultar na aplicação de tarifas sobre produtos importados do país investigado.

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O que ficou dentro e o que ficou fora

Segundo Carvalho, cerca de 79% a 80% das exportações brasileiras conseguiu ficar fora do escopo das tarifas, incluindo boa parte dos alimentos que impactam diretamente a inflação americana. Os produtos que ficaram de fora foram poupados justamente porque sua taxação prejudicaria o consumidor americano.

O problema está nos 20% a 21% restantes. Alumínio e arroz figuram entre os produtos mais citados, ao lado de industrializados que demandam mão de obra mais qualificada e que hoje respondem por uma parcela relevante da geração de empregos no Brasil.

“Os setores mais industriais que já estão sofrendo há muito tempo, desde antes da pandemia, estão tendo mais um corte, mais um impacto, mais um prejuízo nos seus balanços”, disse Carvalho.

Investimento estrangeiro em risco

Para além do impacto direto sobre as exportações, Carvalho alertou para um efeito secundário que considera igualmente grave: a deterioração da imagem do Brasil no exterior. Segundo ele, as cartas de detalhamento das investigações americanas mencionam explicitamente questões de corrupção e problemas jurídicos, o que coloca o país sob um escrutínio maior do que o habitual por parte de investidores internacionais.

Grandes fundos que precisam de garantias de governança para autorizar investimentos em determinado país ou setor tendem a preferir outros mercados emergentes quando percebem esse tipo de risco, avaliou o economista. O efeito se propaga pela cadeia produtiva, atingindo fornecedores e trabalhadores dos setores afetados.

O movimento já foi perceptível na quarta-feira (3), quando a Bolsa registrou queda superior a 2%, pressionada pela saída de investidores estrangeiros que passaram a enxergar o cenário como risco político com potencial de se ampliar além do que foi anunciado até agora.

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Pregão de hoje sob pressão

Com o Payroll de maio vindo muito acima do esperado, a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos recuou, o que por tabela reduz também o espaço para o Banco Central brasileiro avançar na redução da Selic. Para Carvalho, o pregão desta sexta-feira (5) será volátil e uma sessão próxima da estabilidade já seria considerada uma vitória, diante da sequência de quedas que a Bolsa vem acumulando nas últimas semanas.

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